Arquivo do mês: dezembro 2011

Passaralhos também atingem universidades

O ensino (incluído aí o do jornalismo) também está às voltas com passaralhos: cerca de 150 professores foram demitidos da UniABC nesta semana, a maioria com título de mestrado ou doutorado.

O sindicato dos professores enxerga na ação uma manobra para substituir profissionais com titulação por graduados e especialistas, que por lei ganham menos.

Sabemos que é possível – mas muito difícil – tocar a carreira no jornalismo e na academia. No nosso caso, não dá pra prescindir de gente com experiência diária na profissão.

Faculdades que se fecham a bons jornalistas que não puderam avançar na pesquisa científica estão, em boa medida, cerceando o alcance de aprendizado de seus alunos.

O jornalismo precisa tanto de doutores e mestres quanto clama por especialistas.

Uso de vídeo na plataforma cronológica reversa, um artigo

Dois artigos da nova edição da Revista Contemporânea interessam diretamente à gente (e aos assuntos que abordamos aqui): “A Prensa, os tipos romanos e itálicos no mundo textual renascentista“, de Júlio Monteiro Altieri e Renan Lúcio Rocha, e “Por um estudo dos vlogs: apontamentos iniciais e contribuições teóricas de Marshall McLuhan“, assinado por Fausto Amaro Ribeiro Picoreli Montanha.

O primeiro é uma viagem à tipologia e aos primórdios do design de textos. O segundo faz uma aproximação entre o uso do vídeo na plataforma cronológica reversa de publicação.

A Contemporânea é da lavra do grupo de pesquisa Comunicação, Arte e Cidade do PPGCom/UERJ.

Boa leitura!

Ensino de jornalismo analisado sob lupa

O ensino do jornalismo é o eixo temático da mais recente edição da revista Conexão-Comunicação e Cultura,do Centro de Ciências da Comunicação da Universidade de Caxias do Sul.

Num momento em que falamos tanto sobre o diploma de jornalismo e a validade de sua “exclusividade” para a prática da profissão, nada melhor do que debater técnicas e pedagogia de seu ensino.

A retórica e a construção da identidade jornalística

Saiu o novo número da revista Comunicação & Sociedade, responsabilidade do programa de pos-graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo.

Folheando, encontrei o artigo “O papel da retórica na construção da identidade do jornalista“, de Fernanda Lima Lopes, bastante pertinente.

Desfrute.

No ar, mais uma Brazilian Journalism Research

Jornalismo público, telejornalismo e ensino da profissão (com um texto bem legal do meu mestre Ramón Salaverría) estão no cardápio da mais nova edição da Brazilian Journalism Research, revista científica semestral publicada pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

Vai lá.

Reportagens redigidas por uma máquina. É verdade.

O New York Times já tinha falado sobre isso há alguns meses, mas o jornalismo produzido por computador (como é que é?) parece estar se tornando real.

Prova da evolução da inteligência artificial, que consegue que uma máquina imite um humano até no jeito de escrever.

Já há quem aposte que, no futuro, 90% do conteúdo que leremos on-line terá sido redigido por meio de um software que possui, como principal vantagem, o fato de não assassinar gramática e ortografia.

A coisa está ficando interessante…

Passado, presente e futuro do Twitter

Álvaro Pereira Júnior escreveu há poucos dias uma pensata bacana sobre passado, presente e futuro do Twitter _uma das ideias mais geniais de nosso tempo, mas que possui a indescolável característica de não se consolidar como negócio sustentável.

Primeiro, o que significa “bombar no Twitter”? Não estaríamos dando demasiada importância a um mundinho minúsculo?

Talvez. Álvaro recorre a números apresentados pela revista New York para concluir que a ferramenta abriga “uma elite superconectada” que “fala sobre si e para si, enquanto o que se poderia chamar de lumpesinato digital apenas observa o movimento”.

A New York relata que dos 175 milhões de perfis autodeclarados pelo site lançado oficialmente em outubro de 2006, só 50 milhões são ativos _e destes, apenas 20 mil publicam o conteúdo que realmente repercute.

“Celebridades buscam mostrar uma face humana. Desconhecidos hábeis com as palavras se transformam em heróis cheios de seguidores. Nerds inexpressivos se reinventam como “pundits”, comentaristas prontos a emitir sentenças sobre qualquer assunto. Tímidos que passaram a vida sendo zoados viram garanhões on-line.

Tudo isso é verdade. Mas observar, da arquibancada, o que se passa ali virou quase obrigação para nós, jornalistas. Estamos diante de um espaço público de manifestação, talvez o maior já visto.

Álvaro conclui seu texto mencionando a possibilidade (absolutamente verdadeira, já que a fila da web sempre anda) de o Twitter vir a ser substituído por “alguma plataforma mais sexy, mais atraente, mais moderna. Quem sabe, mais real”.

O “mais real” questiono: nada mais vida em carne e osso do que uma minoria que dita moda e conduz o gado. Neste aspecto, o Twitter parece reproduzir em boa medida o que rola fora dele.

Em 1994, o protótipo do jornal do futuro

Em 1994, o professor Roger Fidler (hoje na Universidade do Missouri) apresentou o trabalho “O jornal do Futuro”, baseado num conceito que estava desenvolvendo na academia. A imagem aqui ao lado é exatamente de como o seria o “protótipo” deste produto.

Parece um imenso iPad, mas naquele tempo ainda não havia tablet como o conhecemos hoje. Fiedler usou como ponto de partida outro produto da Apple, o Newton (que o mundo conheceria como palm top).

Tãopouco havia rede sem fio (ou internet comercial) naquele tempo, mas Fiedler pensou que a atualização do jornal eletrônico poderia ser feita pelo mesmo sistema do videotexto _a tecnologia que originou o closed caption, então transmitido via ondas de TV.

Acesse a ideia completa e entenda o que prosperou (e o que era furado) na conceituação de 17 anos atrás.

Professor de jornalismo pede demissão porque alunos não sabem escrever

Aconteceu na Colômbia: um grupo de alunos foi incapaz de redigir o resumo de um livro, em um parágrafo, sem cometer erros ortográficos.

Foi o bastante para que o cansado mestre pedisse o boné.

Tenha uma nova profissão: seja um jornalista!

“Não perca esta oportunidade, tenha uma nova profissão: seja um jornalista profissional!”

Um tal Sinaj (Sindicato Nacional dos Jornalistas) está oferecendo um curso de jornalismo grátis na internet.

Se o sindicato do A já é assim, imagina o do B…

A não exigência do diploma para o exercício da profissão não significa caminho livre para esse tipo de coisa.