Arquivo do mês: agosto 2011

Contra crise, Wikipedia se mexe

É possível ter um visual ainda mais leve do que o da Wikipedia, o maior projeto colaborativo da história da internet?

Sim, e quem tenta isso é a própria Wikipedia.

Está em curso um referendo para que usuários mais ativos do site opinem sobre a conveniência de se criar um “filtro de imagem pessoal opcional” que permitirá ao usuário acessar as páginas sem necessariamente visualizar nada além do texto.

“O recurso se destina a beneficiar os leitores e será feito do modo mais amigável e simples possível”, informa a fundação que administra a enciclopédia participativa.

Se há alguma crise na Wikipedia, ela não é de audiência (é o sétimo endereço mais acessado do planeta, segundo o ranking da Alexa).

O projeto de Jimmy Wales está desidratando na ponta mais importante, os colaboradores, que têm diminuído de forma consistente.

Um dos motivos, segundo seu criador , é bacana: “a verdade é que há cada vez menos verbetes para incluir no site”.

O outro, mais sério (e que considero a pista certa): o excesso de regras e formalismos afasta usuários menos experientes.

Ainda vamos ouvir falar muito da Wikipedia.

A importância da interação com a comunidade

“É indispensável criar e cultivar não um grupo de consumidores, mas uma comunidade em torno do produto ou do serviço que está sendo ofertado. Quanto maior e mais diversificada for a interação nessa comunidade, maior será a percepção de ‘diversão’ por parte do usuário e maior será sua propensão, no longo prazo, a se engajar com a marca e consumir aquilo que está sendo ofertado.”

Julio Vasconcellos, fundador do site de compras coletivas Peixe Urbana, falava, evidentemente, de comércio eletrônico, mas essa lição se enquadra perfeitamente a quem faz jornalismo na internet.

Administrar uma comunidade e interagir com ela é, hoje, o ponto de partida para iniciativas bem-sucedidas em novas plataformas.

Primeiro na web, depois impresso

Artigo de Alysia Santo na Columbia Journalism Review analisa uma faceta interessante do modelo de negócios adotado por alguns projetos nascidos na web e que, posteriormente, criaram um braço impresso como estratégia de mercado.

Os motivos são basicamente três: cobrar mais dos anunciantes, reforçar a marca em pontos de venda e ganhar mais credibilidade.

Este último, ainda o maior ativo do jornalismo em papel.

A internet é antidemocrática

O texto “A internet não é tão democrática“, que Renato Janine Ribeiro publicou no Valor, é mais uma constatação de que, na web, as pessoas buscam a concordância, jamais o contraditório.

Mestre Castells vem dizendo isso há algum tempo e, em definitivo, é o que explica a intolerância diante da opinião contrária.

Uma pena, mas a rede jamais será um espaço democrático. Sociologia e filosofia explicam o porquê.

Time cita própria capa de 33 anos atrás


A revista Time da semana passada revisitou a si própria na capa, uma montagem sobre a crise econômica, relembrando trabalho de 1978.

Tudo se recicla no jornalismo.

Como os jornalistas se veem uns aos outros?

Demais essa representação!

Distúrbios na Inglaterra e redes sociais

É claro que os acontecimentos em Londres são um novo cenário para se analisar o impacto da mídia social no dia a dia. É o que fez Tristan Stewart-Robinson.

Nesse caso há um novo ingrediente: o messenger do BlackBerry, usado em massa pelos britânicos por ser de graça.

Novamente, deixo aqui a mesma impressão que manifestei por ocasião da Primavera Árabe: a convulsão social não ocorre por causa do avanço tecnológico, mas é potencializada por ele.

Na Espanha, jornais caem em piada xenófoba

Rolou um boimate legal semana passada na Espanha, este nascido na web: o Marrocos teria requisitado à Espanha metade do faturamento do monumento La Alhambra, uma espetacular fortaleza medieval em Granada, na Andaluzia, cuja construção começou no século 9.

O marroquino Boabdil foi o último rei mouro de Granada, expulso pelos reis católicos em 1493.

A bobagem surgiu como uma piada num site reacionário e acabou tomando os jornais.

É a tal “serpiente de verano” citada no texto sobre a gafe, termo próximo da nossa “barriga”.

Pelo direito a ser esquecido

Bacana isso: correm na Europa processos de gente que quer ser esquecida pelo Google, isto é, desaparecer do mapa da web até mesmo em ferramentas de busca.

É um pleito justo, mas esse combate à privacidade já perdeu batalhas em tribunais americanos algumas vezes.

Contradições em rede

Inspiradoras as contradições entre Alexandre Matias, em O Estado de S. Paulo, e Antonio Prata, na Folha, sobre as funcionalidades da internet. Ela estimula o ócio, sim, mas conecta e organiza pessoas.