Releasemania

Quando escreveu “Releasemania”, em 1985, Gerson Moreira Lima não tinha a menor ideia de onde iríamos parar.

Se há 26 anos algo acontecia que o motivou a escrever um livro, hoje, provavelmente, ele formularia uma enciclopédia em 20 volumes.

O release tomou proporções assustadoras. Assola as redações em formato de vídeo, áudio, texto e infografia, e o fará por meios que ainda virão a existir.

Redações com menos recursos ou que precisam cumprir a premência do “volume” (aqui, falo claramente do jornalismo on-line) são presas fáceis.

Os ganchos jornalísticos agora são criados com objetivos comerciais e, pior, o acesso a protagonistas de notícias verdadeiras fica sob a égide de alguém com interesses promocionais.

Gerson, que é meu par (edita esportes em A Tribuna, de Santos), bem que poderia lançar uma nova edição, revista e atualizada, de sua grande obra.

ATUALIZAÇÃO: Nos comentários, Gerson Moreira Lima em pessoa reforça minha sensação e diz que, sim, vivemos o auge da releasemania.

8 Respostas para “Releasemania

  1. Tatiana Damasceno

    Sejamos francos, mesmo os grandes jornais publicam releases quase que na íntegra. A redução das equipes nas redações não é exclusiva dos pequenos veículos. É um mal que atinge todos…

  2. Gerson Moreira Lima

    Caro Alec. Realmente, quando escrevi o Releasemania não poderia ter imaginado o que viria a ocorrer. Tenho muito material para escrever o Releasemania 2. O problema é que faço mil coisas diariamente para os outros e falta tempo para as coisas que realmente têm importência para mim. Diria o seguinte: a releasemania continua, só que em proporções nunca antes imaginadas. Claro que a informação agora não vai mais por correio ou por fax. As novas tecnologias são o novo suporte. Em resumo, o que está nos veículos cada vez menos é aquilo que o repórter apura. Lembro-me até de um comentário rotulado como de Magalhães Pinto, velha raposa da política brasileira, já falecido: “Para que comprar um jornal se posso ter todos à minha disposição?”. Por isso costumo dizer que o melhor das informações normalmente não está nos veículos, mas sim nos latões de lixo das Redações. Infelizmente, o jornal descartado diariamente talvez seja aquele que deveríamos ler.

    • Grande Gerson, assino embaixo o que você disse. E parabéns por esse trabalho, que atravessou décadas como o documento histórico de um momento que, infelizmente, estamos vivenciando na plenitude agora.
      abs

  3. Alec, mudei de lado de balcão recentemente, mas minha posição sobre o assunto não mudou muito. Acho que “vitimiza-se” muito as redações: você mesmo colocou algumas como “presas fáceis”. Outra visão equivocada é que a função de um jornalista em assessoria de imprensa é a mesma de um jornalista de redação: atender aos interesses públicos e ter o leitor como o cliente-supremo.

    Assessoria de imprensa é uma ferramenta de marketing. É ótimo que o assessor seja jornalista e, preferencialmente, tenha passado por redação(ões), para entender a dinâmica dos jornais, TVs, sites e rádios e, assim, fazer seu trabalho do modo menos invasivo e produtivo possível – para o jornalista e para o leitor.

    Ora, se a redação vive de releases, é incompetência DELA e da empresa que a mantém, que monta um jornal/site/TV/rádio apenas para “dizer que tem” e não investe em equipe e estrutura. O assessor tem um cliente, que paga para ver seu produto compreendido e utilizado pela imprensa. O outro cliente do assessor é o jornalista, que precisa do assessor muitas vezes, seja para complementar uma pauta ou mesmo para que ela possa existir.

    Em um mundo ideal, o jornalista não seria tão suscetível (e dependente de) a qualquer release, mas ainda usaria o assessor como parceiro. Obviamente que, neste mesmo mundo ideal, o assessor não mandaria releases totalmente desinteressantes e desconectados com a editoria do jornalista.

    Enfim, acho que não podemos culpar as assessorias pela má qualidade dos veículos. Os assessores, em geral, fazem seu papel enquanto ferramenta de marketing. Os melhores tentam linkar o seu cliente pagante aos interesses da população em geral. Agora, se os jornalistas atualmente ficam colados em suas cadeiras recebendo e colando releases em suas notícias, isso é um problema do jornalismo, não da assessoria.

    • Emidia, e jamais culpei as RPs. Em geral as pessoas tomam como uma ofensa o fato de eu tratar as assessorias como RP _considero isso uma desconsideração ao profissional de relações públicas. Não há dúvida que a responsabilidade pela (má) qualidade do jornalismo é das redações.

  4. Esta “releseamanina avassaladora” destes tempos tem como caraterística principal a facilidade com que os jornalistas se deixam levar pelos assessorados com o objetivo único de vender produtos e serviços dos mais diversos. Aceitar produzir release sobre um modelo de vestido de cetim capaz de se transformar em 25 outros modelos é prova cabal de que o jornalista que o produziu ou é incompentente e não sabe o que é jornalismo ou está morrendo de fome e não tem alternativa a não ser se curvar às regras do mercado/mercador.
    Já não é de hoje que defendo a assessoria de imprensa ser prática exclusiva de rp. Jornalismo não tem e nunca teve a missão de defender imagem de ninguem. Os que fazem as caixas postais ficarem entulhadas de releases repito, ou não sabem o que é jornalismo (o que duvido) ou estão morrendo de fome. Divulgar vestidinho de cetim não é, nunca foi e nunca será jornalismo. Portanto, delete!

  5. Olha um aprova do que disse antes aqui. Acabei de receber em minha caixa postal: DANONINHO PARA PLANTAR LANÇA JOGO PARA CELULAR – Nova missão do Dino proporciona diversão para as crianças e ajuda a preservar a Mata Atlântica em novo aplicativo para iPhone.
    E olha o que tem de gente dizendo fazer jornalismo pra vender Danoninho:
    Informações para a imprensa: Andreoli MSL Brasil
    Hamilton Paixão – (11) 3169-9358 – hamilton.paixao@br.mslworldwide.com
    Anne Fadul – (11) 3169-9365 – anne.fadul@br.mslworldwide.com
    Leandro Bornacki – (11)3169-9359 – eandro.bornacki@br.mslworldwide.com
    Mônica Lourenci – (11) 3169-9315 – monica.lourenci@br.mslworldwide.com

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