Arquivo do mês: abril 2011

A câmera oculta e a ética no jornalismo

O avanço tecnológico e a consequente miniaturização de dispositivos popularizou definitivamente o uso da “câmera oculta” no jornalismo.

Assim como não é adequado um jornalista se passar por um personagem para obter informação, há quem questione a validade ética de se recorrer a um recurso que ludibria a confiança depositada em você por uma fonte.

É debate pra mais de metro, porque o ponto atual é: a câmera oculta passou a ser um fim, não um meio. Vulgarizou-se _e é muito mais fácil fazer jornalismo pegando os incautos no pulo.

É a discussão que o professor Martín Becerra levou ao jornal Pagina 12 em virtude de gravação clandestina que mostrou Luis Siri (a cara mais visível dos protestos sindicais que têm oposto trabalhadores e o diário argentino Clarín) achacando a direção do jornal.

Em português claro, pedindo dinheiro para não liderar piquetes como os que impediram a circulação do jornal há semanas.

No meio da tragédia, um jornal escrito a mão


O terremoto seguido de tsunami e crise nuclear que devastaram o Japão proporcionaram cenas extraordinárias de superação e disciplina.

É o caso de seis redatores do Ishinomaki Hibi Shimbum, que durante seis dias foi escrito a mão e distribuído por eles nos abrigos em regiões mais seguras da cidade.

Nas matérias, os jornalistas relatavam os acontecimentos, alertavam sobre operações de resgate e pediam a participação dos leitores para que mais histórias fossem contadas.

Uma prova de amor à profissão e a compreensão de seu objetivo definitivo, que é servir o público.

O jornal feito a mão circulou entre 11 e 17 de março, quando a energia elétrica foi restabelecida em Ishinomaki.

O Newseum, principal museu de história da imprensa no mundo, já recebeu um exemplar para expor em seu acervo, aberto ao público em Washington (EUA).

Volto já


Você entende, né?

Nos tempos em que o Google era um jornal impresso…


Se é que existe alguém no mundo que não tenha feito uma busca no Google ontem, deixo registrado o vídeo no “doodle” (o cabeçalho da minimalista _e por isso bem-sucedida_ ferramenta de busca) que celebrou o 122º aniversário de Charles Chaplin, no sábado.

Claro que o jornal impresso chamado Google foi o momento que mais gostei…

O dia em que os arapongas da ditadura descobriram como se faz um jornal diário

Simplesmente saborosa a descoberta do repórter Jailton de Carvalho, de O Globo, que revelou em sua edição de ontem o patético relatório produzido em 1972 por arapongas da Aeronáutica intitulado “Elementos suspeitos no O Globo”.

Nele, agentes infiltrados no jornal relatam que “elementos agitadores e subversivos” vinham tomando conta de postos-chave na redação do periódico carioca.

Gente esquisita como um “comunista que tem a seu cargo ler todas as matérias e, se achar que não estão boas, manda o repórter reescrever, modificando-a a seu gosto”. Prazer, araponga, esse aí é um editor.

Em outro trecho de antologia, o serviço secreto estranha que houvesse “notícias divergentes” entre uma edição e outra do jornal. Meus caros espiões, sejam bem-vindos ao segundo clichê.

Óbvio que o relatório carrega a paranoia típica dos anos de chumbo, mas revela também que o jornalismo é mesmo quase impenetrável para os leigos.

Uma conversa sobre a linkagem em conteúdo jornalístico

Robert Niles entrevistou o pesquisador Ronald Yaros, da Universidade de Maryland, sobre o uso do hiperlink em conteúdo jornalístico.

Yaros acabou de publicar um estudo no qual as conclusões, apesar de óbvias, são fruto de coleta e análise científica _e aí passam a valer mais.

Segundo Yaros, a linkagem adequada melhora a experiência do leitor. E qual é a forma certa de linkar? Depende do tipo de material que você vai publicar.

Há algumas regras básicas (por exemplo, evitar redudâncias do tipo “clique aqui” e, em vez\ disso, escolher palavra ou trechos que deixem claro para onde o usuário será direcionado).

Dá um pulo na entrevista lá pra entender melhor.

Um manual do ‘jornalismo independente’

Que tal conhecer o interessante Manual do Jornalismo Independente?

Obra de Deborah Potter, veterana correspondente de redes como CNN e CBS.

A se conferir.

Redes sociais e o medo de perder alguma coisa

Você sente a necessidade de checar seus perfis em redes sociais a todo instante e tem medo de perder algo importante, além de invejar a boa vida dos colegas que postam em sua timeline?

Você pode estar sofrendo de Fomo (“fear of missing out”), síndrome que tem assolado usuários da internet, como conta Jeena Wortham em interessante artigo no NYT replicado pelo Estadão.

 

O jornalismo e a exploração da prostituição

Ok, está no bojo da disputa política entre o Grupo Clarín e o governo de Cristina Kirchner, mas a informação de que o periódico arrecada um milhão de pesos mensais (quase R$ 400 mil) com classificados eróticos reacende o debate sobre a exploração da prostituição pelo jornalismo.

Na Espanha, outra estimativa aponta que os meios amealhem 40 milhões de euros anuais com este tipo de anúncio.

Aqui, onde não há restrições, alguns jornais fazem o possível para tentar evitar _mas é só dar uma passada de olhos pelos classificados para encontrar ofertas de sexo fácil.

É uma questão (mais uma) a ser encarada de frente pela profissão.

A quantas anda a cultura do grátis

Interessante por onde avançou a cultura do grátis nos EUA: algumas marcas estão oferecendo de graça produtos antes pagos em troca de maior fidelidade dos clientes.

Coisas do tipo o streaming de todos os jogos da liga de beisebol.

O conceito do preço zero como tendência foi introduzido em 2009 por Chris Anderson. Não há indícios de que isso se sustente enquanto tese, como era a pretensão.

No contexto de pequenas ações de marketing, e preferencialmente na internet, não chegou a ser febre, mas vem crescendo.