Arquivo do mês: setembro 2010

Leituras de segunda

Normalmente as dicas de leitura eu dou aos domingos, mas nesta semana me atrasei: a compilação de artigos #MidiasSociais: Perspectivas, Tendências e Reflexões merece uma visitada.

Bom porque trata também de outros campos (educação, política, economia e publicidade, entre outras).

Mais sobre o jornalismo investigativo de qualidade…

…que também é o tema da coluna deste domingo da ombudsman da Folha de S.Paulo. Para refletir.

O jornalismo investigativo de qualidade e a sobrevivência da profissão

O episódio envolvendo a ministra Erenice Guerra, em que reportagens publicadas por Veja e Folha de S.Paulo desembocaram na demissão da titular da pasta mais importante do governo, a Casa Civil, coloca um ponto de interrogação na questão sobre a gradual desimportância da grande imprensa _abordada muitas vezes por mim mesmo, em aulas e neste espaço_ num mundo onde a publicação pessoal e a colaboração estão trazendo outros personagens para o processo de construção do noticiário.

A mensagem de que o jornalismo investigativo de qualidade tem sim, ainda, condições de influenciar diretamente no processo de vigilância dos governantes (claramente ampliado com o avanço tecnológico e o acesso do público a essas tecnologias) é um sopro de esperança nesse cenário sempre sombrio no qual o futuro da profissão é sempre avaliado.

Lições de integração do Guardian

Alan Rusbridger, diretor do Guardian (provavelmente o jornal que melhor entendeu a necessidade da convergência entre papel e on-line), deu uma belíssima entrevista ao El Pais.

Nela, lamenta que tenha menosprezado o poder do Twitter e defende uma web aberta e colaborativa _até como antídoto ao altíssimo custo do jornalismo investigativo de qualidade.

Comandado por Rusbridger, o processo de integração do jornal britânico começou na marra (seus jornalistas foram obrigados a abrir contas em redes sociais e a interagir com os leitores). Não é uma prática recomendável (o engajamento dos entusiastas e o convencimento paulatino dos demais, na minha opinião, é mais eficiente).

Mas deu certo: o Guardian é um belo exemplo de como fazer.

A coragem de corrigir nossos erros à altura

Como faz bem (não só pela transparência, mas principalmente pela obrigação profissional) ter coragem (sim, é preciso coragem, por incrível que pareça) corrigir, à altura, um erro .

Foi o que fez o G1 nesta semana, manchetando a correção de um equívoco que havia sido publicado daquela mesma forma (ou seja, como notícia mais destacada do site).

É assim que se faz.

(Esta dica é da colega Mary Persia).

Uma reportagem chocante

Eu sempre quis postar o choque ao vivo que Lasier Martins tomou em plena reportagem, ao vivo, no Jornal do Almoço, telejornal vespertino mais assistido do Rio Grande do Sul.

Não há um gancho, apenas a necessidade de se registrar isso aqui.

São as agruras da TV ao vivo.

Twitter fideliza internauta na marra

Há uma pegadinha em curso no Twitter _e que ainda não foi percebida.

O site tem atrasado gradualmente a visualização de posts para quem não está logado. Em alguns momentos, esse delay chega a 15 minutos.

Antes, é bem lembrar, as atualizações eram mostradas em tempo real.

Na prática, a decisão impõe ao usuário a criação de um perfil no site.

Uma boa maneira de “fidelizar” o internauta.

O jornalismo qualquer coisa


A capa carioca de sexta-feira do popular Meia Hora, agora também paulistano, merece figurar em qualquer tipo de coleção sobre jornalismo.

“Espírito de Eliza amarra o Mengão”, diz a manchete, sob a linha fina “Pai de santo alerta os rubro-negros”.

Mais, na chamada: “Jovem estaria assombrando o Fla para atingir Bruno, diz Sérgio de Ogum. Torcida tem que pedir axé nos jogos”.

Maravilhoso.

Saiba mais sobre o Caso Bruno e Eliza Samudio

Leituras de domingo

#ficaadica: A revista Fronteiras-Estudos Midiáticos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos (RS).

Coisas bacanas e boas discussões.

Os jornalões estão em guerra

Vazamento de informações sigilosas não estão apenas na ordem do dia da política brasileira, mas também do jornalismo internacional.

No momento, New York Times e Wall Street Journal, dois dos mais importantes jornais do mundo, estão em pé de guerra por causa de métodos nada éticos para obter informação _caso de alguns veículos de propriedade de Rupert Murdoch, dono do WSJ.

Permito-me reproduzir texto de Kenneth Maxwell publicado ontem pela Folha de S.Paulo. É o resumo da ópera.

“No mundo da mídia impressa, há uma batalha monumental em curso entre o “New York Times”, de Arthur Sulzberger, e o “Wall Street Journal”, de Rupert Murdoch.

Para Murdoch, o “New York Times” representa tudo o que ele mais odeia no jornalismo, e o empresário parece determinado a desafiar e a solapar o seu grande rival. Murdoch é notório pelas suas guerras jornalísticas, especialmente no Reino Unido, onde controla o “Times” e o “News of the World”. Mas a disputa entre o “Wall Street Journal” e o “New York Times” promete ser a maior das batalhas.

O mais recente episódio começou com uma reportagem investigativa de Don Van Natta Jr., Jo Becker e Graham Bowley, publicada pelo “New York Times” com o título “O ataque do tabloide: as escutas de um jornal londrino contra os ricos e famosos”.

A Scotland Yard identificou a origem de escutas usadas contra família real e chegou a Clive Goodman, antigo repórter judicial, e Glenn Mulcaire, antigo investigador particular, que também trabalhava para o jornal “News of the World”.

Os dois haviam obtido as senhas necessárias para ouvir as mensagens de voz dos príncipes Andrew e Harry. O “New York Times” alegou que repórteres do “News of the World” também invadiram as caixas de mensagens de voz de centenas de celebridades, funcionários do governo e astros dos esportes britânicos.

Tanto Goodman como Mulcaire foram demitidos e aprisionados. O “New York Times” acusou, no entanto, que a Scotland Yard não levou adiante as investigações sobre pistas que sugeriam que o “News of the World” estava conduzindo operações de escuta contra cidadãos de maneira rotineira.

O foco estreito da investigação permitiu que o “News of the World” e sua companhia controladora, a News International, de Murdoch, atribuíssem o caso às ações de um jornalista. Tanto Goodman como Mulcaire abriram processos contra o “News of the World” -os dois casos foram encerrados por meio de acordos extrajudiciais. O editor do “News of the World” no período em questão, Andy Coulson, também se demitiu. Hoje é diretor de comunicações na equipe do primeiro-ministro David Cameron.

A revista “Vanity Fair” afirmou nesta semana que assistir à disputa era como “ver uma briga entre os Corleone e a família Tenembaum”. Na segunda-feira, John Yates, comissário assistente da polícia londrina, disse que, “se surgirem novas provas, que justifiquem novas investigações, é isso o que faremos”.