O atestado de óbito do sindicato dos jornalistas de SP

É hoje que o sindicato dos jornalistas de São Paulo assina seu atestado de óbito: a entidade, que já há anos servia apenas como um plano odontológico e estava morta como representante de uma categoria, abriga nesta quinta-feira uma manifestação contra a imprensa.

É isso mesmo, eu não estou louco nem bêbado: o sindicato, que deveria defender a classe, abre suas portas para um grupo de entidades interessadas em denunciar a “baixaria nas eleições” e o “golpe midiático”, seja lá isso o que for.

Na prática, trata-se de mais uma tentativa de calar e constranger a imprensa livre e combater o jornalismo investigativo _eles se esquecem de que o ministro mais importante do governo, o da Casa Civil, teve de deixar o governo justamente por conta destas investigações.

É o fim patético de um sindicato que já tinha sido destruído pela desconexão entre sua direção e a realidade.

Que não descanse em paz.

12 Respostas para “O atestado de óbito do sindicato dos jornalistas de SP

  1. Disse tudo, Alec!
    O sindicato há muito já estava morto, mas agora se enterrou de vez. Já era.
    (Aliás, estendendo um pouco, existe ainda algum sindicato forte, em alguma categoria? Que preze pelos direitos da categoria, sem peleguismo? Tou pra conhecer, e isso desde os anos 80)
    bjos,
    Cris

  2. Não concordo com a manifestação convocada pelo Barão de Itararé. Mas ela não é contra o jornalismo investigativo. É contra a ficha falsa, o grampo sem áudio, a identificação errônea das baterias das câmaras, o bilhão de prejuízo dado pela Dilma, a queda da mortalidade infantil que virou uma notícia ruim, os dólares cubanos… É a isso que chamam de golpe midiático (não chego a chamar de golpe): invenção de escândalos que prejudicam o governo e a candidatura situacionista. Em claro desequilíbrio de cobertura.

    A queda em si da Erenice Guerra não quer dizer que houve um jornalismo investigativo bem feito. Podem ter acertado alguma coisa – com tantas saraivadas alguma coisa acabam por acertar. O problema são os que listei acima…

    Baixaria nas eleições é isto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FJ7kFXeII44

    []s,

    Roberto Takata

    • Ou seja, Roberto, é contra o jornalismo. E dentro de um sindicato que deveria representar a categoria, é imoral e inaceitável. É esse o meu ponto. A manifestação, ainda que a cargo de jornalistas a soldo do governo, é legítima.

      abs

  3. Discordo do seu ponto de vista. Vejo um noticiário totalmente desequilibrado a favor de uma candidatura.

    O que se chama “jornalismo investigativo” virou uma cata desesperada por fontes (qualquer uma) que confirmem teses de que a eleição de Dilma é uma “ameaça à democracia”. É sempre apresentado com tinta carregada e muitas vezes sem o contraponto devido.

    Alguns editoriais da Folha, do Globo e do Estado têm o mesmo teor de textos de 1963 que imploravam “intervenção militar” para “restaurar a ordem”.

    Sei que são seus patrões e vc deve respeito hierárquico a eles, mas permita-se comparar o contexto atual com o daquela época. O que muda é que os militares já não têm poder de intervenção. Não fosse isso, estaríamos sob os mesmos riscos.

    Os donos dos jornais de hoje são os mesmos daquela época: distorcem e manipulam. Sequer o fazem a favor do Brasil, da liberdade de expressão. O fazem pela sobrevivência de seus negócios.

    Essa é minha opinião. De quem já trabalhou em jornal (como vc) e viu como são escolhidas manchetes na calada da noite. Há muitos critérios e a meu ver o mérito jornalístico não figura entre os principais.

    No mais, a Folha distorceu a notícia sobre o sindicato. Um título mais honesto seria “Entidades fazem ato contra ‘excessos’ da imprensa em São Paulo”. Por mim “excessos” iria sem aspas mesmo.

    Essa é minha opinião, ressalto. Gosto do confronto de ideas. Mas o que se vê aí, refletido no seu post, é o confronto de poder político e econômico. As ideias e opiniões não são necessariamente benvindas.

    • Henrique,

      Nada contra o ato (sim contra jornalistas a soldo do governo defenderem uma posição que eles próprios não sustentam), mas sim ao fato de o meu ex-sindicato abrigá-lo.

      abs

      • Ok, pode ser que no fundo todos concordemos. Os “ruídos” e humores impediram um entendimento maior de nossa parte. Também acho questionável a ausência de sindicatos independentes e o uso político dos mesmos. Abraço.

      • A discordância é muito bem-vinda, vc bem sabe que eu adoro o debate!

        abs

  4. Esses jornalistas (?) da grande mídia estão mais para mucamas dos barões, digo patrões da comunicação. Quando leio ou vejo certas matérias, pergunto-me: será que esses sujeitos pensam que são amigos do rei? Aí , vem-me à cabeça a frase de Sartre: odeio aqueles que reverenciam seus opressores. É isso!

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