A web não morreu

Lembra que ontem falei de um artigo da Wired sobre a morte da web e o avanço dos aplicativos móveis? Pois a tese está sob forte ataque.

Alexis Madrigal vai diretamente ao ponto em texto na The Atlantic: é a grana, estúpido.

E pensar que justo Chris Anderson, editor da Wired e defensor do preço zero na internet, teria formulado a hipótese (ao menos, é quem assina o texto, ao lado de Michael Wolff).

Sim, pontua Madrigal, revistas como a Wired podem fazer muito dinheiro usando aplicativos e serviços personalizados em dispositivos móveis.

Pra completar, Rob Beschizza detectou manipulação nos gráficos que ilustravam o polêmico texto de Anderson.

Mas lembre de Juan Varela, que crê (academicamente, até onde sei) na gradual desimportância da web como principal drive de conteúdo _e se vangloria de falar nisso faz tempo.

Vou deixar a palavra com especialistas.

5 Respostas para “A web não morreu

  1. Alec: Juan Varela, e os outros que falam na desimportância gradual da web, têm razão até certo ponto: é de facto para um universo onde a web como a conhecemos quase desaparece que a publicação profissional de notícias caminha. Em grande parte, sim, por razões económicas: a economia da web é de dificílima extração de valor, enquanto as aplicações e os formatos diretos são de mais fácil monetização.

    Agora, que isso signifique o fim da web!… Estamos cá para ver. Até porque Anderson e Wolff ignoraram o contributo, er, cultural da web. As mudanças comportamentais provocadas pelo ambiente HTML. Eles estão a assumir — perigosamente, em meu entender — que os jovens nascidos na web vão ter hábitos de consumo semelhantes aos seus pais, quando sairem da Universidade, entrarem no mercado de trabalho e se tornarem respeitáveis consumidores adultos.

    Adiciono: mesmo o modelo das apps está completamente por provar que funcione economicamente. Tem-se essa esperança — é o mais que consigo dizer. Recordo que a iTunes não tem um preçário para subscrições, apenas para vendas unitárias. E a percentagem da rede de distribuição e do vendedor de retalho pode deitar tudo a perder. É que a Apple não é o quiosque da esquina… Os media tornaram-se muito lucrativos quando assimilaram a rede de distribuição, podendo exercer um controlo apertado sobre os operadores de retalho. Sem isso…

    • Paulo, de fato é um assunto complexo e que tem muitas vertentes.

      A ideia aqui, longe de estabelecer um conceito definitivo (até pela presunção que isso suporia), mas você levanta pontos especialmente importantes, como o hábito de consumo dos jovens, por exemplo.

      De fato, é assunto que merece uma profunda reflexão, baseada em dados, para que aí sim possamos avançar no terreno das possibilidades _que, afinal de contas, é o que mais nos diverte nesse mundo, não?

      Muito obrigado pela visita e volte sempre!

      abs

  2. Algo que a Wired esqueceu é que vídeo é pesado, por isso toma conta de boa parte da banda do que é trafegado na internet. A maioria das pessoas chega até o vídeo através da…? web. A certidão de óbito que ela escreveu está na web, e todo mundo comenta também através dela…

    Outro equívoco na matéria é que ela entende web como se fosse apenas o HTML. internet é pura e simplesmente o protocolo TCP/IP, não acho que todas as apps vão passar a trabalhar no duro de uma hora para a outra. Já web é uma plataforma que abrange coisas como HTML, HTTP, URI, microformats, RESTful resources… Decretar a morte do HTTP é algo que deixa qualquer especialista muuito cético, não acho que aconteça a médio prazo, pelo menos.

    Mesmo que o HTML tivesse morrido como decreta a Wired (coisa que não acho que acontece tão rápido), HTTP e URI continuam sendo standards utilizados por muitas aplicações, praticamente todas que estão em rede conversando com outras.

    E ainda assim, acho que nem o HTML morre fácil. Hoje o cenário mobile está manjado: a Apple domina o mercado. Quando Android decolar mesmo, e outros sistemas operacionais surgirem, quando o cenário mobile estiver mais diverso, será bem mais difícil portar aplicações para todas as plataformas. HTML5 está se desenhando como a melhor alternativa neste caso, bem mais robusto que HTML.

    Penso totalmente diferente da Wired neste caso, acho que a web está nascendo, não morrendo.. a conferir!

    • Victor, o tema é polêmico e completamente aberto _como de resto quase tudo quando o assunto são novas plataformas.

      Sua argumentação é bastante interessante.

      abs

  3. Alec, a exploração das possibilidades é efetivamente o mais divertido 🙂

    Sendo admissível que os adolescentes mudam muito de hábitos de consumo quando entram no mercado de trabalho e constituem família, passando a alvos de outro tipo de publicidade e passando a consumir mais informação, tenho grande curiosidade de ver como isso vai acontecer.

    As gerações atuais não têm mais a formatação de base relativamente às marcas de media; são mais soltas e estão habituadas a não se fixar em marcas (MTV, Globo, Estado de São Paulo, RTP, Público), mas em programas e séries, e em pessoas. Estão, desde muito jovens, habituadas a consumir informação e entretenimento 1) grátis, 2) por vias não tradicionais e por pares, e 3) sem terem criado previamente um relacionamento direto com o produtor original dessa informação.

    Para os modelos como o iPad, desenhados para as gerações anteriores com formatação de hábitos mediáticos bem diferentes, terem sucesso, é necessária uma reconversão destes comportamentos, em percentagens significativas. Será que tal pode ocorrer?

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