O que as assessorias de imprensa querem com a gente?

O que as agências (nome contemporâneo para os escritórios que gerenciam marcas, produtos e carreiras) querem com a gente, os jornalistas?

Fundamentalmente, duas coisas: nossa agenda e rede de relacionamentos e a habilidade de escrever coisas o mais parecidas possível com um texto jornalístico.

A combinação dos dois elementos é explosiva: sim, as assessorias de imprensa estão cada vez mais emplacando textos ipsis litteris, em boa medida com a colaboração do jornalismo on-line _este ente enfermo, sucateado e desprezado, que por falta de mão de obra acaba, deliberadamente ou por ineficiência, refém dos releases nossos de cada dia.

Até nos Estados Unidos, onde o trabalho nas agências sempre foi coisa de relações públicas (e eu repito: pra mim, assessoria de imprensa é coisa de relações públicas mesmo), cresceu a quantidade de coleguinhas empregados no negócio.

Entre 1980 e agora, subiu em 60% o número de jornalistas que trabalham em assessorias de imprensa (ao mesmo tempo em que as redações enxugaram em 40% seus quadros).

A leitura clara é que os negócios, não as notícias, estão pautando o jornalismo.

13 Respostas para “O que as assessorias de imprensa querem com a gente?

  1. Nunca vi um sindicalista ou professor universitário reclamando que os bacharéis em comunicação social – habilitação jornalismo – estejam visitando a habilitação vizinha distante: relações públicas.

  2. Alec
    Respeito seu ponto de vista, mas permita-me discordar. Não considero assessoria de imprensa coisa de relações públicas, muito pelo contrário, é cada vez mais coisa de jornalista.
    Ser de redação é necessariamente ser jornalista? Cada vez mais tenho motivos para achar que não necessariamente.
    Enfim, quanto a defender interesses e marcas, creio que é possível fazer um trabalho honesto e profícuo nessa seara e ainda, muitas vezes, contribuir sim para um jornalismo melhor.
    Abraços,
    Paulo

  3. Devolvo sua pergunta com outra pergunta: Como poderiam os veículos processar a imensidão de informações sem o trabalho das assessorias de imprensa? Aliás, repórteres, cada vez mais, penduram-se com braços, pernas e ideias nos temas sugeridos pelas agências. Ou repórteres pensam pautas?
    Caro, concordo sim que haja, entre as ações das assessorias, trabalho de RP. Mas, além do approach com os veículos, fundamental à função, o trabalho de assessorias é absolutamente jornalístico, já que os jornalistas assessores devem a todo momento entender em que ambiente informativo “enquadram-se” as ações e produtos de seus clientes; acompanhar a alienante agenda de notícias e propror o novo; pesquisar, (com esforço) repórteres que saibam qual sua função socio-cultural e distinguam-se, ao menos um pouco, da grande massa que empobrece o jornalismo mundial.
    Matérias a gente não produz não. E, sinceramente, depois de tanto fazê-las, prefiro calar-me.
    Sobre os ipsis literis. Isso é muito ruim mesmo. Pura preguiça dos repórteres. Uma pena.

    • Giovana e Paulo,

      Sempre que eu cito o trabalho de relações públicas, há um descontentamento generalizado, como se fosse um trabalho menor. Todo o oposto, eu apenas defendo que o que é de César deve ficar com César. Respeito os profissionais de relações públicas e acho que eles desenvolvem excelente trabalho. Quanto ao jornalista inserido nesse processo, reitero meu ponto de vista: ele está ali por sua rede de relacionamentos e a capacidade de produzir conteúdo jornalístico que muitas vezes vai direto para páginas (off-line e on-line).

      abs

  4. Não são somente as agências que estão procurando os jornalistas. O inverso também acontece. Salário e condições de trabalho humanas estão contribuindo para esta migração dos jornalistas para as assessorias de imprensa, tanto que muitos se tornam donos destas.

    • Lucas,

      Você está querendo dizer que as condições de trabalho no jornalismo são desumanas? 😉
      abs

      • Lucas Santochi

        Alec,
        Dizer que não são humanas foi um pouco de ironia e também não se pode generalizar. Só acho que depois de um tempo, tem gente que se enche do ritmo frenético da profissão e do pouco reconhecimento e resolve apostar em outro nicho de mercado, onde, como você disse, nossa rede de relacionamentos e a habilidade de escrever também são úteis. No final, o que quis dizer é que os jornalistas também estão de olho nas oportunidades do outro lado, e cada vez mais cedo na carreira.

      • E tem de ser assim, Lucas.

        Ainda mais numa era, a da publicação pessoal, em que a apuração/difusão de notícias foi facilitada pela tecnologia e há uma série de oportunidades que infelizmente não haviam no meu tempo de foca. Fui obrigado a partir para uma redação. Ou era ali ou não era em lugar nenhum.

        abs

  5. Concordo em tudo com vc, Alec. E repito aqui o que eu disse uma vez em sala de aula: não conheci nenhum aluno de jornalismo que tivesse entrado na faculdade de JORNALISMO com o objetivo de se tornar AI.
    De qualquer forma, eu respeito, e muito, o trabalho dos AIs competentes _que não são muitos, e por isso mesmo merecem ser reconhecidos.

    • Carol,

      E vamos valorizar também os RPs, povo aqui fica horrorizado quando eu falo disso, e é a maior demonstração de preconceito. Respeito todo mundo que desempenha seu trabalho de forma profissional.

      bjs

      • Claro! Quando eu me refiro aos AIs, quero dizer assessor em geral. Não me importa se são formados em RP ou JOR.

  6. Ser de redação é necessariamente ser jornalista. Ser assessor de imprensa é necessariamente ser RP. Qual o problema com isso? Muito pelo contrário. Do ponto de vista da valorização, os RP-assessores têm ganhado até mais grana. Mas não há nada de jornalístico em trabalho de RP. Simples assim.

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