Arquivo do mês: junho 2010

CALA BOCA VEJA

Estou absolutamente chocado com a capa da Veja. Tenho repetido essa frase como mantra, desde ontem, quando vi uma foto de Galvão Bueno olhando para um passarinho na primeira página da revista.

Discutir a ascensão de uma micagem de internet nesse nível de relevância, num país em que pululam dossiês e a campanha eleitoral pega fogo antes mesmo de começar (sim, ainda é proibido fazer campanha, só a partir de 6 de julho está tudo liberado), soa como disparate.

Evidente que o CALA BOCA GALVÃO que nos acostumamos a ver no topo dos trending topics do site durante este Copa tem lá a sua marca de mobilização, mas por que então movimentos semelhantes (e bem mais importantes), como o ativismo global em torno do Irã quando da suposta reeleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad, não mereceram a mesma atenção da publicação?

A própria reportagem recorre aos protestos em Teerã para reforçar o poder do microblog _só que isso aconteceu há exatamente um ano e figurou com ainda mais destaque na linha de frente dos TTs do Twitter.

A conclusão é que o jornalismo no mainstream caminha celeremente para uma total absorção pela cobertura de celebridades, mesmo quando se trata de ecos até dignos de registro pela adesão, mas jamais nesse nível (capa mais sete páginas internas?). Estamos passando a imagem errada. Não, o microblog não é relevante. Sim, as pessoas querem mais é se divertir.

Para constar, no momento em que escrevo (22h33 de sábado), CALA A BOCA GALVÃO está fora dos trending topics mundiais da página.

Mas voltará, hoje tem jogo do Brasil.

É tudo tão previsível…

PS: o amigo Flavio Gomes também desabafou sobre o assunto, e de forma categórica.

PS1: e a matéria nem para alertar que o certo é “cala A boca”.

Tudo avança no jornalismo, menos o horário de fechamento

Outro dia, conversando com o colega Netto Gasparini (o homem que concebe o desenho e põe nas páginas nossas matérias da editoria Poder, da Folha de S.Paulo), fiquei sabendo que ganhamos mais uma etapa no processo industrial de confecção de um jornal diário: o fotolito (filme em negativo que reproduz páginas do jornal) não existe mais.

Agora, da paginadora a página viaja para a gráfica e se transforma diretamente na chapa que será aplicada à rotativa.

Pergunte se esse novo salto conquistado graças ao avanço tecnológico se reverteu em tempo a mais para o horário de fechamento, ou seja, a conclusão da edição diária. Claro que não!

Esse continua sendo o maior mistério do jornalismo impresso: com a alta tecnologia, ganhamos tempo precioso em diversos aspectos (da logística à distribuição, passando pela transmissão de notícias e fotos rua-redação etc.).

No entanto, desde que comecei na profissão, em 1990, o horário de fechamento só recuou _hoje, nos jornais nacionais, não passa de 21h, com direito a mais uma edição, quando se atualiza o noticiário, fechada por volta de 23h.

Saudades dos tempos em que fechávamos um único jornal à 0h.

Alguém explica?

Todo mundo produz conteúdo, uma crítica ácida

By André Dahmer, criador do Malvados, repassada por Leopoldo Godoy, que sempre colabora com o Webmanario.

Copa obriga regime fechado a travar contato com a imprensa livre

Um aspecto colateral (mas não menos importante) desta Copa do Mundo da África do Sul é a possibilidade de um regime fechado, caso da Coreia da Norte, travar contato com a imprensa livre.

Acostumados a declarações pasteurizadas e a pouco (ou nenhum) relacionamento com a imprensa, os coreanos são obrigados pela Fifa a ficar cara a cara com jornalistas pelo menos três vezes por semana nessa primeira etapa do Mundial.

Claro, os jogadores, certamente, estariam loucos para falar e, para eles, esses encontros são aguardados com ansiedade (embora, vigiados, não possam dar mais do que declarações padronizadas). Seus chefes, estes sim, é os que ficam de cabelo em pé.

Óbvio, roga-se que perguntas sobre Kim Jong-il, o ditador que comanda o país, sejam evitadas. O “Querido Líder”, afinal de contas, não pode ter o nome citado em vão…

A falta de noção em um pequeno anúncio publicitário

O post de hoje não tem nada a ver com novas mídias ou jornalismo, mas tudo com o velho e insuperável bom senso _que, por sinal, precisa permear nossa profissão sempre.

Senso que faltou ao genial cara que bolou esse pequeno anúncio de uma funerária de Belo Horizonte.

Obrigado ao diligente blog Estalo por mais essa graça alcançada…

Aplicação gráfica mostra assuntos mais comentados no Twitter durante os jogos da Copa

Simplesmente sensacional a aplicação gráfica que o The Guardian está oferecendo durante os jogos da Copa.

A ideia é simples: reunir os assuntos mais comentados no Twitter nos 90 minutos de cada partida, apresentados por meio de esferas que mudam de tamanho de acordo com a incidência do termo.

Produto muito bem sacado e que pode ser aproveitado em diversos casos.

Começa hoje a consulta pública que vai mudar a gestão de direitos autorais no Brasil

Com o objetivo de “harmonizar a proteção dos direitos dos autores e artistas, com o acesso do cidadão ao conhecimento e à cultura e a segurança jurídica dos investidores da área cultural”, começa hoje o processo de consulta pública para a revisão da controversa Lei 9.610/98, que regula os direitos autorais no Brasil.

A legislação brasileira, retrógrada, é uma das mais restritivas do mundo.

Desse debate sairão (espero) respostas para diversos gargalos sobre o tema, como digitalização de acervos, flexibilização dos direitos autorais e uma série de assuntos importantes para gerenciar o bom convívio, dentro ou fora da internet.

Vítima de dois atentados, jornalista hondurenha vai para o exílio

Depois de sofrer dois atentados em três meses (num dos quais morreu sua filha adolescente), a jornalista hondurenha Karol Cabrera pediu asilo político ao Canadá, para onde já embarcou.

Defensora do golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya há quase um ano, Karol comandava programas na TV e no rádio local.

Sete jornalistas já foram mortos em Honduras desde 1º de março deste ano. O governo diz que os assassinatos nada têm a ver com a atividade profissional das vítimas.

Jornal impõe restrições em perfis pessoais de seus profissionais na web

O Globo divulgou na quinta-feira o que chama de “Estatuto das Eleições 2010“.

No conjunto, são medidas absolutamente dentro do bom senso, como sugerir aos seus jornalistas que não usem “distintivos, camisetas ou qualquer peça de propaganda de candidatos”.

A peça de dez regras e alguns adendos, porém, faz marcação cerrada contra os perfis pessoais dos funcionários em sites como Twitter e Facebook, porque “na prática, qualquer conteúdo publicado nas redes sociais poderá ser associado à linha editorial do jornal”. É? Se for, é um erro de quem faz a associação.

As restrições vão além e versam até sobre prática do retweet e adição de “amigos”.

“No caso específico do uso de Twitter e/ou outros microblogs, fica vedado ao funcionário do GLOBO a prática de reenvio (“retweets”) de conteúdos publicados por partidos políticos ou candidatos. Também não será permitido usar o serviço para propagar links para sites (pessoais ou institucionais) que contenham propaganda político-partidária, ou que sejam tanto ofensivos quanto elogiosos a determinado candidato.

Se, por necessidade profissional, jornalistas precisarem adicionar candidatos ou partidos políticos como “amigos” em páginas do Facebook, Orkut e demais sites de relacionamento, devem fazê-lo de forma equilibrada, evitando restringir a prática a apenas um determinado candidato ou partido. As inclinações políticas de jornalistas do GLOBO não devem aparecer também em seus perfis pessoais nesses e em outros sites de relacionamento.”

Da forma que foi redigido, o estatuto invade um terreno perigoso _e indefensável.

Outras restrições, em outros veículos, certamente virão.

Uma coletiva, uma imagem

A reporter raises his hand to ask a question as U.S. Army Gen. Ray Odierno, Commander of U.S. Forces-Iraq, delivers an operational update on the state of affairs in Iraq during a press briefing at the Pentagon, June 4, 2010.  DOD photo by Cherie Cullen (released)

Belíssima imagem de um momento tão chato do jornalismo: uma entrevista coletiva…