CALA BOCA VEJA

Estou absolutamente chocado com a capa da Veja. Tenho repetido essa frase como mantra, desde ontem, quando vi uma foto de Galvão Bueno olhando para um passarinho na primeira página da revista.

Discutir a ascensão de uma micagem de internet nesse nível de relevância, num país em que pululam dossiês e a campanha eleitoral pega fogo antes mesmo de começar (sim, ainda é proibido fazer campanha, só a partir de 6 de julho está tudo liberado), soa como disparate.

Evidente que o CALA BOCA GALVÃO que nos acostumamos a ver no topo dos trending topics do site durante este Copa tem lá a sua marca de mobilização, mas por que então movimentos semelhantes (e bem mais importantes), como o ativismo global em torno do Irã quando da suposta reeleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad, não mereceram a mesma atenção da publicação?

A própria reportagem recorre aos protestos em Teerã para reforçar o poder do microblog _só que isso aconteceu há exatamente um ano e figurou com ainda mais destaque na linha de frente dos TTs do Twitter.

A conclusão é que o jornalismo no mainstream caminha celeremente para uma total absorção pela cobertura de celebridades, mesmo quando se trata de ecos até dignos de registro pela adesão, mas jamais nesse nível (capa mais sete páginas internas?). Estamos passando a imagem errada. Não, o microblog não é relevante. Sim, as pessoas querem mais é se divertir.

Para constar, no momento em que escrevo (22h33 de sábado), CALA A BOCA GALVÃO está fora dos trending topics mundiais da página.

Mas voltará, hoje tem jogo do Brasil.

É tudo tão previsível…

PS: o amigo Flavio Gomes também desabafou sobre o assunto, e de forma categórica.

PS1: e a matéria nem para alertar que o certo é “cala A boca”.

15 Respostas para “CALA BOCA VEJA

  1. Seu protesto não é silencioso, Alec. A deformação crítica das revistas e jornais brasileiros é obra do desleixo e do vislumbre das empresas com a tecnologia e a oferta de produto fútil e de rápido consumo. Vislumbramento esse que pode ser uma faca de dois gumes e que no caso da Veja se consumou num completo harakiri midiático.

    • Fábio,

      “Harakari midiático” é, definitivamente, uma ótima definição para o que aconteceu. Insisto que a mobilização anti-Galvão no microblog merecia um registro, talvez aquela meia página dedicada a Saramago _que poderia perfeitar ocupar as sete destinadas a essa bobagem.

      abs

  2. 7 paginas??? se é loco, comparando com a Carta Capital a Veja na minha opinião perde feio, olha a ultima capa da revista http://www.cartacapital.com.br/uploads/destaques/1276866612933.jpg

  3. Esta capa com mais 7 páginas internas, afirma a força do microblogging Twitter, com 140 caracteres, você pode elevar ou destruir uma indivíduo num tempo recorde.

    Vamos usar 140 caracteres para fazer o bem, divulgar causas nobres! Isso faz elevar a alma.

    • Dill,

      Pois é, já houve o uso para causa nobre (como ocorreu após a destruição do Haiti) e a revista não deu a mínima bola. Reverberar uma micagem é de uma tristeza sem fim…

      abs

  4. Alec, há muito tempo a Veja, e outras publicações semelhantes, pararam de se preocupar com a relevância social dos temas que cobrem. O importante é dar na capa algo que chame a atenção e impulsione as vendas. Ponto.

    Em casa a gente assina a Veja e a Época (por obrigação do mestrado do Wagner). A Época, mesmo sendo editada pelas “organizações globo”, dá de oito na Veja.

    Você acha mesmo que a morte do Saramago venderia mais?

    • Carol,

      Certamente Saramago não venderia mais, mas será que uma micagem de internet vale capa apenas por envolver o Galvão Bueno?

      bjs

  5. Essa capa da Veja podia ser de um desses pasquins que vemos nas bancas com manchetes popularescas e ridículas. Esses jornalecos que custam menos de R$ 1,00. De extremo mau gosto esta capa. Sensacionalista.

    O Galvão está pagando o pato sozinho. A Globo tenta transformar os direitos de transmissões que possui em “eventos da Globo”, como o “Jogos de verão” por exemplo. Muda os nomes das equipes, apaga em suas matérias esportivas os patrocinadores dos eventos e na narração do Galvão tentam aumentar artificialmente a audiência nos exageros de sua narração. Acho que o Galvão somente segue a linha editorial da Globo.

    Realmente Saramago merecia da Veja maior atenção.

    Os Blogs do Flávio Gomes são realmente ótimos.

    • Roberto,

      O Galvão é a cara do jornalismo esportivo da Globo, então ndada mais natural que seja a pessoa mais citada na hora de um eventual protesto.

      abs

  6. Mas quais capas da Veja não causam choque?
    A Veja há muito tempo é um veículo complicado, opinionista, evangelho de uma classe sem opção de informação e cultura.
    As capas da Veja são ótimas, sempre algo sobre saúde, sexo, modismos, e eventualmente algo político, mas sempre tendencioso.

  7. Mas o opinionismo da Veja não é muito homogêneo?
    Não existe “point – counter point” na Veja, o que a torna previsível. Tem comentarista da veja que funciona como algorítmo. Não acho que a Veja seja a fonte mais equilibrada de opiniões disponível.

    • Paulo,

      Por favor, a Veja está MUITO longe de ser “a fonte mais equilibrada de opiniões disponível”. As opiniões contidas ali são parciais e direcionadas, mas me interessam sob o ponto de vista de entender o que determinada parcela da população brasileira pensa.

      abs

  8. É que eu moro fora do país, e a Veja chega na biblioteca da universidade aqui. Faz 10 anos, e piora muito. A Veja me fez gostar do Hugo Chavez!

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