Pra não dizer que não falei da Campus Party

Pra não dizer que não falei da Campus Party (mais uma vez não fui, os únicos eventos desorganizados que ainda frequento _ainda que a dose tenha sido reduzida drasticamente_ são jogos de futebol), repasso a impressão que o El Pais teve ao participar de alguns debates no sábado.

Primeiro, que a performance de Alfredo Manevy, secretário-executivo do Ministério da Cultura, encantou os espanhóis. Claro: num momento em que a Espanha discute rígida regulamentação para troca de arquivos e direitos autorais, Manevy (chamado na matéria de “ministro interino com ar hippie”) equiparou a internet a serviços essenciais como água e luz e defendeu a cópia digital de obras como um antídoto para baixa tiragem de livros, edições esgotadas e a falta de hábito de frequentar bibliotecas.

“Com a internet essas pessoas poderiam conhecer a cultura. Incluímos, nos últimos anos, 40 milhões de pessoas na classe média. Não podemos traí-las fechando-lhe as portas. Este não é um país de 40 milhões de piratas, mas de gente que tem vontade de aprender”, disse Manevy na Campus Party deste ano.

Nesse campo, Laurence Lessig tem muito a dizer. Ele é um dos criadores do sistema creative commons, que tenta pacificar a relação entre autores e público, e acha que o Brasil é o país mais importante do mundo para o futuro da cultura digital _eu acho que China e Índia vêm antes.

Mas Lessing tem uma capivara gravíssima: defende que o jornalismo seja financiado com dinheiro público “porque cumpre uma finção social. Sem imprensa livre e com jornalistas formados é impossível entender a democracia”, discursou.

Imprensa livre financiada com dinheiro público? Jornalistas formados? Gente, do que esse cara está falando?

3 Respostas para “Pra não dizer que não falei da Campus Party

  1. Imprensa livre financiada com dinheiro público?
    Imprensa livre financiada com dinheiro privado?
    Imprensa livre é interesse público ou privado?

    • Filipe,

      É bem por aí. Na verdade, de certa forma o jornalismo já é financiado com dinheiro público, já que as três esferas de governo compõem um pedaço importante do bolo publicitário dos veículos. Qual é saída, então? Movimentos como o Spot.us, no qual o público financia as reportagens?

      abs

  2. A palestra do lessig foi extremamente motivadora. E jornalista, como ouvi na #cparty, deve ser livre como um taxi… 😉

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