Texto grande ou pequeno, um dilema jornalístico

Eu gosto da discussão sobre o tamanho das matérias, seja no jornalismo impresso, seja no on-line. A verdade é que não há um padrão. O que é muito grande? O que é adequado?

Não se pode afirmar categoricamente que textos muito longos não são lidos na web _há a questão física, de que ler numa tela costuma levar 20% a mais de tempo, além de outros estudos do mestre da usabilidade, Jakob Nielsen.

Mas há também a impressão do conteúdo da tela em papel, o que a grosso modo equipara as coisas.

Pensando no papel, por que diabos textos longos não caberiam nele? Não estamos justamente clamando por textos melhores, mais analíticos e contextualizados, o que a rigor supõe mais centimetragen?

Ao mesmo tempo, o leitor de jornal, o cara que ainda recebe um produto do tipo em casa, será que ele quer se informar rapidamente? Fosse isso, um jornal feito ontem seria o último lugar indicado, não?

Enfim, é um pouco a síndrome de Tostines.

A ótima revista The Atlantic deste mês analisa o problema sugerindo que se cortem os textos _mas baseada numa análise de reportagens que abusam do nariz de cera e da paciência do leitor.

Eterna discussão.

6 Respostas para “Texto grande ou pequeno, um dilema jornalístico

  1. Queria que dos meus professores dos tempos de academia, a maioria tivessem o senso crítico e analítico do colega jornalista, autor deste blog. Abraço.

  2. Pode ser um pouco chute meu, tipo desses videntes fazendo previsões para o ano novo, mas eu acho que o caminho a ser seguido pelo impresso nos próximos anos deveria ser de textos mais caprichados, analíticos e extensos – talvez até regressando aos tempos literários, sei lá. Ao meu ver, esse é o grande diferencial das revistas.

    Mesmo que nem todo mundo use o online para se atualizar, acho que é retrógrado pensar que o jornal é sempre o meio que vai trazer em primeira mão as notícias mais atuais. Pelo pouco que conheço, muitas redações ainda cultivam esse pensamento, mesmo que sublinarmente. Pra mim, o bom repórter “fura” em qualquer meio.

    • Fabio,

      Exatamente, eu também tenho essa visão. O furo hoje é de todos, de um blog pessoal ou do Jornal Nacional. E informação rápida, evidente, está na web. Resta aos jornais oferecer um produto diferente, para um público específico que, como eu, não passa um dia sem pegar nas mãos ao menos um jornal. O destino do jornal é o debate mais fascinante provocado pelo avanço tecnológico.

      abs

  3. Profe. Alec,
    Você é sempre tão perspicaz nas suas observações. A expressão “Síndrome de Tostines” é perfeita!
    []s.

    • Carla,

      Hahahahah, eu sou antigo, uso essa expressão tem algum tempo… é boa, né? Mostra meio que o moto-perpétuo, aquela coisa indecifrável e ao mesmo tempo cíclica… enfim, obrigado pela visita!

      bjs

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