Compram-se jornalistas

“¿Qué totalitarismo?, ¿qué autoritario?, ¿qué dictador? Por favor compañera de Unitel [canal de TV da Bolívia], usted cambie ese discurso de su jefe de prensa, de sus dueños, y si le someten mejor renuncie, véngase a trabajar acá yo te respeto mucho”.

Foi assim que Evo Morales, o presidente boliviano, respondeu a uma pergunta, numa entrevista coletiva, sobre as constantes declarações da (escassa) oposição no país de que ele, o mandatário, está construindo um regime totalitário.

A reação foi lida pela Associação Nacional de Imprensa local como uma ameaça, ou pior, como uma insinuação de que há empregos públicos disponíveis para jornalistas que decidam se rebelar contra seus patrões.

Inacreditável o ponto a que chegamos.

Tirando o aspecto do ineditismo e a importância da ascensão de representantes do povo a cargos relevantes, nunca morri de amores por Evo Morales.

Mas tem gente que aplaude esse tipo de comportamento nada afeito à conversação e à autocrítica. Jornalistas, inclusive. Principalmente aqueles que rotulam de “vendidos” os colegas que trabalham nos grandes grupos de mídia.

Como se os que trabalham advogando por um ídolo não tivessem sido comprados. Estes, sim, tiveram toda a consciência estuprada.

Aliás, dica de emprego pra quem não enxerga o próprio rabo: Evo Morales está contratando jornalistas, que tal bater à porta em La Paz?

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