Duas coisas realmente novas no webjornalismo nacional

A home page da ESPN Brasil: a busca é a rainha

A home page da ESPN Brasil: a busca é a rainha

Tenho falado isso reiteradamente em aulas, palestras e eventos, mas só agora me dei conta de que nunca publiquei aqui: duas experiências ótimas que estão em curso em sites brasileiros e que, verdadeiramente, representam um oásis na paisagem de mesmice das páginas noticiosas da web nacional.

Foi minha colega Daniela Bertocchi quem me chamou a atenção, há meses, para essas “inovações” _as aspas se justificam porque não são grandes descobertas, mas em se tratando de Brasil, são boas iniciativas.

São duas home pages. A primeira, da ESPN Brasil, que conseguiu se livrar da amarra da página inicial manchetada e cheia de texto e, valorizando acima de tudo a busca _que é a forma como as pessoas navegam na internet, se você ainda não percebeu isso_, apresenta um visual limpo e, ao mesmo tempo, bastante gráfico (as chamadas são fotos, repare).

A outra coisa bacana, e que já está no ar há tempos, é a capa do caderno Link, de O Estado de S.Paulo, que destaca antes de qualquer outra notícia uma nuvem de tags _aqui questiono apenas a escolha das palavras-chave, uma das atribuições do jornalista atual, que poderia ser mais refinada.

Estes dois assuntos estiveram na pauta da visita que fiz, nesta semana, aos alunos do sexto semestre da PUC de Campinas, a convite do “duplo colega” (como ele bem próprio definiu) Edson Rossi, o professor da turma e comandante do Boeing chamado portal Terra.

Na visita, aconteceram algumas coisas extraordinárias.

Pela primeira vez fui confrontado, pelos estudantes, com textos que escrevi aqui no Webmanario. Isso deu um outro caminho à discussão que, como sempre, tratava da importância da conversação com o público para a manutenção de um jornalismo moderno e saudável.

Houve diálogo e troca de impressões e insights _exatamente como eu, e tanta gente, sugere ao ainda arrogante e retrógrado jornalismo profissional praticado hoje.

A conversa começou justamente exibindo a imagem de um ferido nos atentados de Madrid-2004 (como você pode conferir nos slides do papo) checando seu celular, a plataforma do presente (e do futuro) para quem, como a gente, trabalha com distribuição de conteúdo.

Falamos da crise dos jornais e de Alan Mutter, que detectou a “quebra” da circulação dos jornais quando a penetração de banda larga residencial num país atinge 30%, um assunto em que os alunos de Rossi mostraram estar bastante bem informados.

Foi mais uma chance incrível de trocar experiências.

Espero voltar em breve a Campinas e ao agradável campus da PUC.

A home do Link, canal (e caderno impresso) de tecnologia do Estadão: bom exemplo de navegação temática e comandada pelo público

A home do Link, canal (e caderno impresso) de tecnologia do Estadão: bom exemplo de navegação temática e comandada pelo público

4 Respostas para “Duas coisas realmente novas no webjornalismo nacional

  1. Acho que é uma tendência os portais entenderem que o “grende rei” da internet é o usuário e não um grande meio de comunicação.

    Servi-lo assim como um garçom pode ser uma ótima ideia.

    • Roger,

      eu acredito muito nisso, mas não enxergo (infelizmente) uma tendência. Ao contrário, o que tenho visto nos sites nacionais é uma boa pitada de mais do mesmo _o caso R7, na verdade um G2, é emblemático. Quase sempre jogam-se fora as chances de ousar e fazer algo diferente.

      abs

  2. Acredito que a imprensa portuguesa assimila as tendências com bem mais desenvoltura que a brasileira.

    O editores-chefe do Público e do Expresso possuem twitter e dialogam com os leitores diariamente.

    O http://www.ionline.pt/ possui conta em várias redes sociais e a home page deles podia servir de exemplo para os jornais brasileiros.

    A home da FSP, o mais jornal do País, é pavorosa.

    Abraço,

    • Ilo,

      Belíssima lembrança. Não resta dúvida que Portugal está muito mais na vanguarda do que o Brasil no aspecto tecnológico associado ao jornalismo. A home que você cita, por exemplo, é anos-luz melhor que as principais do país. E concordo em relação à sua crítica.

      abs

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