E se a gente mudasse o cardápio noticioso dos jornais?

“Temos de partir de uma situação em que tentamos fazer o melhor trabalho cobrindo as mesmas notícias que todo mundo para outra em que trazemos a nossas audiências notícias que não havia ninguém cobrindo”.

A frase é do presidente da rede de TV norte-americana ABC, David Westin, e faz muito sentido. Por que ainda não se discutiu, no jornalismo, uma mudança de cardápio noticioso.

No máximo, temos batido na tecla, no caso dos produtos impressos, da necessidade de se relativizar o “aconteceu ontem”, divulgado fartamente pela web, para investir em conteúdo analítico e opinativo.

E a coragem para se fazer isso?

Westin avança na conversa com um ótimo ingrediente: e se procurássemos outra categoria de notícias, fazendo uma mudança profunda na agenda das editorias e, ao mesmo tempo, valorizando o exclusivo?

Não estou falando aqui de matar o hard news, por favor. Ele nunca morrerá. Mas pode perfeitamente ocupar bem menos espaço num jornal do futuro.

Equilibrar o que obrigatoriamente deve ser noticiado e incluir players novos me parece um excelente novo caminho para o produto impresso.

6 Respostas para “E se a gente mudasse o cardápio noticioso dos jornais?

  1. Desde que comecei a estudar jornalismo penso que se fazem necessárias mudanças urgentes nesse campo, pode ser um caminho a nova forma proposta acima. Lógico que algumas notícias essenciais não podem deixar de fazer parte de um jornal que se preze, mas noticiar aquilo que ninguém vê e os meios que vêem não divulgam seria um grande salto.

    • Laura,

      É uma decisão difícil de ser tomada, mas cujo timing para tomá-la já está passando. Sem contar que também pode ser entendida como presunção: como assim, que notícias as pessoas gostariam de ver, então? Eu acho que a conversação e o diálogo entre jornalismo profissional e cidadãos é o único caminho para a gente descobrir isso.

      abs

  2. Oportuna reflexão, Alec.
    Parece que o jornalismo colaborativo começou a provocar estas mudanças quando abriu espaço para o cidadão transformar o próprio cotidiano em notícia.
    Mesmo assim, alguns noticiários colaborativos seguiram adotando os mesmos valores-notícia que os players de hard news. E isso é completamente equivocado, incoerente.
    Mexer nos critérios jornalísticos é um grande desafio cultural.

    • Ana,

      Também notei essa apropriação, pelo cidadão e pelos espaços colaborativos, do valor-notícia do mainstream. Mas essa era justamente uma das críticas que eu fazia ao Ohmynews quando “adestrava” cidadãos a se comportar como repórteres. Perdeu-se também muito da espontaneidade da colaboração. Agora, nos jornais essa mudança cultural é hercúlea. Incrível, mas não acredito que será feita pela minha geração.

      bjs

  3. Acho que o Correio Braziliense tem feito isso.

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