Passaralhos vitimam mais editores e redatores, não repórteres

Carlos d’Andrea destacou, em seu bom artigo “Collaboration, Editing, Transparency” [PDF, 155k] na última edição da Brazilian Journalism Review, uma matéria de Carl Stepp publicada em abril pelo American Journalism Review.

Stepp detectou que as principais vítimas dos passaralhos nas redações americanas são editores e redatores, não repórteres.

É falsa, portanto, a premissa de que a redução de custos na imprensa dos EUA teria relação direta com a diminuição do número de repórteres _que muita gente considera a peça mais importante da engrenagem jornalística_ na imprensa em geral.

Essa observação corrobora outra percepção, esta no jornalismo on-line, de que a cada dia diminuem as etapas entre a concepção do texto e o leitor. Na web, o repórter já possui hoje uma autonomia que o permite publicar, diretamente e sem filtros, um texto num site.

Ou melhor: atesta que repórteres estão assumindo funções cada vez mais relevantes no fechamento.

Como manter (ou subir, nosso desafio é subir) a qualidade assim?

3 Respostas para “Passaralhos vitimam mais editores e redatores, não repórteres

  1. Olá, Alec,você foi num ponto central do artigo: o enxugamento das redações e, principalmente, o esvaziamentos das rotinas são um desafio central do jornalismo hoje. Fiquei curioso em saber sua opinião sobre a wikificação…
    Valeu pela referência 😉
    Abs
    Carlos

    • Carlos, seu artigo é uma ótima ocasião para se debater a wikificação. Desde o trabalho de Bradshaw venho acompanhando bem de perto as movimentações em torno dessa, podemos dizer ainda, né, novidade.

      Acho que o jornalismo on-line demorou para testar a execução de “matérias abertas”, como diz o Pedro Doria. Vejo a wikificação, num primeiro passo, como semiaberta, ou seja, editável apenas por jornalistas profissionais de uma determinada redação. É muito mais lógico ter conteúdo que vai se expandindo e atualizando em si mesmo em vez de longas contextualizações em reportagens subsequentes.

      Num segundo momento, as matérias abertas poderiam ter mediação profissional, num sistema parecido com a própria Wikipedia, de reversão rápida de conteúdo impróprio. O público ainda não está maduro o suficiente para administrar conteúdo jornalístico profissional sem moderação de gatekeepers. Em 2005, o Los Angeles Times se apressou ao criar os “Wikitorials” e depois, vandalizado, teve de recuar e tirar a iniciativa do ar.

      Enquanto isso, o jornalismo cidadão, aquele feito sem jornalistas profissionais _veja que, como Bruns, o diferencio do participativo/colaborativo, quando de fato há participação ou colaboração num processo, ou seja, convivência pro-am dentro de uma estrutura profissional_ continuará aportando seu valor como relato na era da publicação pessoal.

      Vamos continuar o debate,

      abs

  2. Oi, Alec, fico feliz em saber que compartilhamos as mesmas idéias…

    No caso do Wikitorial do LATimes, acho que houve um erro estratégico na escolha do tema: começar um wiki sobre Guerra do Iraque é tacar um caminhão de lenha na fogueira!

    Um dos grandes desafios da wikificação mais aberta é justamente o engajamento do público, fator que é preponderante para o sucesso da Wikipédia.

    Acho inviável, neste momento pelo menos, pensar uma wikificação de caráter jornalístico totalmente aberta. Nem o Wikinews é assim, é bom que se diga.

    No artigo, procurei ser bem ponderado – o Bradshaw assume uma postura mais ousada, talvez adequada à realidade do Reino Unido.

    De todo modo, não entendo porque nenhuma redação jornalística experimentou a wikificação pra valer.

    abs
    Carlos

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