Não, a culpa não é da internet

Interessante a teoria de Jeff Sonderman, para quem as notícias sempre foram de graça. Ou seja: a culpa pela crise dos jornais não é da Internet e seu modelo de distribuição gratuita de informação.

De fato, todos os registros sobre circulação de jornais nos Estados Unidos mostram uma tendência de declínio nas tiragens já na década de 80, antes mesmo da chegada da internet (até então um recurso apenas militar e acadêmico) ao circuito comercial.

O debate voltou à tona após o magnata Rupert Murdoch anunciar que, “em meses”, seus jornais vão cobrar por notícias distribuídas on-line, o que na visão de Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York e um dos principais estudiosos sobre o futuro do jornalismo, “abre as portas” para a concorrência.

Para Jarvis, cobrar por conteúdo é um tiro no pé porque onera as empresas em custos de marketing e serviços de suporte ao assinante, além de potencialmente reduzir sua audiência _e, consequentemente, valor e volume de seus anúncios.

Para piorar, o paredão da notícia paga exclui seu material das máquinas de busca e também da linkagem externa, outro potencial anabolizante de tráfego.

A história da economia dos jornais nos conta que, efetivamente, o produto era pouco popular até 1830, quando houve o advento do que ficou conhecido como “penny press” (tabloides muito baratos que custavam “uma moeda”).

Com o preço baixo, os jornais atingiram mais e mais leitores. A situação imediatamente atraiu um leque variado de anunciantes. E foi deles que veio a verba que cobriria, pelos séculos seguintes, os principais custos de um produto desta natureza  (equipe, instalações, impressão e distribuição).

Neste cenário, as assinaturas foram capazes de dar conta apenas dos custos marginais de todo o processo. Em resumo: se o dono de um jornal quisesse compensar isso aumentando o valor da subscrição, imediatamente afugentaria leitores.

É basicamente o debate que está acontecendo agora no jornalismo on-line. Como não conseguem fazer dinheiro com anúncios, os donos de jornais decidiram carregar a mão no valor da assinatura.

Funcionará? Já sabemos de antemão que não.

5 Respostas para “Não, a culpa não é da internet

  1. Só tem um detalhe nessa história, o declínio dos jornais é irreal, pois o cálculo é baseado pela fórmula número de habitantes x circulação de jornais. Obviamente que o resultado sempre será a queda dos jornais, antes mesmo da década de 80.

    • Yuri,

      Eu me refiro a dados que tratam exclusivamente da circulação dos jornais, ou seja, da quantidade de exemplares que eles tiram diariamente. Desconheço estatísticas que relacionem circulação e população.

      O Pew Research, por exemplo, aponta que 1989 pode ser classificado como o primeiro ano do início do declínio, anterior à web, portanto, conforme este gráfico.

      abs

  2. Acho a idéia interessante, o caminho é descobrir quem é o leitor fiel, e mesmo que se tenham menos clientes o importante é que os poucos que sobrem sejam fidelizados.
    Não sei mas tenho a impressão que podem existir pequenas redações, o importante é conseguir cobrir seus gastos. Conteúdos mais exclusivos e setorizados, o público decide. Estou certo?

  3. Pingback: Sim, a culpa é toda da internet « Webmanario

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