Arquivo do mês: julho 2009

Aparição de ovni em noticiário ao vivo de TV completa dez anos

Os mexicanos festejam os dez anos daquela que, consideram os ufólogos, é a única transmissão ao vivo de que se tem notícia de uma “aparição” de um objeto voador não identificado.

Foi durante um noticiário da tv mexicana Info7, que transmitia imagens do céu para “cobrir” as informações sobre o tempo na cidade de Monterrey. Era 7 de julho de 1999.

O apresentador do programa, Luis Padua, relembra como foi a histórica transmissão.

Analisada sob lupa durante anos a fio, a imagem não teria revelado indícios de manipulação.

E se o homem chegasse hoje à Lua?

A Slate, um produto bem representativo da era da web (a revista de atualidades e cultura foi criada em 1996 e sempre teve como mérito cobrir as tendências da vida em rede), produziu um vídeo bem divertido sobre como teria sido a repercussão (especialmente na internet) caso o homem tivesse chegado apenas hoje, não há 40 anos, à Lua.

Imagine, claro, o Twitter “baleiando”, Youtube e Flickr forrado de imagens e até manchete no Huffington Post (o site/blog de Arianna Huffington que é outro exemplo emblemático da era da conversação e troca de informações via computador).

A ficção não está muito distante da realidade. Basta lembrar a morte de Michael Jackson, um acontecimento com alcance global como seria a conquista da Lua hoje.

(via Tiago Dória)

‘Jornalismo é mais do que disseminar notícias, é compartilhar percepções’

Clay Shirky aborda neste artigo a incerteza sobre o futuro do jornalismo. São dois os pontos mais perturbadores: a mudança radical do comportamento do consumidor e o financiamento da atividade jornalística (que hoje persiste, em sua maioria, em fracassados modelos dos séculos passados).

“Jornalismo é mais do que disseminar notícias. É compartilhar percepções”.

Shirky discorre sobre o papel (fundamental) da internet nesse processo e arremata com uma comparação talvez ainda mais dura que a metáfora do cozinheiro à qual recorreu o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, na histórica votação que derrubou a exigência do diploma em jornalismo para o exercício da profissão.

“Jornalismo é como dirigir um carro. Não é uma profissão: nenhum certificado ou especialização é necessária para praticá-lo”.

Entendendo o ‘RT’: a distribuição de notícias nas redes sociais

O uso informacional das redes sociais (que a mídia parece ter descoberto só agora, e só com o Twitter, depois que foi atropelada e “furada” por personagens do noticiário) é um dos aspectos mais importantes de mudanças no exercício do jornalismo precipitadas pelo avanço tecnológico.

Raquel Recuero, pesquisadora brasileira mais plugada nessas modificações, traça uma ótima relação de hipóteses sobre a propagação de informação via sites desde Orkut/Facebook até o próprio messenger, sistema limitado porém eficiente de distribuição de informação.

Para jornalistas e empresas jornalísticas pensarem um pouco mais sobre a qualidade de sua atuação on-line.

Lembrando, como eu digo sempre, que uma coisa é presença, outra é atuação. Não basta criar perfis (muito menos alimentados por feeds), há que se gerenciar comunidades.

A morte do primeiro âncora

Foi com lágrimas nos olhos _e tirando brevemente os óculos de espessa e inconfundível armação preta_ que Walter Cronkite deu uma das notícias mais impactantes da história da humanidade: o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963.

Atrás da bancada do principal noticiário da rede de TV norte-americana CBS por mais de três décadas, ele se tornaria “o homem mais confiável da América”, além de ter transformado a função de reles apresentador. Cronkite foi um influente analista do noticiário no qual as pessoas tinham confiança absoluta.

E ainda por cima, como um anfitrião de luxo, conduzia o público com maestria a um passeio diário pel noticiário.

Foi o primeiro âncora de que se tem notícia não apenas na acepção do termo (criado para ele no final dos 50). Era o comandante do noticiário da CBS, que se tornou o programa jornalístico de maior audiência nos Estados Unidos enquanto teve ele como principal estrela.

Cronkite morreu no final da noite desta sexta-feira, aos 92 anos. Sua morte provocou uma corrida à internet e obrigou a Wikipedia a bloquear atualizações no verbete do jornalista, uma verdadeira lenda.

Se você trabalha em televisão (ou pretende fazê-lo) e não conhece a trajetória de Cronkite, trate de preencher com urgência essa lacuna.

Le Monde desvenda o palácio da inovação do NYT

O Le Monde conheceu por dentro o NYT Lab, onde desde 2006 um grupo de jovens testa e desenvolve novidades que possam ser usadas na entrega do produto jornal para um público cada vez mais qualificado e dotado de recursos tecnológicos.

O jornalão francês conta, por exemplo, que são 25 mil os assinantes (por US$ 13,99 mensais) da versão do NYT para o Kindle, o leitor digital criado pela Amazon.

Michael Zimbalist, diretor do NYT Lab, diz que hoje não há um único jornalista do Times que trabalhe apenas para a versão impressa do periódico. É uma informação que eu não posso confirmar, mas que se for verdadeira é fantástica.

Se você quiser conhecer novidades que ainda estão testadas e desenvolvidas pelo laboratório de última geração, fique atento à tag “protótipos” do blog do lab.

(via Ramón Salaverría)

O dever de proteger a fonte

Esse é um dado bacana que o Columbia Journalism Review revelou: desde 2001, na gestão de Robert Muller, o FBI já investigou (sem processar ninguém) 85 casos nos quais a acusação era “crime report”, ou seja, a revelação de dados confidenciais para veículos de imprensa _nesta conta entrou apenas a mídia formal, e em geral os “infratores” eram funcionários públicos.

Há ainda outros 21 casos em andamento.

Na maior parte das vezes, há pressões sobre os jornais para que divulguem suas fontes (quem teria, sob a luz da lei americana, cometido algum tipo de delito). É um dever nosso proteger essas pessoas.

Por ora, a imprensa resiste. Veremos até quando.

O golaço do portal do Estadão

É impossível deixar de registrar a estreia de Pedro Dória como editor-chefe de conteúdos digitais de O Estado de S.Paulo.

É uma notícia importante: Dória entende tanto de jornalismo quanto compreende e estuda a web. No texto em que anunciou o acerto com o jornal, na semana passada, disse tudo. “Continuo convicto de que a Internet é uma conversa com múltiplas vozes. O objetivo é participar ativamente deste diálogo.”

Com mais jornalistas que defendam essa bandeira em postos estratégicos, certamente as ferramentas on-line serão usadas plenamente pelos jornais, o que infelizmente ainda não acontece.

Muita sorte a ele.

Vende-se revistão lido por 5 milhões de pessoas

Há uma revista à venda. E uma revista de certa fama: A Business Week, que declara possuir quase 5 milhões de leitores em 140 países (e 30% menos de faturamento publicitário no segundo trimestre deste ano em relação ao anterior).

É drástico que nem mesmo um veículo que trabalha com informação econômica (a única pela qual o usuário de internet está realmente disposto a pagar) não tenha habilidade de equilibrar suas contas com uma carteira eficiente de clientes on-line, já que no papel as coisas vão tão mal.

Alguém se habilita?

(via Roy Greenslade)

A pergunta errada do jornal certo

Jason Preston, no sempre bacana Eat Sleep Publish, nos conta de uma pesquisa do New York Times com seus assinantes da edição impressa na qual pergunta, entre outras coisas, “que tal pagar US$ 2,50 mensais pelo acesso ilimitado ao site do jornal?”.

Peralá, mas o assinante da edição impressa já tem acesso ilimitado ao site. Que história é essa?

Notem que a insanidade do conteúdo pago voltou com tanta força que propostas estúpidas passaram a ser feitas como se o consumidor de notícias fosse um tolo qualquer.

É mais um exemplo de desespero de quem não consegue se vender como produto viável em plataforma alguma.