O desespero com a perda do monopólio

É incrível a incapacidade de algumas pessoas compreenderem a evolução da conversação com o avanço tecnológico.

Ontem via um programa esportivo na Bandeirantes (sim, eu sou da antiga) que passou todo um trecho discutindo a comunicação pública do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre o desacordo com o técnico Muricy Ramalho.

O não negócio foi publicado via microblog (no Twitter, mais especificamente) na madrugada de sexta-feira _aliás, Belluzzo (que segue Britney Spears, isso é mais grave) promete anunciar o nome do novo técnico na própria ferramenta.

Vai daí que o entendimento do povo da Band é que o economista-dirigente fez “uma molecagem”. “Twitter é coisa de criança, meu fillho adolscente me perguntou hoje cedo se eu queria ter uma conta no site”, afirmou um jornalista (sei quem é, mas não vale a pena notibilizá-lo).

Quer dizer que mais uma vez está se discutindo o mensageiro, não a mensagem?

O ambiente de comunicação mudou, a imprensa deixou de ser o filtro universal entre os acontecimentos e o público, e jornalistas do mainstream insistem em ignorar isso?

Que diferença faz, sinceramente, se um anúncio oficial é feito via microblog ou entrevista coletiva? Eu explico: é que ele foi feito para todos, ao mesmo tempo, não apenas para um grupo seleto que se acostumou a monopolizar as informação.

Meu deus, está cheio de gente que simplesmente não quer enxergar. Jornalistas, não acordaram ainda, é?

15 Respostas para “O desespero com a perda do monopólio

  1. Coitado do filho desse sujeito, ser esculhambado assim na televisão.

  2. Eu assisite ontem o ‘Jogo Aberto’ (sim, também sou das antigas apesar de ter 20 anos) e vi a discussão lamentável no programa.

    Concordo com tudo que você disse e acho uma lástima que alguns jornalistas ainda não acreditem no potencial incrível da internet.

    Realmente, o grupo seleto (ansioso para um furo jornalístico) se acostumou a monopolizar as informações e não dividó-las com ninguém.

    Acredito que o motivo dessa raiva toda seja exatamente essa: o furo. Ávidos por dar a notícia primeiro, eles se sentiram “emocionalmente afetados” por perder para uma ferramenta do computador.

    Pobres mortais, só lamento que eles fiquem parados no tempo. Quem perde com jornalistas arcaicos é sempre a sociedade!

    • Ariane,

      se você, como eu, viu, sabe exatamente que triste que foi… Todos esses caras que se recusam a compartilhar informações vão parar, um por um, na lata de lixo da profissão.

      abs

  3. Caro Alec,
    Sou favorável à educação, aos centros acadêmicos. A comunicação é mais importante do que tudo. Com ou sem diploma. E toda comunicação é fundamental, dos primórdios ao twitter. O que sinto é um desestímulo em relação ao conhecimento, à informação que, muitas vezes, as faculdades e universidades proporcionam – claro que se pode ter isto fora delas também! O interesse em “desobrigar diplomas” – agora dos jornalistas, amanhã de outras profissões – me faz pensar a quem interessa isto: aos que sempre foram detentores do poder, da informação, do conhecimento? Ouço jovens desistindo das faculdades de comunicação alegando que “é um curso sem utilidade, sem diploma”. No meu entender, deveria estar em discussão o tipo e a qualidade da informação, seja ela transmitida na TV ou no twitter, produzida por jornalistas com ou sem diploma: mais, por ‘Comunicadores’. Chacrinha foi um tremendo de um comunicador, a seu tempo e de seu jeito. Confesso que não sei se teve diploma de alguma coisa ou não. Mas pesquisou, estudou e era bem informado. Afinal: “Quem não se comunica, se trumbica!”.
    Abraços,
    Rick Berlitz

    • Berlitz, é importante o aspecto que vc toca. A universidade, no caso específico do jornalismo, certamente irá mudar radicalmente nos próximos anos. Espero que levando em consideração os ensinamentos de Chacrinha, esse sim um dos maiores comunicadores de que tenho notícia.

      abs

  4. Luiz Gonzaga Belluzzo é o cara.

    • Lüdtke,

      O Belluzzo é bom sim, mas um viva também pra sua equipe de comunicação, a Líbero, capitaneada por Helder Bertazzi, uma das maiores autoridades e um dos pioneiros do jornalismo on-line brasileiro.

      abs

  5. Pois esses dias escutei algo assim após o Luxemburgo anunciar via twitter sua demissão: Pô, agora a gente vai ter que ficar ligada nessa coisa.
    Tiveram que assumir que “essa coisa” não é briquedinho, passatempo pra matar o trabalho (até pode ser usado para, mas…).

  6. Muito bom o texto. Os jornalistas do mainstream parecem a nobreza que ainda achava chique ser nobre quando isso já não valia mais nada.

    • Igor,

      É exatamente isso. É a tomada da Bastilha, o povo tá no salão de festas do palácio já e a realeza achando que ainda está por cima da carne seca. Absurdo. Vamos ver até quando dura.

      abs

  7. Curti, escrevi algo a respeito e linkei.
    Abração

  8. Deve ser mesmo medo da perda do monopólio, mas acho que ainda demora para Twitter e similares tomarem o lugar das coletivas. Além de muita gente não ter idéia de o que é ou como funciona, em algumas empresas é proibido o acesso ao site.

    • Murdock,

      Esse problema está sendo superado aos poucos. Os veículos de comunicação já perceberam a importância de transitar nessa plataformas.

      abs

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