Juiz decide que imprensa não pode entrar onde o público em geral é barrado

Na linha do cerceamento ao trabalho de jornalistas que tem permeado as discussões aqui no Webmanario nos últimos três dias, não dá para deixar passar a decisão de um juiz federal nos Estados Unidos.

Julgando a demanda de um fotógrafo que disse ter sido impedido pela polícia de fotografar um acidente numa estrada (e que alegou ter a proteção da Primeira Emenda), Charles Breyer decidiu que a mídia não tem o direito de estar numa cena de crime ou acidente se o público em geral é excluída dela.

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“Não há, na legislação, nenhuma evidência de que o público em geral tem o direito de sair de seus carros numa rodovia e, nela, começar a tirar fotos. Mais: reza o bom senso que o público não pode abandonar seus carros no meio de uma rodovia para ver um acidente”, escreveu o juiz.

É uma decisão e tanto, que poderá impor uma série de dificuldades futuras para o exercício da já combalida profissão, que resguardava como um de seus últimos bastiões a legitimidade para penetrar onde o “público em geral” não tem o direito.

E agora, nem isso?

5 Respostas para “Juiz decide que imprensa não pode entrar onde o público em geral é barrado

  1. Wellington Campos

    Bom dia, Alec.

    Curioso, hein! Entendo perfeitamente que o “público em geral” não possa descer de seus carros e começar a tirar fotos em uma cena de crime. O mesmo “público em geral” também não pode entrar num hospital e sair diagnosticando, ao dito “público em geral” também não é permitido proferir decisões judiciais, projetar prédios, lecionar ou exercer qualquer função regulada.

    A cada atividade, sua particularidade. Aos jornalistas, a chancela de estar em lugares em que eu, “público em geral”, não posso estar, para assim nos trazerem as informações relevantes, honestamente apuradas.

    Um abraço.

    • Wellington,

      Interessante o seu ponto de vista. Como o avanço tecnológico dotou o “público em geral” com os mesmos dispositivos usados pelos jornalistas (e deu uma imprensa para cada um), a decisão judicial nos EUA é curiosa pq abalaria o último bastião do jornalismo profissional, que é a legitimação e a proximidade com os acontecimentos (que o público em geral só dispõe quando é, efetivamente, testemunha ocular ou participante de uma história).

      Vou acompanhar o assunto, sues desdobramentos, e voltarei a ele mais para a frente.

      abs

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  4. E público por que juiz não ter q filme até parece que eles usam os hospitais. Isso é falta de vergonha não cara querem ver a verdade .simplesmente

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