Pagar por informação exclusiva é falta de ética?

Pagar para conseguir informação privilegiada é falta de ética?

É exatamente essa a discussão que está acontecendo agora na Grã-Bretanha, à raiz do escândalo dos gastos dos deputados da Câmara dos Comuns (como num determinado país que a gente conhece, eles tinham despesas pessoais cobertas pelo erário).

Ocorre que existe a certeza de que o Telegraph, jornalão conservador de Londres, pagou para conseguir os CDs que continham os dados comprometedores. Mais: o veículo sabia, ainda, que a informação havia sido surrupiada por um funcionário do Parlamento, ou seja, era produto de roubo.

A Scotland Yard, polícia inglesa, se recusou a investigar a procedência da informação usando a mesma justificativa dada pelo jornal (“trata-se de atuação em prol do interesse público”).

É verdade, mas fazer jornal não corresponde a uma luta de vale-tudo. Pelo contrário: quem cobra ética tem de praticá-la cotidianamente.

Na Espanha, conta o El Pais em extensa reportagem sobre o tema, é comum pagar por fotos de filhos recém-nascidos de estrelas de TV ou cobertura de casamento de celebridades. É exatamente o que ocorre no Brasil, onde revistas como Contigo e Caras enchem os bolsos de suas fontes em busca de “exclusividade”.

Porém (e é assim no Brasil também) a imprensa dita “de credibilidade” evita recorrer ao expediente. Nos EUA também é assim. Tanto que, quando pagam, os meios mais tradicionais fazem o possível para esconder _caso recente da CNN, que após várias negativas admitiu ter desembolsado US$ 22 mil por um vídeo da Al-Qaeda (mas acredita-se que tenha sido muito mais).

 Se uma emissora de TV quer transmitir um evento com exclusividade, ela paga ao detentor dos direitos. É possível estabelecer algum tipo de comparação entre isso e dar dinheiro a pessoas que oferecem furos? Difícil, eu não consigo.

É certo que mais imoral ainda é receber para não publicar uma informação _e isso, infelizmente, também é recorrente no jornalismo mundial.

Contudo, pagar por uma entrevista, dossiê ou seja lá o que for, certamente, está bem distante da transparência e dos princípios éticos que deveriam nortear o jornalismo profissional.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s