Mais considerações sobre o diploma

Uma questão tem passado despercebida na discussão sobre a obrigatoriedade de um diploma em jornalismo para exercer a profissão: o fato de que as principais empresas jornalísticas do país (cito as Organizações Globo e os veículos do Grupo Estado, entre os quais o jornal O Estado de S.Paulo) exigem o pedaço de papel para contratar seus profissionais de redação.

Assim como não houve qualquer sinalização de mudança nessa postura, não haverá (garantem minhas fontes) alteração dessa exigência mesmo que o STF, seja lá quando for, pregue o caixão deste entulho autoritário que erroneamente é defendido como se fosse uma conquista _quando, na verdade, é uma prisão, uma masmorra.

Sim, para efeito do empregador, existir ou não obrigatoriedade é um mero detalhe. As empresas continuarão com o direito de exigir a formação que seja de seus jornalistas. Até mesmo de jornalismo, um curso (hoje, mas isso é passível de mudança) com bem menos profundidade intelectual do que vários outros.

Mesmo nas companhias menores, onde (dizem) se contrata a torto e a direito sem registro como jornalista (como se nos grandes portais de internet não ocorresse a mesma coisa).

Vou repetir que essa discussão deixou de ser importante a partir do momento em que a tecnologia deu uma imprensa pessoal para cada um. Quem quiser, faz jornalismo, não precisa nem ter ligação com a mídia dita formal.

Para encerrar com humor, então, uno-me à campanha do André Forastieri, que ironicamente pede a exigência de diploma de jornalista profissional para blogueiros. Aliás, o sindicato de jornalistas do Rio Grande do Sul já tinha levado essa proposta, como se fosse séria, a público.

Meu deus, que vergonha desses meus “colegas” de diploma…

ATUALIZAÇÃO: Ana Estela, no Novo em Folha, discorre claramente sobre a importância da formação do candidato a jornalista, não do tipo de papel que ele porta ao se apresentar numa redação.

13 Respostas para “Mais considerações sobre o diploma

  1. Alec, exigem, mas de fachada. Uma fez fizemos um concurso para Mundo e um dos candidatos era frila no Estadão. Ganhava mal e não estava em internacional, porque era formado em Relações Internacionais. Mas estava lá gramando. Aí quisemos chamá-lo pra Folha. Adivinha o que aconteceu? O bicho tá lá contratado, hoje…

    • Ana, isso é mesmo verdade.

      Normalmente esse povo só sai da “informalidade” quando recebe uma proposta. Ou seja: o fim da obrigatoriedade vai resolver esse problema da clandestinidade profissional, na qual jornalistas trabalham como auxiliares administrativos.

  2. O problema não são os ‘colegas de trabalho’, e sim o sindicato em si.
    Ah, o André Forastieri também, mas não nesse caso. Isso é pra outro assunto.

  3. Alec,

    como te disse, dei entrada no meu registro essa semana, e uma dúvida surgiu: qual seria o critério para ter o MTb carimbado na carteira? Será que realmente qualquer um, até mesmo quem não concluiu o ensino médio poderia tê-lo? Não me pediram nada na Delegacia Regional do Trabalho, além dos meus documentos pessoais.

    Sou contra a obrigatoriedade do curso de jornalismo para ser jornalista, mas acho que alguma qualificação deve ser exigida, concorda? Ou, no mínimo, experiência na área, como era na década de 60.

  4. Alec, as empresas privadas que façam o que quiserem. Se quiserem andar contra a razoabilidade mundial, ok. Quero saber como fica essa exigência tosca nos concursos públicos?! Um absurdo.

    O que dá pra fazer contra a simples existência das graduações?

    O MEC diz estar discutindo o currículo, mas porque não elaboram especializações bacanas para nós, jornalistas formados em cursos de verdade?

    abração

    • Everton,

      Estamos (nós, professores) tentando fazer exatamente isso, e o momento agora é de discussão e definição. Pode ter certeza que no primeiro semestre de 2010 já haverá, em ao menos duas faculdades de São Paulo, especializações bem bacanas para graduados (ou não) em jornalismo.

      abs

      • Em quais faculdades?

      • alecduarte

        Pedro,

        Participo diretamente de dois projetos de extensão, mas no momento não tenho autorização para falar sobre eles. Espera só mais um pouquinho…

        abs

      • alecduarte

        Pedro,

        Participo diretamente de dois projetos de extensão, mas no momento não tenho autorização para falar sobre eles. Espera só mais um pouquinho…

        abs

  5. Acho que existe uma questão aí que passou despercebida…Vc comenta do passaporte de ingresso para o jornalismo, mas e, sem diploma, como fica piso salarial, remuneração e afins?
    Quando defendo o diploma é pensando no campo social denominado jornalismo, seus habitus e tal. Obviamente o diploma não é garantia para nada, mas uma segurança, penso eu, para os jornalistas, que vá-la é uma categoria “detonada” pelos patrões

    • Yuri,

      Vc acha realmente que o diploma pode responder a esses anseios? Se hoje em dia ele já não é capaz de responder. Eu desvinculo a regulamentação profissional da obrigatoriedade do diploma. A profissão seguirá possuindo seus canais de negociação com o patronato.

      abs

  6. Estas especializações para graduados ou não seriam no estilo usado nos Estados Unidos?

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