Você publicaria esta charge?

Mais uma charge polêmica do septagenário cartunista Pat Oliphant

Mais uma charge polêmica do septagenário cartunista Pat Oliphant

Você publicaria a charge acima? Ela é de autoria de Pat Oliphant, 74 anos, considerado o cartunista mais influente em atividade no mundo _e com um belíssimo histórico de obras polêmicas.

Centenas de jornais dos Estados Unidos a publicaram, gerando a ira, por exemplo, do Centro Simon Wiesenthal de Los Angeles, que soltou uma nota condenando a obra.

Diz que ela “mimetiza a propaganda antissemita” que esteve como pano de fundo da ascensão do nazismo alemão. E vai além, afirmando que foram charges como essas que prepararam o terreno para o Holocausto.

Exagero?

Como é difícil trabalhar em jornalismo. Há diversos temas que exigem ene dedos e, mesmo assim, muitas vezes terminam em revolta, protestos, mal-entendidos.

O desenho é tolo, óbvio, previsível e um retrato da realidade (o mais importante). A questão, como sempre, são as pessoas que veem golpe em tudo.

Essas, definitivamente, precisam ter um jornal só delas e parar de ler os nossos jornais.

17 Respostas para “Você publicaria esta charge?

  1. e o que dizer do lula que só não culpou a MIM pela crise porque tenho olho verde em vez de azul?
    deu de mania de perseguição, né não?

    • Clá,

      eu ainda acho que a melhor frase do Lula ontem foi “o sujeito abre a geladeira, vê uma luz e já começa a dar entrevista”, ahahahahaha.

      bjs

  2. Até quando os Judeus vão continuar se fazendo de vítimas pelo que ocorreu no Holocausto? O fato de terem sofrido horrores por causa do nazismo (e isso ninguém deveria negar) não é motivo para se tornarem um povo acima de qualquer suspeita, acima de críticas, acima de piadas.
    No momento em que a Human Rights Watch acusa Israel de ter usado fósforo branco durante a ocupação militar em Gaza, é hora de perceber que os judeus não são bonzinhos e também fazem por merecer a crítica e até a ira mundial.
    Não basta se fazer de vítima para ganhar o direito de invadir e ocupar territórios alheios. Não basta lamentar o ocorrido com seu povo para ganhar o direito de SUFOCAR os habitantes da faixa de gaza.
    Com todo o respeito, é hora de pararem de se fazer de vítimas e aceitarem quaisquer críticas retratadas em uma charge.

    • Eduardo,

      Há um aspecto interessantíssimo da cultura judaica, que é o ótimo humor. Que não se aplica quando outros fazem a graça. Mas eu entendo que o protesto é livre. Assim como o trabalho artístico/jornalístico.

      abs

  3. Certa vez foi divulgado que alguns judeus aqui do Brasil tinham quadros importantes (até Picasso) que teriam sido recuperados depois de pilhados pelos nazistas. E eu fui pedir ao Rabino Henry Sobel que me desse os contatos com os proprietários porque eu queria mostrar os quadros no Jornal da Band. E o rabino me dizia que mais importante era manter viva a lembrança do que aconteceu aos judeus: NÃÃÃÃO PODEMOOOOOOUS ESQUECIERRRRRRR O HOLOCAUSTOUUUUUUUU”
    Ou seja, o Rabino queria porque queria manter viva, acesa e eterna a chama do “pobres coitados que sofreram no holocausto”
    Que foi algo horrível para nunca mais ser esquecido foi… mas não acho que seja motivo pra viver em cima dessa dor

  4. Assino junto com o José Eduardo!

  5. A religião, que deveria religar as pessoas, é uma das maiores responsáveis pelas guerras no planeta, ao lado de dinheiro e poder. Aliás, na prática, os três se completam e um não existe sem o outro.

  6. Quando levantamos charges político-religioso não há como lembrar do trabalho de Kurt Westergaard em 2006, ao apresentar um Maomé como homem-bomba.
    Se Westergaard pode fazer, pq Oliphant não pode?

    Em 2006, muitos lembraram da ligação entre os terroristas e os países árabes – especialmente o Irã -, agora Oliphant demonstra Israel como um estado terrorista.

  7. Acho que dizer que “é hora de perceber que os judeus não são bonzinhos” é uma generalização quase criminosa, não? E, vamos lá, a comunidade não “se faz de vítima” por conta do holocausto. A comunidade FOI VÍTIMA, ponto. Seis milhões de mortos, ponto. Isso não se apaga, e não deve ser apagado mesmo.

    Outra coisa: essa confusão entre o judaísmo e o Estado de Israel é injusta. Por que é que todo mundo achava um absurdo quando os rednecks americanos criticavam as ações do comunismo com expressões como “fuckin’ atheists”, mas segue comentendo esse erro em relação às ações do Estado de Israel?

  8. Concordo com Godoy: há confusão entre etnia/religião e Estado/instituição política. Acho que esse equívoco está na base de ambas as charges, de Oliphant e Westergaard _e aí, quando se incorre em ódio, a bandeira de “liberdade de expressão” parece pouco convincente. Corre-se o risco de racismo, xenofobia e ódio gratuito, ainda que seja tentador cair na falácia de líderes políticos que tentam associar suas ações criminosas a motivos religiosos…

    • Natália,

      No caso de Israel, me parece claro que etnia e Estado se confundem. O Estado não é laico lá, é? Pois bem… Mas como jornalista o que mais me incomoda é essa espécie de blindagem que impede qq tipo de citação, comentário ou opinião. Todas elas são sempre jogadas na vala comum do preconceito.

      bjs

  9. Alec,

    Não, Israel não é laico, mas até aí a Argentina também não é, e não me lembro de acusações contra os “malditos católicos” durante a imbecilidade da Guerra das Malvinas, por exemplo.

    Já contra os judeus, não é assim que funciona. Vide o texto imbecil do “teólogo da Libertação” durante os ataques à Faixa de Gaza.

    Aliás, o próprio fato do Estado de Israel não ser laico não justifica que se coloque o judaísmo como responsável por qualquer atrocidade. Mesmo porque, como citou a Natália, há, sim, o risco de racismo e xenofobia.

  10. Não vejo como algo muito maior do que o cuidado que temos que tomar para não ofender nenhum grupo.

    Acho que você falou tudo em: o protesto é livre, assim como o trabalho jornalístico. Quer publicar essa charge? Tá liberado, mas arque com as consequências, né não? No caso, bom que as consequências sigam todas nas regras da democracia.

    Abs!

  11. É isso. Racismo. Xenofobia. Pois bem o Estado de Israel, habitado por judeus, comete abusos e excessos na região que devem ser criticados. E daí quem critica é acusado de racista e xenófobo. A sensação que tenho é essa: por ter sofrido o povo judeu não aceita críticas e se acha acima do bem e do mal. Vamos repetir: o Estado de Israel está sendo acusado de crime de guerra. Sendo assim a charge está correta – quem é o tubarão? Ofendeu? Pois a culpa nem sempre é de quem retrata os fatos

  12. No livro “A Indústria do Holocausto”, de um judeu filho de sobreviventes de Auschwitz, já se expõe a vitimização como artifício de blindagem (o que ocorre da premiação do Oscar aos debates geopolíticos).
    Mas acho bem diferente o desrespeito e a confusão que se faz entre povo/religião e Estado/ideologia, tanto com judeus/Israel tanto quanto com muçulmanos/Terrorismo.
    Mas acho que não dá pra investir no jornalismo crítico dessa forma, na confusão (como faz a charge). Embora eu concorde com o Alec que, de fato, esses mecanismos de blindagem existem, não é dessa forma (com charges assim e afins) que se avança no debate crítico.

    • Natália,

      O Leopoldo Godoy tem falado com muita propriedade sobre o assunto aqui nesses comentários. A questão é delicada, e seus limites, milimétricos. Mas a blindagem é a maior de todas, depreendendo-se daí que o Holocausto foi a maior tragédia da história da humanidade.

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