O futuro do jornalismo é uma câmara de gás?

Jorge Rocha, que há tempos decretou a morte do jornalismo, reuniu um time de debatedores para discutir texto bastante recente de Pedro Doria _precisamente sobre o futuro da profissão, ou melhor, de seu exercício.

O resultado é um post caudaloso que abrange algumas das principais inquietações de quem faz e estuda o assunto, como novos modelos de negócios, o choque de gestão na administração da empresa jornalística em tempos bicudos e a migração (ainda lenta e não gradual) para a plataforma on-line.

Outra questão sempre presente nos textos de Rocha (“afinal, os jornais vão desaparecer?”, como pergunta o professor Philip Meyer) está lá. E as respostas para ela, claro, bastante diversas.

A verdade é que antes mesmos da crise econômica os jornais já estavam diante do maior desafio de suas histórias. Perdem leitores, perdem anunciantes, perdem receita e, mesmo assim, ainda se mobilizam de forma paquidérmica em meio a tantas novidades _principalmente a urgência do estabelecimento de uma política de colaboração com o leitorado.

Como bem diz a Ana Brambilla, uma das debatedoras do “evento” de Rocha, “Jornalista que não responde a e-mail de seus leitores não está apto a trabalhar com o jornalístico digital. Por quê? Porque a cultura digital tem como traço característico a APROXIMAÇÃO entre seres humanos por suas idéias, interesses, a despeito de localizações geográficas ou diferenças intelectuais, financeiras, religiosas etc.”

Terminamos _sim, além de Brambilla, eu, André de Abreu, Conceição de Oliveira, Pedro Markun e Sérgio Leo participamos do, digamos, post coletivo_ levando uma bronca por não termos oferecido uma resposta à pergunta “então, a partir daqui, para onde é que nós vamos, hein?”

De minha parte, a réplica é a pior possível: “no momento, a lugar nenhum. Estamos absolutamente parados olhando a banda passar”.

8 Respostas para “O futuro do jornalismo é uma câmara de gás?

  1. Em 2007, tomei uma cerveja com o Aron Pilhofer, líder daquela equipe que faz a revolução digital do New York Times. Fiz a mesmíssima pergunta pra ele. Ele respondeu: “sei tanto quanto você, mas tenho a sorte de meus chefes me darem um orçamento pra experimentar”.

    • Marcelo,

      o problema é que hoje pegamos grana (pegamos digo o jornal em papel) pra ir lá fazer o que o jornalismo on-line está fazendo. Aí não há orçamento que cubra…

      abs

  2. Alec, eu fico frustrado com estes debates. Mesmo com as boas conversas, como neste caso. A raiz da minha frustração não é está na falta de respostas, como sugere o seu post, mas na falta de perguntas. Antes de lamentar a crise, de chorar uma lágrima pela falência de um modelo, a gente tem que repisar o básico: que conhecimento é possível? daí, qual é o status da informação jornalística? existe algum critério mínimo de coerência ou adequação que os debatedores concordem para definir “bom jornalismo”?

    Como essas perguntas são dadas, de cara, como respondidas, o terreno não é limpo antes da conversa e o caminho fica aberto para a aparição de um tema-espantalho como este da “parcialidade”/”imparcialidade” – tema resolvido, por baixo, há um século e meio.

    Não me importo em olhar a banda passar. Acho, inclusive, que deveríamos observar melhor a banda.

    • David,

      Tb cansei de fazer perguntas sem respostas.

      E o lance da banda, te dou razão. Observar (criticamente) sempre foi o melhor aspecto do jornalismo.

      abs

  3. Não q eu ache que as coisas andam boas, mas não dá pra generalizar: em boa parte do mundo, jornais não perdem leitores nem anunciantes. É tomar como global uma situação particular dos EUA (e de parte da Europa, mais nos gratuitos).

    • Ana,

      Isso mesmo. EUA mais parte da Europa (a Europa periférica tipo Áustria e Polônia, pois na Sérvia e na Lituânia há efervenscência nisso).

      Brasil + outros emergentes têm demanda reprimida por papel que ainda garante décadas de forros de gaiola, afirmo eu (ainda que sejam mais duas, mas décadas).

      bjs

  4. discordo do marcelo. nao sei bem como era há um seculo e meio atras, mas duvido q a questao da parcialidade/imparcialidade tenha sido resolvida já naquela época. hoje ainda é bastante controversa, embora pareça pueril para alguns, e rende muitas discussoes, inclusive acaloradas e q nao chegam a lugar algum. experimente falar estes dois termos, de preferencia escandindo as silabas, perto de, digamos, tres jornalistas e veja o resultado.

  5. opa, nao é do marcelo q eu discordo, é do david.

    ô, marcelo, escreve ai algo preu discordar.

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