Por uma imprensa sustentável

Dois textos debatem hoje o assunto do momento: a sustentabilidade da indústria jornalística.

Na Salon, Gary Kamiya dá números do desastre ( o prejuízo dos jornais americanos foi o maior da história em 2008 ) mas lembra que, na era da publicação pessoal, as notícias estão circulando como nunca.

O problema, com o fim da imprensa “formal”, é que imediatamente a blogosfera e o jornalismo no ciberespaço acabariam _ou eles não reproduzem e vivem a reboque dos veículos tradicionais?

No Huffington Post, Jack Myers é mais auspicioso: ele oferece a possibilidade de doar dinheiro para publicações que estejam, de alguma forma, trabalhando e compartilhando boas idéias e modelos de negócios que ajudem a perpetuar o negócio.

Afinal, a crise não é exatamente dos jornais, mas do jornalismo. E, sem ele, a democracia perde um pilar importante.

16 Respostas para “Por uma imprensa sustentável

  1. Discordo: a crise é dos jornais e não do jornalismo. Nunca se fez tanto jornalismo como hoje, e de alta qualidade. O problema é o modelo que existe, que limita, que engessa, que distorce, deturpa. Livre das amarras atuais, o jornalismo vai reflorescer. Fácil.

    • Jorge,

      Nunca se fez tanto jornalismo (e nunca se consumiu tanta notícia), é verdade. De alta qualidade, já não sei. No geral, o que assistimos no jornalismo on-line (e nos canais não formais, como blogs) é uma reprodução do jornalismo impresso. Seja no start, seja na repercussão.

      Daí, me preocupa a possibilidade de acabar uma fórmula que ainda sustenta todas as outras (rádio, TV etc).

      abs

  2. Tem muita merda sendo publicada, claro, mas tem muita coisa maneira por aí. E o jornalismo já vem descolando sua produção do que é feito em papel há algum tempo, tempos inumeros exemplos disso. No Brasil nem tanto, concordo, talvez pela excessiva concentração de veiculos na maos de poucos, influencia politica, etc…

    Pode levar mais tempo pra acontecer por aqui, mas uma hora acontece. Nem que seja ligeiramente diferente.

    Acho que se o jornal impresso morrer amanha, sites, tvs e radios vao se virar muito bem – talvez até melhor…

    abs

  3. Acho que a grande questão é o que realmente as pessoas estão interessadas em saber .

    O que é o famigerado interesse público? É denúncia? Entretenimento? São os casos policiais? Mulheres na capa?

    Aqui em Minas o SuperNotícia (0,25 centavos) é fenômeno de vendas. Tanto pelo preço, quanto pelo seu apelo popular.

    O jornalismo impresso brasileiro vê as vendas crescerem nesses tipos de iniciativa e é nessa medida que eu concordo com o Alec: a crise é do jornalismo.

    Os programas matutinos na TV tentam cada vez mais virar revistas eletrônicas, investindo em matérias de prestação de serviço, fofocas de celebridades e denúncias policiais. Se auto-intitulam a novidade, mas são roupagens diferentes para os programas de variedades. Mais do mesmo… Correto?

    E mesmo que – conversando com o que o Jorge disse – quando nos livrarmos das amarras possamos experimentar outros formatos de programas jornalísticos audiovisuais, ou ainda, re-inventemos os jornais de papel… retorno ao meu questionamento inicial sobre o conteúdo: qual são os interesses públicos, ou ainda, do público?

    São coisas diferentes, claro! Mas, complementares e essenciais na discussão dessa crise.

    • Jorge e Thiago,

      É uma boa discussão. Que o jornalismo impresso vai durar mais tempo em países emergentes, onde há demanda reprimida (lembrem-se que tem gente que começou a comer faz pouco tempo), parece ser uma certeza.

      Para onde vai o resto do jornalismo depois, uma dúvida. E das grandes.

      abs

  4. Me equivoquei mesmo no primeiro comentário. Quis dizer que nunca se fez tanto jornalismo e nunca houve tantas condições para se fazer jornalismo de boa qualidade. Se não fazemos, é um problema estrutural da corporação, a meu ver. Interessa a um grande veículo ter jornalistas que inovem, produzam material diferenciado , que possa vir de encontro à linha editorial (política?) do jornal? huum… dificil, ne?

    • Jorge,

      Acho que tocamos no ponto agora. Será que nós nos adequamos a uma forma e não conseguimos mais sair dela? Eu penso muito nisso, pq não adianta apenas criticar o jornalismo. Quando pego o que eu estou fazendo, noto muito desse ranço que me incomoda.

      abs

  5. Sim, exato. E de mais a mais, a mídia papel para o jornalismo está muito anacrônica. Temos ‘n’ possibilidades hoje com a internet e ainda mais com a internet móvel. E os caras ainda apegados a textos unidimensionais, sem links, sem videos, sem som, sem nada!

    • Isso mesmo, Jorge!

      Outro dia li na Web que uma música ainda inédita de um compositor (seria Beethoven, Mozart? Enfim, não lembro) tinha sido executada pela primeira vez. E cadê a música na matéria? Nada.

      Se os conteúdos não forem pensados para diversas plataformas, aí sim vamos morrer.

      abs

  6. Acho que essa discussão é um tanto “Darwiniana”. Assim como as espécies ao longo dos séculos se adequaram ao habitat e evoluíram para poder sobreviver, acontece o mesmo processo com o jornalismo.

    Não acho que os jornais vão acabar. A TV não acabou com o rádio – como se achou – e a internet não vai acabar com os impressos. É uma questão de se adaptar à nova realidade.

    Os jornais precisam achar algum espaço que não seja preenchido pela internet. Talvez investir em análises, em reportagens especiais, e deixar o hard news com o online.

    Eu não aguento ler um jornal inteiro ou uma revista pelo computador. É cansativo demais.

    Acesso o UOL, a Folha Online , o G1 e a Veja, bato o olho na manchete que me interessa e apenas me informo. Mas não aprofundo.

    • Carol, pode não ser uma preocupação imediata aqui (e em outros emergentes), mas é fato que o jornalismo impresso, pelo custo imenso de sua operação, está com os dias contados. Ou os Estados Unidos não estariam debatendo temas como transformar os jornais em empresas sem fins lucrativos (para ter acesso a verbas governamentais como as universidades), doações pessoais ou ainda os estúpidos micropagamentos.

      bjs

  7. Carol, a TV não matou o rádio, nem o jornal. A internet também não matará a TV, rádio ou jornal – simplesmente os modificará, como já está fazendo. O jornal impresso, esse sim, está com os dias contados. Se vai sumir em 10, 15, 100 anos, nao sei, mas vai sumir. Nao tem pq continuar sendo impresso – é caro, antihigiênico, nada prático, gera lixo. O NYT, dizem, vai parar de imprimir em 5 anos no máximo – se não falir antes…

    Esse é o grande barato da Internet: ela não destrói coisa alguma, apenas transforma.

  8. Oi, Jorge!
    Foi isso o que eu disse: os jornais precisam se reinventar, transformar.

    Oi, Alec!
    Eu sei dos altos custos dos jornais, do papel importado e tal. Mas ainda não assimilo a ideia de não ter mais jornal impresso no mundo.

  9. Pingback: Sobre a reinvenção do jornal « Webmanário

  10. Pingback: O jornalismo passou longe | Webmanario

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