Agora me diz: assessoria de imprensa é jornalismo?

Os planos da Secretaria de Comunicação da Presidência da República para a agência CDN, ganhadora de licitação da conta de assessoria de comunicação do órgão, evidenciam claramente como o trabalho tem tudo a ver com relações públicas _e quase nada de afinidade com jornalismo.

É uma discussão que venho travando aqui (e em outras frentes) há tempos, não para menosprezar o trabalho das assessorias, mas sim para colocá-las em seu devido lugar. É trabalho de relações públicas e acabou.

No caso da Secom, as palavras de seu subchefe-executivo, Ottoni Fernandes Júnior, não dão margem a dúvida. O que a secretaria pretende é que a CDN mostre ao mundo “um Brasil verdadeiro, “um país com economia forte, com as contas em ordem, um país continental, democrático, institucionalizado e preocupado com a inclusão social”.

“Vamos mostrar que neste momento o Brasil está bem preparado para enfrentar uma crise externa, porque tomou medidas corretivas que também deverão ser tomadas por países desenvolvidos. O Brasil está com a casa em ordem. Enquanto os outros têm que tomar medidas conjunturais, nós já o fizemos. É isso que queremos mostrar, que já fizemos a lição de casa”, diz Ottoni.

Alguma dúvida sobre a natureza do trabalho? É jornalismo?

ATUALIZAÇÃO: A Carol Rocha mandou, aí na caixa de comentários, um link com um texto bem bacana que fala precisamente sobre o assunto. Vale a pena ler. No Escrevinhamentos, Victor Barone dialoga com Ricardo Kotscho e chega a conclusões parecidas com as minhas.

20 Respostas para “Agora me diz: assessoria de imprensa é jornalismo?

  1. “Mostrar um país verdadeiro” desse jeito, tá mais pra propaganda (não defendendo o catastrofismo da imprensa, claro).

  2. Discordo. AI é marketing. Neste caso, então…

  3. Pois é, são funções diferentes. Apontar a distinção entre elas não é demérito, é definição. Mal comparando, ninguém espera que um cardiologista trate perna quebrada. Esse trabalho é do ortopedista. Você pode dizer que ambas as funções lidam com a saúde, assim como jornalismo e assessoria lidam com “comunicação”. Mas, poxa, companhia telefônica também lida com “comunicação” e ninguém confunde call center com redação.

    • Marcelo,

      pois é, toda tentativa de tentar dar uma “cara” a essa função, e sempre que ela não passa por jornalismo, cria-se uma discussão vazia que acaba sempre pendendo para o lado do preconceito. Concordo contigo: longe disso, é apenas definição.

      abs

  4. Penso que “assessoria de imprensa” é sim jornalismo. Até porque ela visa em primeiro lugar o relacionamento com os veículos de comunicação. Jornalista sabe o que o outro jornalista quer da instituição.

    Já a “assessoria de comunicação” é trabalho de RP ou de Publicitário. Pois ela tratará com a comunicação por completo.

    • Breno,

      a grande questão é que as atividades são vendidas de forma conjunta e desempenhadas da mesma maneira. Outra coisa: não me parece lógico contar com jornalistas, potenciais destruidores de relacionamentos, para a tarefa de construí-los.

      abs

  5. Jornalismo é que publica notícias relevantes para a população. A assessoria de imprensa facilita que as informaçãos de interesse público, que estão dentro da empresa ou instituição, se torne publica, quando são publicadas nos veículos.

  6. “Divulgação não é jornalismo”, matou a pau!

  7. Assessoria de imprensa é qualquer coisa, menos jornalismo. O que mais me faz ficar fora do eixo é saber que isso é mais propagado pelas universidades que o jornalismo. Mais uma bola fora pro diploma.

    • Everton,

      na faculdade onde leciono o trabalho em assessoria é apresentado, de fato, como uma faceta do jornalismo, mas a disciplina em si é ministrada de forma bastante realista para que o aluno, ao terminá-la, tenha claro em mente que não se trata de função exatamente jornalística.

      abs

  8. Alec, tive brigas homéricas com alguns professores na faculdade porque eles não conseguiram me convencer que AI é jornalismo. O assessor pode ter diploma de jornalista, mas não exerce a função. Ser jornalista e exercer o jornalismo são coisas bem distintas.
    Uma vez cheguei a ouvir de uma professora (assessora, claro) que tanto assessor quanto jornalista são profissionais “vendidos” – um se vende para um determinado cliente e outro se vende para um jornal qualquer. E, frase dela, “vendido por vendido eu fico com a assessoria que paga melhor”.
    Honestamente, nunca ouvi um aluno dizer que escolheu a faculdade de jornalismo porque sonhava em ser assessor.

    • Carol,

      e outra coisa: como assim, “vendido para um jornal qualquer”??? Não é um trabalho profissional?

      O que eu estou questionando aqui é ser a mosca na sopa (ou seja, tornar públicas informações de interesse público que contrariam governos/empresas/pessoas) ou um promotor de marcas e instituições, que divulga apenas informações positivas. Este último é o profissional de RP.

      Daí me disseram que “é díficil um profissional de RP conhecer uma redação, por isso contratam jornalistas”. Ora, mas eles tb não sabem. Até hoje ligam aqui às 19h, no horário de fechamento.

      Poupem-me, né?

      bjs

  9. “Vendido para um jornal qualquer” significa que o jornalista segue a linha editorial do veículo para o qual trabalha. Ou seja: divulga as notícias da maneira que interessa ao jornal/revista/TV.
    Isso, segundo a professora.
    AI, para mim, é marketing porque divulga apenas o que é interessante e positivo para o cliente. Serve mais como “filtro” do que como facilitador para o trabalho do jornalista.
    Já entrevistou alguém com assessor do lado? É terrível. Parecem cães de guarda.

    Acho o trabalho das AIs, atualmente, essencial para o jornalismo. Eles facilitam o caminho até a fonte – conseguir a informação é problema do repórter.
    Mas é raro encontrar um bom assessor, um facilitador; um profissional que ofereça boas pautas, e não apenas divulgue, nos releases, seu cliente.

    Em suma: na maioria dos casos o repórter quer descobrir aquilo que o assessor quer esconder.

  10. Funções diferentes, não há dúvida.

  11. O tema é polêmico (e o autor do blog adora isso… rs…).

    Acho radical dizer que assessoria de imprensa não é jornalismo. Obviamente que não é jornalismo puro, 100%, pois envolve outras funções (como divulgar um cliente).

    Mas as assessorias de imprensa não ajudam os veículos e os jornalistas de redação a fazerem jornalismo? Muitas reportagens publicadas diariamente nos jornais não surgiram de idéias dos assessores?

    Aí eu pergunto: quem é mais jornalista neste caso? O assessor que bolou uma boa pauta ou o repórter que apenas a executou?

    Abs!

    • Grande Almir,

      Excelente opinião. Eu, particularmente, acho vergonhoso o jornalismo feito a reboque das assessorias de comunicação. Aliás, está a cada dia mais frequente o “pacote completo”, ou seja, o repórter/editor não se preocupa mais em pautar foto, em ter ideias etc. Chega tudo pronto. Tudo, evidentemente, a serviço do produto/empresa que banca as agências de comunicação.

      Isso também não é jornalismo.

      abs

  12. Boa Tarde
    Meu email está em aberto para boas idéias e prosas sobre o jornalismo de forma geral.
    Um abraço a todos e que nossos chefes nos dêem 50% de aumento, heheheh (Nota do editor): o e-mail é kacejornalista@gmail.com

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