Conversações sobre o jornal impresso II

Eu gostei dessa coisa de conversar sobre os jornais impressos. E resolvi prosseguir.

No post anterior, falávamos sobre minha crença na perpetuação da espécie _ainda que, fique claro, ela jamais voltará a ser um produto de massa e ainda precisa encontrar o seu lugar no mundo de acordo com o novo “contrato de leitura”, como bem provocou o David Butter.

Numa era em que já há toda uma geração de jornalistas sem tinta no DNA _vários nem sequer foram apresentados às etapas de produção de um produto impresso_, é esperado encontrar quem veja no veículo que papai lia (será que ainda lê?) uma peça de museu.

Mesmo sem o tal DNA, todos os dias essa geração se depara com os jornais, que são importantes fornecedores de informação exclusiva para os sites nos quais trabalham. Essa é uma constatação contra a qual não há entretantos.

No Brasil, o negócio do jornalismo impresso se mostra sustentável mesmo em tempos bicudos _ontem, novos números apontaram que o faturamento com publicidade cresceu 4% com relação a outubro de 2007. O melhor é que, on-line, as oportunidades se expandiram ainda mais.

Enquanto vê subir o faturamento dos portais, o webjornalismo (um pedaço do que eles oferecem, não o responsável absoluto por essa alta) ainda se debate com sua frágil credibilidade.

Pesquisas qualitativas e de opinião são categóricas: quando confrontado com as duas plataformas, o consumidor de notícias ainda enxerga (e de longe) o jornal papel como o meio mais confiável para obter informação e tende a “acreditar mais” nos veículos on-line se eles forem ligados a empresas tradicionais do ramo _ou seja, donas de jornal impresso.

Tecnologia, positivamente, não compra credibilidade. E esse caminho, muito longo, é o principal obstáculo que o jornalismo na Web ainda precisa superar. Vários já parecem superados.

Sozinho, sem a muleta das grandes corporações, será possível? Talvez não. O blog, pedestal da publicação pessoal e descolado do mundo corporativo, está aí para provar (PDF).

Voltamos ao tema.

Uma resposta para “Conversações sobre o jornal impresso II

  1. Acho que é possível fazer algo que bombe fora do esquemão, mas (e é esse “mas” que mata) tem que ser algo que não precise de desconto. Para lá de 90% do que topei de “alternativo” neste sentido, é tecnicamente ruim.

    Sobre os papirófagos, ou papirófilos, já está na hora de a gente separar o que rola no Brasil do que acontece na Europa e nos EUA. No Brasil, ainda há muita demanda reprimida por jornal de papel, e muito respeito por marcas. É um erro imaginar que os jornais brasileiros enfrentarão exatamente o mesmo que os similares do “Primeiro Mundo” vêm enfrentando. Seja qual for o impacto da web, será diferente no Brasil. Mas também creio ser um erro comparável pensar que a nossa “demanda reprimida” seja por jornalões com pegada Folha, Estadão e Globo. É no segmento popular que o couro tá comendo – e vai comer cada vez mais.

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