Conversações sobre o jornal impresso

A discussão agora começa a se encaminhar: que utilidade nós (profissionais da área e leitores) daremos ao jornal impresso em papel nos próximos anos?

Apesar de o cenário não estar claro, me parece evidente que o produto não acabará. O jornal, da maneira que é feito hoje, ainda tem “garrafa vazia para vender”. Não fosse assim, os portais de Internet não abririam suas atualizações diárias replicando reportagens de seus ancestrais. Só isso já é uma demonstração da utilidade de editores experientes e reportagem ostensiva.

James Surowiecki diz, em artigo na New Yorker, que um veículo como o The New York Times não é menos lido do que antigamente. Muito pelo contrário: graças à Internet, o consumo de suas notícias nunca foi tão alto. A questão é que, via Web, ele não custa nada. Ao mesmo tempo, derrubar a barreira do conteúdo pago explica porque o acesso a seu conteúdo aumentou. É uma equação nítida.

Eu mesmo cheguei a imaginar um cenário em que os jornais em papel também passariam a ser gratuitos, cobrando por serviços como, por exemplo, a entrega do exemplar em casa. Porém já houve jornais que cancelaram esse plus alegando redução de custos.

Felix Salmon avança um pouco mais na discussão e aponta que a notícia sempre foi gratuita. Na verdade, durante décadas os leitores pagaram para receber anúncios, não informação. Sim, são os anúncios (não as assinaturas ou venda em bancas) que mantêm o negócio jornal vivo.

E, pelo menos no Brasil (cheque o seu jornal de hoje, forrado de cadernos extras para abrigar ainda mais peças publicitárias), o negócio segue em expansão.

Nessas conversas sobre futuro do jornal impresso, lembre-se sempre de separar o mundo em pedaços. O colapso de empresas jornalísticas nos EUA, por exemplo, não encontra equivalência na Europa ou na América do Sul _e mesmo na África, onde o mercado dos gratuitos (que comprovadamente impulsionaram os pagos) ainda é ínfimo e tem muito a crescer.

4 Respostas para “Conversações sobre o jornal impresso

  1. Alec, também acho que ainda existe janela para crescimento do setor no Brasil, mas há de se levar em conta onde as novas gerações de leitores estão indo buscar informação. Grosseira e pretensiosamente, eu diria que tem gente aí que cresceu com um novo “contrato de leitura”: de seleção ativa de conteúdo e gratuidade. Convencer essa turma a comprar um jornal não é tão simples assim – e te digo mais: suspeito, só suspeito, que os jornalões não tenham muito a oferecer para eles.

    • David,
      É por isso que temos de imaginar qual a utilidade que daremos pro veículo. Por exemplo: diz-se, sempre, que o jornal papel é um ótimo lugar para análise, opinião e contextualização. Ok, mas isso não tem lugar na Web? Tem, né? Afinal, trata-se apenas de uma plataforma. Agora, quanto ao “contrato de leitura”, sem dúvida, os jornais estão numa encruzilhada no que diz respeito ao que oferecer aos novos leitores.

      abs

  2. Pingback: Conversações sobre o jornal impresso II « Webmanário

  3. Pingback: Jornalismo colaborativo, lado a lado com conteúdo profissional « Clico, logo existo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s