O texto jornalístico, quem diria, foi apontado como gênero literário por professores e especialistas que, desde ontem, participam do 1º Congresso Internacional de Jornalismo de Málaga, na Espanha. Nada mais equivocado.
Primeiro que a própria natureza do trabalho, em que textos precisam ser cortados e/ou condensados às pressas para se adequar a espaços físicos (leia-se: centimetragem de matérias) muitas vezes impróprios impede qualquer tipo de paralelo com a literatura _terreno onde, todo o oposto, o autor passeia, descreve e divaga o quanto quiser.
É perigosíssima comparação deste tipo, pois leva muito jornalista a se pressupor um artista, passo este decisivo para abraçar o nariz de cera de vez e jogar a objetividade e agilidade do texto no lixo.
Jornalismo e literatura não podem se misturar. Isso não significa que queremos textos ruins em nossos jornais. Apenas defendo uma estrutura de narrativa que privilegie o tempo exíguo do leitor, conte o milagre e o nome do santo logo de cara e acabe com todo suspense e dúvidas em segundos.
O contrário do que é desejável na literatura.
será mesmo que na literatura, o autor pode ‘passear, descrever e divagar o quanto quiser’? tenho minhas dúvidas.
É curioso. Você tem razão, é claro, quanto à preocupação com objetividade e agilidade, e principalmente com o tempo do leitor. No entanto, acho que existe, sim, uma demanda por um jornalismo literário, solto e imaginativo (no sentido de brincar com o texto, não de inventar a notícia). Eu sinto falta (como leitor) de reportagens mais saborosas do ponto de vista do texto e volta e meia encontro algumas que usam a linguagem literária e que me agradam muito.
Preto-no-branco demais. Há espaço, sim, para um texto literário no jornalismo. A palavra chave é “espaço”. Não quer dizer que qualquer cu-sujo seja capaz de fazê-lo, nem que é possível colocar arte no noticiário ultraquente da internê, por exemplo.
Godoy e Victor,
É que quando digo “jornalismo”, verdadeiramente estou pensando no texto noticioso. E não há mais espaço (estamos falando de jornal em papel aqui) para muito mais do que o hard news.
A literatura fica para os cadernos de fim de semana.
abs
Pelo contrário, eu diria. O papel tem espaço apenas para o soft news. O hard news que fique com os meios eletrônicos, ou o jornalão do futuro, aquele atualizável via WiMax. O que a Folha tem e que o G1 não tem são os caras que contam bem a história. Na minha opinião, a diferenciação que o papel precisa procurar é justamente essa. Jogar fora o bom texto, aquele que bebe das fontes literárias? Suicídio, creio.
Mas, óbvio, vale a discussão.
Abs, truta.
Alec, tenho pensando nisso ultimamente. Qual o futuro do impresso? Este natimorto frente ao ciberespaço… Acredito que textos mais trabalhados, literários mesmo, ou analíticos, possam ser o futuro desta mídia.
Victor e Godoy,
Verdade, pensando em futuro, deverá ser por aí mesmo. Eu próprio defendo que o “aconteceu ontem” deve ser um box, uma arte, enfim, um apêndice ao abre analítico ou investigativo.
Mas mesmo eles, diante da premência de tempo, precisam dizer rapidamente para o que vieram.
abs
Então,para você, não é possível uma literatura com limitação de caracteres?
Juliana,
eu defendo uma literatura longe do jornalismo, seja com quantos caracteres forem. Recapitulando: o fato de não ser um texto literário não transforma, imediatamente, o jornalismo numa lata de lixo da palavra. O texto literário tem uma preocupação que, avalio, não combina com a do texto jornalístico.
abs
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