E administrar uma empresa jornalística, se aprende?

Como se administra uma empresa jornalística? É uma pergunta, convenhamos, bem maior do que US$ 1 milhão, como diz o ditado.

O Master em Jornalismo, que possui alguma credibilidade, está oferecendo o curso ao módico preço de R$ 20 mil. Vale a pena?

Na relação de professores, pouca gente que esteve a cargo de verdade de uma redação. Isso é um problema grave.

Afora algumas figurinhas carimbadas de sempre (os acadêmicos espanhóis Alberto Cairo e Ramón Salaverría, por exemplo, que têm participado de todo e qualquer curso sobre jornalismo no Brasil nos últimos tempos), o que sempre traz o monocórdico à tona.

A questão de um curso sobre gerenciamento de uma Redação, nos tempos de hoje, é que ele não pode mais ser o mesmo que se desenhou há uma década. Afinal, há 10 anos, a incipiência do meio on-line e de suas possibilidades (em especial junto ao cidadão “comum”) não sugeriam que o jornalismo poderia ser colocado em xeque justamente por quem o idolatrava _seu leitor (agora, usuário).

Nas perguntas que o Master se faz na apresentação de seu curso, apenas uma (“Como enfrentar os desafios da convergência digital?”) se refere, e mesmo assim de maneira pra lá de genérica, aos novos tempos que nem mesmo ratos experientes da administração jornalística sabem onde vão dar.

Estudar é sempre bom. A questão é relativizar o tamanho da teoria diante da premência da prática. Ainda pior quando ela (a prática) ainda foge à trivialidade que estávamos acostumados no exercício da profissão.

5 Respostas para “E administrar uma empresa jornalística, se aprende?

  1. ariadne gattolini

    Pois é… administrar redações sem ferramentas gerenciais é impossível. Para a gestão de fato, estamos cada dia mais buscando nos aliar com nossos colegas engenheiros e administradores. Porém, temos nossas peculiaridades – e aí o bicho pega. Com planejamento, nós, jornalistas, temos que entender que trabalhamos melhor. Se o Master ensina tudo isto? Duvido. Mas discutir gestão já é um grande passo. Como se vê abaixo, a conta nunca fecha…

  2. Ariadne,

    é na peculiaridade que fica claro a necessidade dessa gestão ser tocada por jornalistas. Jornalistas “melhorzinhos”, se é que vc me entende…

    bjs

  3. Olá pessoal! Sobre o Master achei bem interessante o post sobre o curso. conheço um veículo em que o Master é tratado como uma verdadeira “bíblia” pelos administradores. Agora, o que atraiu mais minha atenção é qual foi a motivação do Alec em escrever sobre o curso? Particularmente, tinha minhas dúvidas, é verdade, sobre a grande eficâcia desse curso. O que me deixou balançado é que ao ver na lista dos alunos e ex-alunos até que tem gente bem importante. Me deu vontade até de fazer, só não tive tempo ($$$)! E convenhamos, prefiro fazer um mestrado tratando sobre semiótica. E, prolangando-me só mais um pouco, gostaria de colocar em discussão aos leitores do blog o que eles acreditam ser mais importante para que um administrador de jornal ter: ser um jornalista ou ser um administrador de formação? abraço a todos

  4. Rodolfo,

    a discussão creio ser exatamente essa: um administrador sem conhecimentos jornalísticos resolve? E um jornalista sem o traquejo administrativo? Há uma figura que una esses dois aspectos?

    Quanto a minha motivação sobre escrever a respeito do curso, partiu de um e-mail que recebi (oficial, do próprio Master, bem entendido) incentivando a me inscrever.

    Não, obrigado.

    abs

  5. Pingback: O futuro do jornalismo é uma câmara de gás? « Webmanário

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