Arquivo do mês: agosto 2008

Internet, uma longa história…

Não dá para deixar a dica do blog do Gjol passar em branco: belíssimo trabalho da National Science Foundation norte-americana sobre a evolução da computação e, conseqüentemente, a criação da Internet.

Destaque para o flash, bem-feitinho, com vídeos raros, imagens idem e um contador de computadores em rede desde a década de 60 (nos tempos da Arpanet, tínhamos só quatro…), além de depoimentos dos pioneiros.

O achado foi do professor André Lemos. Como complemento, que tal lembrarmos reportagem de uma emissora canadense sobre a fantástica descoberta?

Desfrutem enquanto eu parto para minha última semana na Pequim de Limeira.

Repórter cidadão relata, via Twitter, sua prisão na China

Terra da Olimpíada, a China segue torta no que diz respeito às liberdades individuais. Não bastasse a repressão de sua ditadura aos visitantes durante a competição esportiva (já foram 12 os estrangeiros deportados apenas nas duas últimas semanas), o pau continua comendo lá dentro.

O repórter cidadão Zhou “Zuola” Shuguang foi detido “para averiguação” nesta semana, e relatou toda a operação por meio de seu celular diretamente no microblog, como conta interessante reportagem da Global Voices.

Tenho imensa curiosidade de saber como o governo chinês pensa que vai controlar o avanço tecnológico na difusão/apuração de notícias…

O nome dos Jogos

Um pouco de colaboração coletiva (ora inteligência, ora burrice): acompanhe esta busca on-line sobre Michael Phelps. Veja a quantidade de incidências crescendo diante de seus olhos segundo após segundo.

Na Lista Wip, aferidor de incidências on-line, o nadador-sensação dos Jogos Olímpicos não paga nem placê: é a personalidade 2.257 da Internet _e isso que sua popularidade na rede cresceu 23% neste mês.

Projeto em Jornalismo Impresso I – Aula um

Começa nesta sexta (15/8), às 8h, curso deste semestre que terei o prazer de ministrar ao lado da professora Jô Rabelo.

Como de hábito, no primeiro encontro vamos expor o conteúdo, debater os grandes temas da disciplina e, na segunda parte da aula, fazer um trabalho comparativo entre projetos gráficos dos jornais brasileiros.

O Plano de Ensino e os slides da primeira aula já podem ser consultados on-line.

Até lá!

Chineses chutam Gutemberg do pódio

Aqui na minha Pequim, onde inclusive há pouco mataram um pobre-diabo ladrãozinho de motos num estacionamento fétido, a discussão é outra. Os chineses aproveitaram a Olimpíada para revelar ao mundo que foram eles, não Gutemberg, os inventores da imprensa _lembram das alegorias na impressionante (e fake) cerimônia de abertura dos Jogos?
 
“Sem dúvida, fomos os chineses quem inventamos a imprensa. Os europeus dizem que foram eles porque só estudam sua própria história, não a da Ásia”, disse Shi Jinbo, membro da Academia de Ciências Sociais da China, à agência espanhola EFE.

É grande o rol de invenções que os chinses se atribuem. Além da “máquina de imprimir”, entram nessa lista a pólvora, o macarrão, a pizza e até o futebol.

De acordo com a versão chinesa, o precursor da impressão é Bi Sheng (990-1050), que já usava tipos móveis no século 11. O historiador Shi conta que há inúmeros livros e mesmo peças metálicas (os tipos) como prova. “Todos são anteriores ao século 13”, diz.

A teoria de que o processo que originaria o jornal nasceu na China ganha respaldo do acadêmico britânico Timothy Barret, mas não pelas mãos de Sheng. Barret acaba de lançar um livro no qual aponta a imperatriz Wu (625-705) como a real descobridora da imprensa. “Seu feito foi sufocado por puro machismo”, diz o autor de “The Woman Who Discovered Print“.

No Ocidente, a invenção segue creditada a Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (1400-1468).

Enquanto a paternidade volta a ser discutida, já estamos pensando na herança: afinal, a imprensa ainda será útil para as gerações que estão chegando?

Ah, as automações…

É bom saber que, enquanto estou aqui na minha Pequim particular (cercado de usuários de crack, mendigos, travestis e michês), meus amigos me ajudam.

Olhem o exemplo de automação desastrosa que o Leopoldo Godoy (licenciado do bravo Oitobitsemeio) me mandou. O Neatorama entregou o Google News, que, em todas as notícias, incluiu mapas da região de onde se está falando.

Como já mostramos no desagrádavel caso do atleta Tyson “Homossexual”, as automações ajudam, mas também atrapalham. E eis que a notícia sobre a tensão com direito a bombardeios na Ossétia do Sul é ilustrada com uma mapa do Estado norte-americano da Geórgia…

No meu lugar, uma lista

Ainda na correria olímpica (que vai até o dia 25, certamente), hoje deixo uma relação de 100 sites que abrangem de tudo um pouco: há blogs meramente opinativos, outros que se dedicam exclusivamente ao noticiário hard news, fotojornalismo, utilitários (fornecem dados, mapas, fotos, gadgets etc)…

Enfim, procure lá que você acha.

O mais rápido, o mais alto, o mais forte

Fui ali na Olimpíada e já volto.

Por ora, deixo uma dica: um blog sóbrio que acompanha outro ângulo (político e social) dos Jogos de Pequim. É tocado por James Fallows, que trabalha na revista The Atlantic.

Em tempo: a página é mais um exemplo de jornalista da imprensa tradicional (Fallows é veterano e está há 25 anos na revista) que empresta seu prestígio à blogosfera.

Os colecionadores de frases

Estava lendo agora o Ecuaderno (provavelmente o melhor blog em espanhol sobre mídia) e vi Jose Luis Orihuela esbravejando sobre a semana de manchetes, sem notícia, que o jogador português Cristiano Ronaldo protagonizou em Portugal, Espanha e Inglaterra.

Resumo da ópera: jogador do Manchester United e candidato ao título de melhor do mundo (a eleição é em dezembro), foi cortejado pelo Real Madrid, que nunca fez uma proposta oficial. No final das contas, o português anunciou que continua no Manchester. E tudo que continua, bem sabemos, não é notícia.

A editoria de esportes é pródiga nesse tipo de coisa. Nessa e em outras. Como colecionar frases. Colecionar frases e publicá-las como se de notícia se tratasse. Daí acontecem coisas como as que veremos agora. Não tente fazer isso em casa, pode ser perigoso.

Voltei ao computador e selecionei seis exemplos de UOL, Terra e Globoesporte, que acredito serem as fontes mais acessadas sobre o tema na Internet brasileira. Abaixo, com comentários em bold.

21h00 – Amigos da Velocidade
Schumacher participa de evento oficial de motos
E? Todo mundo sabe que agora o heptacampeão mundial está correndo de moto. Qual a novidade?

20h58 » Seedorf quer jogar ao lado de Kaká e Ronaldinho
Jura? Ué, ele não joga no mesmo time dos caras? Meu deus…

19h19 | Atlético-MG
Após a primeira vitória fora de casa, Márcio Araújo espera manter o ritmo
Não, Márcio Araújo (o técnico) espera que o time volte aos tempos em que não vencia longe de seu estádio…

19h05 – UOL Esporte – Futebol
Luisinho Netto espera jogo difícil em Curitiba
Se algum dia um jogador disser que um confronto será fácil, manchete

18h38 » Cavaleiros brasileiros estão prontos para estréia
Se estão prontos, não há o que noticiar

18h32 | Grêmio
Precavidos, atletas não falam em título
Como falar em título se faltam 20 jogos para o campeonato terminar? Quem quis que eles falassem em título foi o repórter

O jabá mostra a sua cara

Um assunto que provocou bafafá hoje na Web: a discussão sobre o jabaculê que um blog descoberto pela Ana Estela se propôs a fazer. Estarrecedora, na caixa de comentários do site, a defesa que alguns colegas fazem dessa instituição tão antiga quanto odiosa.

O propósito do blogueiro _que adotou o pseudônimo de antijabaculê_ é nobre. Afinal, o leitor tem todo o direito de saber que veículos (e jornalistas) aceitam viagens e presentes sob a condição de redigir reportagens. É um hábito arraigado, entre outras, nas editorias de turismo e veículos.

Ainda que, digamos, não haja a necessidade dessa contrapartida, é evidente que fere a ética jornalística e a neutralidade inerente e indispensável ao exercício da profissão.

Exemplo da vida real: desde o advento da Lei Piva, que determinou o repasse de 2% de toda a arrecadação das loterias brasileiras às confederações de esportes olímpicos, o caderno Esporte da Folha de S.Paulo não aceita mais convites. Claro: seu objeto de reportagens são justamentes as entidades que, agora, são financiadas com dinheiro público.

Assim como quem escreve sobre carros jamais poderia se prestar a ter as despesas pagas pelas montadoras, justamente o objeto de sua análise. Da mesma forma que um suplemento de turismo, para administrar a própria agenda e ter liberdade de criticar um destino, não pode viajar a reboque de agências, hotéis ou governos.

Isso posto, e voltando ao primeiro parágrafo: daí um cidadão se dispõe a tornar isso público e, imediatamente, vira alvo da ira. Da ira de jabazeiros, provavelmente. Eu mesmo já senti isso na pele quando conversamos sobre blogueiros que recebem para postar (e enganar seu público). Fui agredido e chamado de recalcado por gente que nem sequer merece ser chamada de gente.

A ira contra nosso personagem secreto se dá justamente por causa disso _o fato de ele blogar com um pseudônimo (o que não é a mesma coisa que anonimato). Ou seja: o cerne da questão, o absurdo de se considerar o jabá como algo corriqueiro e aceitável, ficou completamente de lado. E, pode reparar: todo jabazeiro bate no peito e garante que é independente. “Eu viajo a convite, mas falo mal”.

Não sei não, mas isso me cheira ao racista que, pilhado em flagrante delito, socorre-se do surrado e mentiroso “eu tenho vários amigos negros”.