Por decreto, Romênia põe notícias positivas em TVs e rádios

Piada do ano (quiçá da história da humanidade): o senado da Romênia aprovou, por unanimidade, uma regulamentação do noticiário de TV e rádio no país. É assim: agora os veículos terão de ter um equilíbrio perfeito entre notícias positivas e negativas.

Daí, supõe-se que 50% do noticiário terá que ser positivo.

O deputado autor do projeto de lei, do Partido da Grande Romênia, justificou a iniciativa dizendo que as notícias negativas “têm um impacto nocivo e irreversível à saúde”. Já um senador, Petre Daea, do Partido Social Democrata, diz que os programas jornalísticos mostram apenas “o ladro escuro da vida”.

Falta agora a sanção do presidente, Traian Basescu. Ele está sendo pressionado pela sociedade a vetar a esdrúxula lei.

Em tempo: recém-aceita na União Européia, a Romênia (dilapidada durante o período em que foi uma ditadura comunista) enfrenta graves denúncias de corrupção e empobrecimento visível da população.

2 Respostas para “Por decreto, Romênia põe notícias positivas em TVs e rádios

  1. Não considero esta notícia uma piada. Pelo contrário, fiquei positivamente surpreendida e desejo que a obrigatoriedade se espalhe por todo o mundo.
    Parece que anda tudo parvo e que não percebem o quanto os noticiários modelam a visão que as pessoas têm do mundo e como isso determina as suas acções. Gerou-se a ideia absurda de que as pessoas só ligam a TV e compram jornais para ver sangue derramado e nesta corrida ao sangue está-se a criar gerações de pessoas deprimidas, pessimistas, passivas, derrotistas, com base numa ideia errada do mundo. Agora os meios de comunicação social já nem ousam apresentar as inúmeras coisas positivas que acontecem no mundo com receio de perderem audiências/leitores. A única forma de conseguir acabar com este flagelo é obrigando todos a cumprir uma certa percentagem de notícias positivas. Isto não implica fugir aos temas ruins nem ter de inventar histórias cor-de-rosa para enganar as pessoas. É preciso dar informação balanceada e há imensas notícias à espera de serem conhecidas pelo mundo se lhes derem hipótese. Um mundo melhor infelizmente hoje passa por termos noticiários melhores que eduquem e inspirem as pessoas, porque as pessoas não sabem, nem se esforçam por procurar outras fontes alternativas de informação.

  2. Irina,

    o jornalismo, como o conhecemos, não pode se submeter a uma agenda determinada por um governo. Ele perderia totalmente o sentido. Sua exposição sobre o equilíbrio do noticiário, porém, é interessantíssima. Cabe ao jornalismo, não a uma câmara política, debatê-lo.

    abs

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