Arquivo do mês: março 2008

Nossa, é a tal da Internet!!!!

Mais uma da série “Você viu o que inventaram?” com vídeos vintage de quando a Internet ainda era um bebê. No caso, é um clipe reunido pelo valente Waxy.org com reproduções de telas de sites pré-históricos e gente estupefata se maravilhando diante do computador em 1995.

É valioso porque, apesar de imagens em alguns momentos sofríveis (estavam em fitas VHS recentemente digitalizadas), mostram um momento que nem mesmo os arquivos vivos da web (como o maravilhoso Wayback Machine) possuem, já que suas capturas de tela começam em 1996.

Veja o vídeo.

O jornal de hoje e o de amanhã, ao vivo na web

O jornal de amanhã no site de hoje

Relançado no início do mês, o jornal argentino Crítica (que circulou entre 1913 e 1962 e, no auge, vendia 900 mil exemplares) está quebrando chatíssimos paradigmas da relação web-papel.

Primeiro, e dentro do que se espera no mundo virtual, disponibiliza sua edição diária completa em papel, para download em PDF, diariamente a partir das 14h.

Além disso, mostra, no rodapé do site, o andamento da definição de assuntos e diagramação das páginas da edição do dia seguinte.

Na época em que alguns jornais ainda discutem como cobrar por seu conteúdo, a resposta está aí, dada. A modernidade diz que não cobrar é o que se espera. E que outras fontes de receita, em cima de um conteúdo sólido e bacana (como o da Crítica, que se impôs como desafio dar ao menos um furo por dia _ o que vem conseguindo com êxito nestes primeiros 20 dias de vida), é que garantirão sua subsistência. 

Em tempo: o cérebro jornalístico da Crítica é Jorge Lanata, que esteve no comando de alguns dos maiores e mais ambiciosos projetos de nossa área no país vizinho.

Zorra total

Uma homepage a ser evitada

A jaula não é só a redação. Se não levarmos em conta aspectos básicos de design, sua página na web pode virar algo como isso aqui.

Um absurdo, ainda mais em se tratando de um veículo com pretenso viés jornalístico…

No pé do site, ele se vangloria de ter sido indicado ao “prêmio” de pior desenho do mundo pelo Digg e também pelo jornal espanhol El Mundo. Analisem e aprendam como não se faz.

Vamos fazer o perfil de 1,8 milhão de personagens?

O desafio do título acima foi proposto por um grupo de pesquisadores do mundo todo, reunidos por meio de uma rede social própria. Então nasceu a Encyclopedia of Life.

A idéia é, nos moldes da plataforma wiki (programa que facilita a inclusão de novas informações sobre um texto já existente), catalogar _em texto, foto, áudio, vídeo e no que vier a ser criado_ o impressionante inventário de 1,8 milhão de espécies conhecidas no planeta.

É como se, no jornalismo, decidissimos escrever (não só isso, arrumar fotos, imagens, registros de voz…) os perfis de 1,8 milhão de pessoas. Num mundo habitado por 6,6 bilhões, escolher 1,8 milhão não parece tão hercúleo. Não?

É por isso que a “colaboração orientada”, o _e eu acrescentaria, “monitorada”_ vai ser importante para melhorar não apenas o jornalismo. O “crowdsourcing“, na definição de Jeff Howe (aqui, um beabá bem chinfrim em português… ) abre a possibilidade de acelerar imensamente os processos.

Quanto, em tempo e pessoas, seria gasto numa estrutura convencional (pense numa redação), para dar conta da tarefa de redigir, ilustrar, dar acabamento, corrigir, melhorar 1,8 milhão de unidades distintas de informação?

A tecnologia deu, a nós e também às “estruturas convencionais”, o poder de fazer o chamamento do povo. De pedir que as pessoas ajudem a disponibilizar informação mais rapidamente.

Um perfil jornalístico nada mais é do que um resgate de vida pregressa (a origem), performance social (evolução) e contexto da morte (extinção).

É o propósito da Encyclopedia of Life.

Cada um tem a jaula que merece

Falamos hoje do ambiente às vezes insalubre das redações e descubro (achado do blog da amiga Ana Estela) que o Columbia Journalism Review (boa publicação sobre nosso assunto-mãe) publicou galeria de fotos de alguns lugares (assépticos, fétidos, modernosos, de um tudo) onde pessoas se reúnem para reportar fatos dentro de uma hierarquização e regras pré-estabelecidas.

Olha só, abaixo, a zona na mesa deste espécime da raça no The Village Voice, de Nova York. Jaula!

Uma t�pica mesa de um jornalista numa redação t�pica

Comentários sem moderação e moderação nos comentários

Vimos na aula de hoje que em sites como G1 e Folha Online a opção “comente esta notícia” não está disponível de forma clara e em todo o noticiário simplesmente porque os sites NÃO TÊM GENTE suficiente para ler os comentários e aprová-los.
No Estadão, em que a opção aparece em TODAS as notícias, descobrimos hoje que não há qualquer tipo de moderação. Curiosamente, apesar de alguns comentários terem demorado a ir para o ar, mesmo palavras chulas ou referências desairosas ao próprio site acabaram publicadas. É o que nos revela a caixa de comentários da notícia PF prende líder de esquema de venda de diplomas pela internet.É o eterno desequilíbrio. Enquanto uns têm cuidado demais e impedem o acesso e a participação do leitor, outros têm cuidado de menos _sob a aparente capa de uma democrática participação da audiência. Portanto, cuidado com o que escrevemos num fórum público…
Caixa de comentários

Edição II – Terceira aula

Nesta sexta (14/3), enfim, discutiremos o texto “A dupla falta do editor de jornal” , a representação no Cinema dessa figura polêmica do jornalismo, o jornal sem manchete de Alberto Dines em 1973 e mais. Afinal, para ser um bom editor é necessário ter sido repórter?

Capa do Jornal do Brasil que relata a queda de Salvador Allende, em 1973

Dicas de navegação para o segundo tempo da aula:

1. As lembranças de Alberto Dines sobre a histórica capa sem manchete. Leia, se informe, pesquise mais.

2. De novo: vamos a um site noticioso (Estadão, G1, Terra, Folha ou UOL) e vamos deixar uma opinião numa notícia.

3. A quantas anda a leitura dos manuais do Wikinotícias? Apressem-se, está chegando a hora de escrevermos lá pra valer. Quem já quiser arriscar hoje, ótimo.
Os manuais: de Redação, de Estilo, de Edição, de Conteúdo e O que não é o Wikinotícias.

4. Como nosso próximo encontro (culpa do feriado) será só no dia 28, leiam até lá o texto bacana “A pirâmide deitada de João Canavilhas“. Cuma? Isso, começamos a tratar de edição on-line.

O Jornalismo no Cinema 3

Houve um tempo (que durou pelo menos uma década, infelizmente) em que o jornalismo, para Hollywood, só era digno de virar filme se contasse as agruras de um correspondente numa zona de conflito. Um cara empoeirado, fudido da vida, condenado a viver eternamente longe de casa, sem banho, cheirando a… vocês sabem.

Esse cara normalmente era fotógrafo (e sempre empunhando a máquina de forma equivocada, reparem), cobria desavenças bélicas no Terceiro Mundo e desenvolvia amizade fraternal com seus intérpretes/guias _estes, sempre empapados em suor, paus pra toda obra e capazes de arriscar a vida por uma reportagem. Às vezes, quando a guia era mulher ou a repórter da agência concorrente atraente, ainda rolava um algo mais.

Assim é O ano em que vivemos em perigo (The Year of Living Dangerously, 1982), ambientado na Indonésia do ditador Sukarno, com o regime à beira do colapso (1965, portanto). Ganhou um Oscar.

Os gritos do silêncio (The Killing Fields, 1984) repetiu a fórmula, mandou o enviado ao Cambodja, fez a platéia chorar e faturou três estatuetas.

Em 1986, El Salvador, o martírio de um povo (Salvador) relata como um frila beberrão e fracassado aproveita a guerra civil no país centro-americano para tentar relançar sua carreira. Aqui, além do amigo fiel suado, tem a coleguinha cheirosinha e instigante também.

Essas representações também têm responsabilidade pelo fato de tantos jornalistas empregados hoje na grande mídia considerarem, pra valer, que a profissão só faz algum sentido se o repórter viaja. Para eles, ser repórter em São Paulo é chato…

Ainda fazem filmes assim, é incrível. Harrison’s Flowers, de 2000, é sobre um fictício fotógrafo que acaba ferido e fica entre a vida e a morte na guerra da Bósnia. A mulher dele, a bela Andie McDowell, ultrapassa todos os obstáculos e tenta localizar e socorrer o amado. A coisa mais chata a superar é o personagem de Adrian Brody, que interpreta um fotógrafo da AP. Como todo fotógrafo, ele é conceitual, se orienta pela luz e dá todos _absolutamente todos_ os conselhos errados. Pela Andie, minha paixão da adolescência (meu deus, com quantos anos então estará essa mulher?), veja o trailer (quem descobrir o nome desse filme em português me avisa?):

O Jornalismo no Cinema 2

Esse é um filmaço, como se diz por aí: Todos os homens do presidente (All the president’s men, 1976).

Reconstitui todos os acontecimentos que levaram à renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon, com ênfase no trabalho de investigação jornalística dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein _que se tornariam célebres.

Outra coisa legal é a representação das pressões que um jornalista recebe no exercício da profissão. Aqui isso é mostrado de forma bem crível.

O Jornalismo no Cinema 1

Como nesta sexta o assunto é o texto A dupla falta do editor de jornal, das nossas amigas professoras Beatriz Marroco e Christa Berger, vamos lembrar um pouco nesta semana das representações de editores, repórteres e do trabalho jornalístico no cinema _citado, afinal, no texto em questão.

O óbvio é sempre começar com Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), então vamos iniciar por Quase Famosos (Almost Famous, 2000).

Além da trilha sonora pra lá de legal (é difícil errar tendo o começo dos 70 como ambiente…), conta as agruras de um moleque de 16 anos que cobriu uma turnê de uma bandinha hype para a prestigiosa revista “Rolling Stone”. Mostra relação editor-repórter, e num tempo em que máquina de escrever e telefone com disco (e não teclado) eram o máximo.

É a história dos primórdios de Lester Bangs, um cara que revolucionou a cobertura musical. Ele morreu de overdose por uso de drogas em 1982.