Encerro hoje a semana Manuel Castells, iniciada na terça-feira com a entrevista que o sociólogo espanhol concedeu a mim e que foi publicada pela Folha de S.Paulo. Foi apenas parte de conversa que, além de política, girou muito, claro, sobre internet e redes sociais.
Castells, um dos mais relevantes pesquisadores da web, está especialmente atento ao que acontece hoje nas redes sociais, um espaço ocupado por 1,6 bilhão de seres humanos _e ainda contando.
“As redes sociais começam para valer em 2002, com o Friendster. Ou seja: a pré-história tem menos de dez anos. Essa é a velocidade com a qual estamos trabalhando”, disse.
Era a resposta à minha pergunta sobre a durabilidade das redes (pouco antes, Castells já havia decretado a morte do Twitter). O sociólogo mostra ter uma certeza: que a facilidade de construção de novas redes torna as pessoas totalmente desapegadas às já existentes. “O fundamental das redes sociais é que qualquer jovem que conhece algo de tecnologia e que tem muito pouco capital pode imediatamente construir uma rede social”, afirma.
É o que lhe faz acreditar que modelos que buscam a monetização via cobrança ou controlam excessivamente os usuários estão fadados aos fracasso. “O Facebook ensaiou cobrar e em três dias mudou de ideia porque milhões de pessoas se moveram para outras redes. O dia em que ele tente controlar mais o que acontece lá dentro, as pessoas irão para o Facebook ao lado. Se todas as redes comerciais entrarem num acordo, se criarão outras redes. As possibilidades são ilimitadas.”
Para Castells, quem tentar restringir o acesso na internet ficará isolado.
“Estamos em um mundo de redes sociais. Hoje as pessoas relacionam sua vida física com sua realidade na rede. Estão integradas. Não é uma virtualidade em nossa vida, é nossa realidade que se fez virtual. Essa é uma mudança fundamental. O que a internet permitiu é a autoconstrução das redes de relação, da organização social e das redes de pensamento. É a primeira vez na história que se produz uma autoconstrução da sociedade nessa escala.”