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O usuário que realmente importa

Na linha de Ken Doctor, sobre quem falamos ontem, artigo de James Breiner relembra uma verdade importante do jornalismo on-line: o usuário fiel ó que realmente importa.

Nosso desafio, portanto, é fazer um bom produto para fidelizar o usuário único. É a solução de um milhão de dólares.

O jornalismo mostra sua cara no Tumblr

Já são pelo menos 160 os produtos jornalísticos que estão presentes no Tumblr, uma plataforma entre blog e microblog que tem experimentado um crescimento considerável de 2010 pra cá (o site foi criado em 2011).

O último foi o Washington Post, que seguiu os exemplos do The Guardian e do Los Angeles Times.

É mais uma plataforma em que o jornalismo vai precisar mostrar a sua cara. Basicamente, para convidar o usuário a participar diretamente do noticiário, compartilhando texto e imagens.

Nenhuma grande novidade, a não ser a facilidade de publicação.

Mas provocará barulho.

Estamos sendo úteis para o nosso leitor na internet?

Este texto fala de publicidade, mas pode perfeitamente ser entendido como um recado ao jornalismo.

Será que estamos sabendo aplicar a tecnologia aos nossos produtos on-line? Ou muitas vezes despejamos ferramentas sem saber bem ao certo para que e, mais, deixando-as nas mãos do incauto leitor/usuário sem qualquer acompanhamento?

É que diz Gabriel Jacob.

“Não podemos esquecer que o que vale é a ideia como forma de gerar interesse e envolvimento duradouro. Precisamos ser realmente úteis. E, quando tratamos de digital, não podemos achar que a única coisa que importa é a interação com a ferramenta. Ela até pode ser um fator importante, mas, se depender da maioria das necessidades, ela, a interatividade, não sobrevive sozinha.”

Penso exatamente a mesma coisa.

Jornal cobra para leitores comentarem em site

É bizarro, mas um bom teste: o jornal Sun Chronicle, de Attleboro (EUA), passou a cobrar a taxa única de US$ 0,99 para leitores que quiserem comentar as notícias de seu site.

O pagamento tem obrigatoriamente de ser feito em cartão de crédito, o que garante a identificação de 100% dos comentaristas. Certamente um ambiente mais seguro, mas menos parecido com a internet.

Rafael Sbarai vê autoritarismo e precipitação na estranha medida.

De tão estranha, aliás, acho mais prudente observar a adesão a ela _e o resultado prático na excelência do conteúdo da caixa de comentários, reconhecidamente baixo na maioria dos veículos que trabalham com notícias e interagem com seu público.

O passo pode sugerir um sinal, também, de que comentários são tão relevantes que é possivel vendê-los como se fossem classificados.

Por sinal, há quem use (e com bastante frequência) o espaço para promover links. Pagaria por isso?

Times perde audiência após cobrar por conteúdo

O The Times, jornal publicado em Londres desde 1785 e hoje propriedade do multimilionário Rupert Murdoch, começou a cobrar por conteúdo neste mês.

Pois bem, saíram seus primeiros resultados e, claro, a audiência caiu (o quadro aí em cima não deixa qualquer dúvida). Mais: só 17% dos usuários do site passam pela área de conteúdo restrito.

Um fracasso retumbante que a gente já sabia. Cobrar por notícias que estão em toda parte é tiro no pé.

A mobilização pelo slow e o problema que ela causa

O slow journalism, movimento que recomenda menos velocidade (por mais qualidade) no consumo de informações, deve recrudescer em 2010. Ainda mais em ano de Copa do Mundo e eleição (no Brasil), quando as pessoas naturalmente passarão mais tempo na internet.

Mas há um problema grave com a mobilização pelo slow: ela omite que hoje, na era da publicação pessoal, emissor e consumidor de notícias são a mesma pessoa _o produser. A rigor, e sendo bem chato, seria o colapso do on-line.

E há quem não seja e consuma notícias exatamente como fazia em 1970: vendo TV, ouvindo rádio e lendo jornal.

Eu acho essa revolta contra o overload informativo uma grande bobagem. Assim como cada meio, cada pessoa tem seu timing.

Se eu quiser ter um site que não é acessado por ninguém, adoto o slow journalism _por sinal, as revistas semamais fazem isso desde sempre, sem provocar nenhum furor do gênero. Não há novidade nisso. E a vocação do meio revista. Ponto.

Compreenda: a web é O lugar para a atualização rápida. Se você a transforma numa coisa lerda, está dizendo às pessoas “compre o livro”.

Há outras plataformas para burilar a notícia, com a diferença de que elas são todas mais caras. É um argumento que joga a favor da apropriação da web para fins “reflexivos”.

Mas o único.