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#pegabem?

Disclaimer: é só um exemplo, a anos-luz de distância de querer demonizar campanhas e profissionais.

Você certamente percebeu que a operadora de telefonia Vivo, como tantas outras empresas antes e também agora, de todos os setores, apostou numa hashtag para alavancar maciça ação de comunicação.

Pouca coisa resume melhor a vida on-line do que a hashtag, etiqueta criada por usuários do Twitter sem que alguém tivesse pedido. Simplesmente assim, surgiu. E é assim o mundo em rede, onde governos, empresas e pessoas têm acesso às mesmas ferramentas – nesse cenário, o controle será sempre das pessoas.

Isso um.

Dois, e recorro aqui novamente à lapidar frase de Nizan Guanaes: “Na época da comunicação total, a verdade tornou-se a maior arma de persuasão em massa.”

Pois bem: a Vivo, unilateralmente, decidiu que #pegabem. Só que não é exatamente verdade, e quem conhece a precariedade da rede de telefonia nacional sabe bem do que estou falando. Assim, tentar impor às pessoas o uso de uma hashtag só poderia dar nisso: #pegabem, na rede, virou um mote para ironizar a empresa.

Não é apenas a Vivo. Há dois anos, numa cobertura de Carnaval, a operação jornalística das Organizações Globo na internet decidiu que as pessoas deveriam usar a hashtag #globeleza não para interagir com a emissora (como, posteriormente, corretamente a rota foi alterada), mas para bombar sua programação. Resultado: só fisgou o desavisado tenista Gustavo Kuerten.

A abundância do uso de hashtags pelo marketing e pela publicidade, um fato, é muito perigosa para quem trabalha com comunicação. Não mande as pessoas fazerem aquilo que elas não estão dispostas. Muito menos num lugar tão democrático quanto o ambiente on-line.

A censura nos trending topics

De novo, a caixa-preta de alguns serviços cheios de buzz incomoda quem está preocupado com mais do que espuma na internet.

Em 2010 eu já falava sobre estranhos filtros e desconfiança de censura específica do Twitter a seus trending topics – algo jamais explicado como deveria.

Agora, é o movimento #Ocuppy que está se sentindo excluído pela ferramenta.

Não custa relembrar meu velho mantra: os sites de rede social pedem o tempo todo que seus usuários sejam transparentes, condição que eles, seguramente, serão os últimos a adotar.

Políticas de correção de erros on-line

A ausência de uma política de correção de erros em sites noticiosos não deveria ser uma surpresa.

Temos jornais impressos tradicionais (estamos falando de publicações com mais de 100 anos) que até hoje não possuem transparência nem um local específico para avisar a seus leitores que coisas incorretas foram publicadas.

O caráter de hemeroteca viva da internet transforma esse trabalho (o de corrigir os erros nossos de cada dia) numa tarefa ainda mais fundamental. Afinal de contas, o jornal de ontem não está mais nas suas mãos, e acessá-lo certamente lhe dará algum trabalho.

Enquanto isso, na web os textos estão ao alcance do dedo.

Para os veículos, isso significa não só uma política editorial, mas também de recursos humanos _o dia a dia on-line, todos sabemos, é árduo Trabalho retroativo é mais um acúmulo na montanha de tarefas.

E aí o bode entra na sala.

Transparência e objetividade no jornalismo

A transparência é a nova objetividade do jornalismo?

É o que defende Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York.

Um debate bom, até porque a objetividade, a gente sabe, não existe. Toda decisão jornalística é carregada de subjetividade.

Um insight sobre o Wikileaks

Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York (onde estão boas cabeças a refletir sobre as mudanças introduzidas pela tecnologia no jornalismo, como Jay Rosen e Clay Shirky) tem um insight sobre o fator Wikileaks, o projeto colaborativo na internet que tem como objetivo divulgar documentos confidenciais particulamente constrangedores ao governo americano.

“Quando os governos perceberem que os agora os cidadãos podem vigiá-los melhor do que são vigiados, veremos a transparência dissuadir atores ruins e ações condenáveis”.

Há uma revolução em curso, patrocinada pela tecnologia: o acesso de pessoas comuns às armas antes reservadas aos poderosos.

Difundir informação é uma das mais devastadores para efetivamente “mudar o sistema”, como se dizia no meu tempo.

A coragem de corrigir nossos erros à altura

Como faz bem (não só pela transparência, mas principalmente pela obrigação profissional) ter coragem (sim, é preciso coragem, por incrível que pareça) corrigir, à altura, um erro .

Foi o que fez o G1 nesta semana, manchetando a correção de um equívoco que havia sido publicado daquela mesma forma (ou seja, como notícia mais destacada do site).

É assim que se faz.

(Esta dica é da colega Mary Persia).

EUA endurecem regras para posts patrocinados

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tomou uma decisão importante no que diz respeito ao uso desenfreado do post pago na blogosfera, o popular jabá.

A partir de agora, qualquer pessoa que possua um blog precisa notificar claramente seu leitor se o texto que escreveu avaliando produtos e serviços foi motivado por dinheiro ou presentes de fabricantes e fornecedores.

A medida vale ainda para comentários em mídias sociais, talk-shows no rádio, tv e internet e anúncios em geral. Quem não aderir à transparência poderá ser multado, informa o The Wall Street Journal.

É claro que o FTC tenta ser mais realista do que o rei (como identificar o autor de um comentário, por exemplo?), mas o conceito da decisão é acertado.

Eu acho, inclusive, que ela deveria ser estendida ao jornalismo, que até hoje não informa com retidão ao seu público quando um jornalista publica uma matéria viajando a convite _ou aceita outro tipo de presente.

Dizer “o jornalista fulano de tal viajou a convite da ciclano company” não resolve o problema. A questão é que os textos publicados após viagens só foram parar numa página porque um jornalista ganhou uma viagem. Não houvesse farra, não haveria “pauta”.

Ainda creio num sistema que exponha claramente os objetivos por trás de uma reportagem publicada ou levada ao ar por veículos jornalísticos.