
John Hamer, presidente do Washington News Council (entidade sem fins lucrativos que se autodenomina “o ombudsman externo” no Estado americano), levou adiante a bandeira do TAO (transparência, prestação de contas e abertura ao diálogo, em sua sigla em inglês), que parecem ser preceitos absolutamente indispensáveis para a prática do jornalismo _dentro ou fora do mainstream.
Por transparência Hamer quer dizer um relacionamento franco com seu público. Divulgar de onde você veio (e para onde pretende ir), além de seus laços pessoais e eventuais conflitos de interesse. “Você está fazendo lobby para alguém? Você está promovendo um produto ou causa?”, pergunta.
Isso é muito mais fácil de fazer numa iniciativa individual, como um blog. Claro, nos jornais os colaboradores não têm espaço para um perfil ou muito menos possibilidade de falar em primeira pessoa.
Prestação de contas é admitir quando comete erros. Ainda hoje me causa estupor que grandes veículos (seja em qual suporte) não possuam uma área específica para correções. Ainda é minoria, e é um erro crasso. Explicar que se errou, e o que levou ao erro, ajuda a incrementar a relação com seu público.
Finalmente, a abertura ao diálogo, um aspecto que este Webmanario tem batido na tecla há dois anos _ou seja, desde que existe. “Convidar os outros a expressar suas opiniões através de todos os mecanismos de feedback” e “estar aberto a posições contrárias”, como diz Hamer, é primordial numa era em que cada pessoa possui sua própria imprensa, e a conversação é um dos pilares do discurso jornalístico.