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Os sites estão menos importantes?

À provocação de Sérgio Lüdtke eu respondo de cara: não, os sites não estão menos importantes. Mas o que está ocorrendo nas redes sociais é tão relevante que, merecidamente, invade o espaço onde estávamos habituados a ver meramente chamadas para o próprio umbigo.

A revolução das pessoas, fruto da capacidade de publicar instantaneamente e com as mesmas armas da mídia formal (ou quase, tirando a legitimação), fez voltar definitivamente a atenção do mainstream para a mobilização pública em sites como Facebook e Twitter.

Exatamente como Lüdtke aponta: a Associated Press manda uma notícia do Twitter para o Facebook, sem passar por suas páginas. O Estadão chama da home para o microblog, longe de seus domínios, sem pudores.

Será que começamos a entender para que serve a internet?

Universidade dos EUA segue sugestão de Tim Berners-Lee e cria curso para estudar a web

Este ano, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Tim Berners-Lee (o pai da criança) exortou a necessidade da criação de uma disciplina acadêmica inter-relacionada basicamente com tecnologia, psicologia e antropologia para estudar a web.

Pois agora uma universidade americana anunciou a criação do curso, como nos explica Jeff Jarvis, professor da Universidade de Nova York.

Porque os jornais não usam a tecnologia para deter o plágio?

O episódio de plágio revelado esta semana pelo Painel do Leitor da Folha de S.Paulo _o presidente do PTB, Roberto Jefferson, republicou como se fosse seu um artigo do filósofo Olavo de Carvalho_ casa perfeitamente com texto recente de Craig Silverman que tenta entender o porquê de os jornais caírem tanto nessa trapaça.

“As redações estão mais interessadas em identificar quem está roubando seu conteúdo do que assegurar que o que estão publicando é original”.

É exatamente isso.

Silverman discorre sobre alguns serviços de detecção de plágio _vários deles não passaram pelo crivo de uma pesquisadora alemã, que apontou uma alarmante incidência de “falsos positivos”_ que seriam muito melhores se os clientes (ou seja, os jornais) complementassem a base de dados com seu próprio conteúdo.

Copyscape e SafeAssign são alguns destes serviços, e muitas vezes custam centavos por operação. Mas gastar não está na ordem do día da velha mídia. Melhor, talvez, seja comprometer sua credibilidade.

Assim como ocorreu com texto de colaborador eventual, acontece todos os dias no noticiário. É triste, mas é a realidade (e global).

Chutando números para inflar darlings da web

O jornalismo de tecnologia também sofre do mal que acomete outras editorias: tem o hábito de publicar dados sem se impressionar com eles, ou seja, questioná-los. Daí que a batata quente vai direto pro ar _e pros anais, claro.

Esse cara aqui foi mais um a pegar a gente em flagrante delito: dados apresentados numa matéria sobre o Facebook dão conta que 1,4 milhão de fotos são adicionadas ao site por segundo, o que dá 3,6 trilhões por mês, ou 20 fotos diárias para cada cidadão da Terra.

Um inventário ou equivocado ou distorcido, por que é imperativo, se o dado é verídico, identificar os heavy users (e hubs profissionais) e separar o quanto eles representam nessas atualizações.

O dado foi mudado na matéria depois e virou 2,5 bilhões de fotos por mês. Ou 30 bilhões de uploads anuais, o que num universo de 6,8 bilhões de pessoas representaria pouco mais de quatro imagens por habitante do planeta.

Bem mais crível, mas precisou do puxão de orelha… E que não podemos confiar na fonte, né? Uma mudança tão brusca sugere falta de perícia.

Reiventar o jornalismo ou o jornalista?

Reiventar o jornalismo. Expressão que já virou clichê e sobre a qual poucos realmente se debruçam. É mesmo necessário? O termo correto é realmente “reiventar”? Só o jornalismo impresso precisa ser reiventado? O jornalismo on-line, então, já está posto, definido e bem criado?

Não é bem assim, mas muitas vezes a gente não percebe. Mas é notório que ainda existe um subtratamento (no papel e na web) às possibilidades trazidas pela tecnologia.

Londres vai discutir o tema em 10 de julho, no encontro News Innovation London. Segundo um dos organizadores, Martin Moore, é a chance de debater possibilidades concretas, não conjecturas.

Falando ainda mais claro: o que se propõe aqui é juntar jornalistas e programadores (mas pode chamar de nerds) que tenham ideias legais e úteis. Às vezes, quando jornalista e nerd são a mesma pessoa, as coisas ficam mais fáceis.

Sim, trata-se também da boa e velha reportagem assistida por computador (RAC ou CAR, na sigla em inglês). Uma série de programas e mashups que, bem alimentados, apresentam a informação em formato e perspectiva diferentes.

Curioso que, há poucos dias, a revista Time se perguntava se os nerds poderiam fazer alguma coisa pelo jornalismo. Já estão fazendo, falta aos jornalistas perceberem o quão prático e proveitoso para o leitor/usuário pode ser essa faceta da interpretação e apresentação de dados.

Mas é claro que não é só isso.

Os caminhos do jornalismo passam também pela gestão da produção colaborativa de informação. Os exemplos a serem debatidos em Londres são o projeto My Football Writer (basicamente uma rede de correspondentes amadores em pequenos clubes em East Anglia, uma região da Inglaterra) e rede investigativa “Ajude-me a apurar”, do Channel 4, bastante aberto à conversação, essa dádiva da era da publicação pessoal e da troca instantânea de informação.

Há ainda a necessária administração de mídias sociais (que é, hoje, onde o povo está na internet).

Todo o resto, os preceitos, todas as receitas que conhecemos como exemplos de bom jornalismo, estão preservados.

Falta reportagem? Sim. Falta investigação? É claro. Faltam clareza e acuidade na redação de textos? Quem acha que sim levante a mão. Tantas coisas faltam hoje ao jornalismo impresso.

Mas será que elas já não vinham faltando quando a internet nem sequer existia?

Pensar o jornalismo como um processo, não como uma plataforma, é tão difícil assim?

Leia também: O jornal vai dormir internet, e a internet acorda jornal

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

(este post teve as colaborações de @leogodoy e @rsbarai)