Arquivo da tag: Steve Jobs

Steve Jobs e nossa ingenuidade biográfica

Material bem consistente publica a Lumina, revista semestral do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Destaco Mozahir Salomão Bruck e “O jornalista e a ingenuidade biográfica”, um tema ainda debatido de forma lateral (mas que a morte de Steve Jobs e a ausência crítica que forrou a reconstituição da vida do personagem mostrou o quanto é importante), além de Eduardo Granja Coutinho com “Cala a boca, Galvão! hegemonia, linguagem e filosofia espontânea das massas”.

Boa leitura.

Apple não vê graça nenhuma em comercial bem-humorado de jornal dos EUA

Muita gente se divertiu _e não é para menos_ com a publicidade do Newsday, jornal de Long Island (EUA) que acaba de ganhar um aplicativo para iPad e brincou com a única função em que o produto perde para o bom e velho jornal impresso.

O que vem a seguir não tem a menor a graça: a Apple não gostou nada do comercial. E ameaçou o jornal com a exclusão da App Store (onde estão expostos os aplicativos) se a publicidade não fosse tirada do ar.

Em nota oficial, o Newsday confirmou a pressão e anunciou que “a curta e gloriosa trajetória” da fantástica peça se encerrou.

Impressionante a falta de humor de Steve Jobs…

‘Não quero uma nação de blogueiros’, diz Steve Jobs

Do evento de terça-feira promovido pelo The Wall Street Journal com Steve Jobs, ficou quase lateral a opinião do messias das novas mídias sobre critério editorial e fontes confiáveis na Internet.

“Não quero uma nação de blogueiros”, disse Jobs, ressaltando a importância de uma imprensa formal possante e democrática.

São palavras com evidente tino comercial: o criador da Apple colocou sua empresa à disposição do mainstream para pensar formas de cobrar por conteúdo na web.

Lançamento ‘revolucionário’ da Apple é cópia de projeto de 1994

Sensacional descoberta do professor espanhol Ramón Salaverría: apesar do buzz em torno do iTablet, próximo lançamento da Apple saudado como vanguardista e potencial salvador dos jornais em meio à crise, o produto já tinha sido concebido há 15 anos por Roger Fiedler _e com ele, claro, todo o conceito de tablet, a última moda em dispositivo móvel.

Claramente, faltou uma maçã mordida para o projeto dar certo.

Veja com seus próprios olhos.

A morte de Fidel: a matéria de gaveta mais célebre de Miami

Não são apenas fogos de artíficio, armazenados por ansiosos exilados cubanos, que estão cuidadosamente guardados em Miami. O obituário de Fidel Castro também.

É o que revela um dos mais experientes editores do jornal The Miami Herald, Manny Garcia. “Aqui no jornal, Fidel Castro equivale a uma pedra no rim: uma dor constante que parece nunca acabar, e que você reza para ir embora”, relata.

Outro editor do jornal, Tom Fiedler, diz que os planos para a cobertura da morte do líder da Revolução Cubana, de 82 anos, remontam à década de 90 e “são mais detalhados do que o plano americano para a invasão do Iraque”.

Não é só lá. Todo jornal minimamente planejado tem pelo menos um caderno especial já pronto sobre a vida e a obra (contestadas, ambas) de Castro. É assim com todas as personalidades relevantes cuja morte não seria exatamente uma surpresa.

É, talvez, o aspecto da profissão que mais choque os estudantes de jornalismo. “Como assim, você torce para alguém morrer?”

Não é torcer, mas estar preparado _planejamento é tudo para o sucesso de uma cobertura jornalística (só não digo que é condição sine qua non porque já participei de coberturas catastróficas do ponto de vista organizacional que, no final das contas, e por vários outros elementos, acabaram dando certo).

Lembrei de dois casos em que o “planejamento” acabou sendo revelado, inadvertidamente, aos leitores: o caso do UOL, que “matou” o ex-governador Mário Covas dois anos antes da hora, e o recente vacilo da Bloomberg, que colocou no ar por instantes o obituário de Steve Jobs, da Apple.

São as agruras do jornalismo.