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A relação entre jornalismo e RP

Na era da convergência dos campos da comunicação, estudo do Instituto Reuters joga alguma luz na relação entre jornalismo e RP – concluindo que o jornalismo depende cada vez mais do trabalho de RP, que depende (por causa dos novos canais oferecidos pela tecnologia) cada vez menos do jornalismo.

Mídia social e agências de notícias

A Reuters bancou o estudo “News Agencies and Social Media: A Relationship with a Future?” (que foi disponibilizado na rede), do austríaco Christoph Griessner para tentar descobrir de que forma a mídia social impacta seu negócio.

A conclusão é que agências de notícias (e Griessner vai a fundo em pelo menos cinco delas) precisam encontrar a maneira de transitar e coexistir com as pessoas – em maior ou menor grau.

O que não poderão, isso é fato, se abster.

A Reuters quer saber

A Reuters está mexendo em seus recursos multimídia e apresenta parte das novidades chamando os consumidores a opinar. Antes de tudo ir pro ar.

O pior que pode acontecer nessas consultas prévias é tudo aquilo que você acha genial num projeto ser cruelmente desconstruído por quem vai usá-lo.

Para quem ainda não entendeu o que é rede social

É impressionante, mas anos depois – o Twitter, por exemplo, já está no ar há seis anos – ainda não foi compreendido o sentido de prestação de serviço, curadoria e relacionamento que os grupos jornalísticos têm de ter em redes sociais.

Então, pra quem não entendeu (e são tantos…) o exemplo acima funciona melhor do que um desenho: a Reuters retuitou um CONCORRENTE (a France Presse) porque considerou a informação relevante ao seu público.

Isso é saber fazer jornalismo em rede social. O resto é propaganda e masturbação (cujo apogeu é o retuíte de si mesmo).

Quanto vale o rapper 50 Cent

Uma matéria da Reuters editada por um redator de jornal desatento evidenciou mais uma vez o lado B dos automatismos: o rapper 50 Cent teve o nome “convertido” para a moeda da Malásia, o Ringgit. Simplesmente sensacional.

Aqui mesmo já dei outros exemplos de que nada substitui a edição humana, casos do mapa muito louco da Geórgia, do atleta Tyson “Homossexual” e do bug do mapa da criminalidade em Los Angeles.

A foto encenada de Barack Obama e considerações sobre ética no jornalismo

A foto de Pablo Martinez, da AP: montada

Essa é boa, mas é velha: fotógrafos das agências noticiosas AP e Reuters revelaram que a imagem de presidente Barack Obama durante discurso em que anunciou ao povo americano a morte de Osama Bin Laden foi montada.

Neste caso, dizem os profissionais, foi o próprio personagem quem sugeriu a encenação, posterior ao discurso de fato.

Nos EUA, a ação fere o código de ética da Associação Nacional de Fotógrafos.

Na prática, e em boa medida capitaneada pelos próprios fotógrafos, a encenação de situações para registro em imagem é frequente e recorrente globalmente.

Mais recentemente, na era da superexposição digital, protagonistas do noticiário também passaram a adotar a prática, com a complascência dos profissionais.

O primeiro grande vazamento do WikiLeaks

A divulgação de mais de 250 mil correspondências entre embaixadas americanas no mundo todo e o Pentágono ainda vai ocupar as páginas dos jornais por um bom tempo _nem 10% desse conteúdo foi revelado até agora.

No Brasil, quem publica os papéis vazados pela ONG WikiLeaks é o jornal “Folha de S.Paulo“.

Bom momento para relembrar o primeiro grande vazamento (no jargão jornalístico, conteúdo passado de forma anônima pela fonte) ao projeto de Julian Assange.

O vídeo é inesquecível: uma desastrada incursão de duas patrulhas aéreas das Forças Armadas Americanas que culminaram com a morte de vários civis em Bagdá no dia 12 de julho de 2007.

A imagem que abre este post é o momento do ataque que matou dois cinegrafistas da agência de notícias Reuters. Os diálogos dos pilotos americanos beiram o patético: eles confundiram as câmeras com armas pesadas.

Foi o que tornou o WikiLeaks famoso, em 18 de abril de 2010 _quando o site completou quatro anos no ar.

A confiança do público nas notícias

Essa eu deixo totalmente nas mãos do sempre atento António Granado, que descobriu esse interessante estudo da Reuters sobre a confiabilidade de noticiário.

Recorrente, surge a queixa de que a imprensa não explica suficientemente bem os assuntos que trata.

A se pensar.

Por economia, jornal abre mão de agência de notícias

O uso do conteúdo de agência de notícias sempre foi uma forma de jornais pequenos garantirem o fechamento de suas páginas, ainda que com material pasteurizado, não personalizado, produzido em série.

Há milhares de publicações no mundo que simplesmente não ficariam prontas diariamente não fossem os despachos de Associated Press, Reuters, France Presse e EFE, apenas para citar as quatro mais importantes.

Agora, estes mesmos jornais estão simplesmente cancelando seus contratos com as agências. É um novo sintoma da crise no jornalismo impresso nos Estados Unidos.

Foi o caso do gratuito Metro, que nos EUA publica edições em Nova York, Boston e Filadélfia e abriu mão do acordo com AP, que manda neste mercado no país. Na lógica da operação, o futuro da publicação está diretamente ligado a sua capacidade de produzir conteúdo original _ainda que a redação, minúscula (no ano passado, com queda de 30% no faturamento publicitário, 27 pessoas foram demitidas).

O Metro americano seguirá utilizando matérias de mais de 100 edições da empresa pelo mundo (inclusive o Brasil), além de conteúdo de Reuters e Bloomberg.

Mais um tremor e, de novo, o microblog dá o furo

Hoje foi a vez de os norte-americanos constatarem a velocidade quase insuperável do microblogging no relato de fatos.

Um tremor pequeníssimo em Washington D.C. foi percebido antes pelos usuários da ferramenta. Ou melhor, publicado antes (“publique antes, filtre depois” é a norma vigente da Web 2.0 que Clay Shirky consolidou de vez em seu ótimo “Here Comes Everybody” _registre-se que, pessoalmente, sou adepto do filtrar e depois publicar).

Segundo relato da Reuters, o tremor levou quase uma hora para sair do Twitter e chegar ao mainstream. O Tiago Dória vê por um ângulo auspicioso o mesmo relato, apontando para o apuramento do uso do microblogging no jornalismo. De fato, olha que cobertura esperta das primárias na Carolina do Norte (EUA): os repórteres passavam flashes via Twitter. Óbvio ululante, mas cadê?

Por isso pergunto, como já havia feito antes: cadê as redações que não estão ligadas na movimentação do microblog? Cadê o repórter “twittando” da rua? Chegamos à conclusão de sempre: a paquidermia grassa…