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Aprendendo a jogar

Responsável pelas operações do Facebook na América Latina, Alexandre Hohagen dá um choque de realidade em gente que, a exemplo de Carlos Nascimento, ficou indignada com o buzz provocado por Luíza, a que estava no Canadá.

“A nova mídia na verdade não determina qual a profundidade ou quais temas interessam mais para a sociedade. Novas tecnologias e plataformas digitais permitem, sim, o acesso ubíquo a um número muito maior de assuntos. Se assuntos como o intercâmbio de Luíza se tornaram relevantes, é resultado do que a sociedade se interessa em ler e compartilhar”.

Nascimento (a quem respeito muito), na verdade, está zangado porque não é mais ele quem define o que seu público vai ver, comentar e passar adiante.

Análises sobre 2010

A edição especial da newsletter Jornalistas&Cia, que perscruta todas as semanas as coisas da nossa profissão, traz um balanço do ano que se pretende uma avaliação do desempenho da imprensa brasileira em 2010.

Muito do que deveria ser dito está lá.

É ótimo quando o decano Audálio Dantas, diretor de redação da revista Negócios da Comunicação, joga uma perspectiva diferente a respeito da discussão sobre o novo marco regulatório das comunicações, que Lula deixou claro ser uma missão primordial de Dilma Rousseff e seu partido, o PT, no próximo governo.

“Por que, em vez de tentar abater o projeto antes mesmo que ele possa levantar voo, não propor um amplo debate sobre seu conteúdo?”, convida Dantas, coberto de razão.

Carlos Chaparro, também nosso velho conhecido, destaca uma revolução na prática da profissão que vimos reforçada no ano que está terminando: a das fontes.

Claro, num tempo em que somos furados por nossos entrevistados, que têm acesso a ferramentas instantâneas de difusão de conteúdo (como a gente), naturalmente a atenção do jornalismo se voltou para instâncias pessoais de publicação.

Daí a explosão das redes sociais e de sua influência na pauta jornalística em 2010.

Uma opinião importante vem de Eugenio Bucci, agora claramente falando sobre a cobertura da eleição presidencial. “A sociedade não é, como nunca foi, manipulada pelos humores de editores de dois ou três jornais ou de duas ou três emissoras de tevê”

Acrescento: tem de parar esse patrulhamento insuportável sobre as mídias. Os mesmos que patrulham, aliás, são aqueles que dizem que várias delas perderam a relevância. Perderam, é? Então por que patrulham? Perderam, reitero. E que deixem de patrulhar.

Em breve falo mais sobre o capítulo eleições do último J&Cia.

Jornal impresso: extinção não, perda de relevância

O monótono debate sobre o fim dos jornais impressos parece, enfim, ter chegado ao ataque adequado.

À “linha de extinção” de Ross Dawson, que mostramos aqui há duas semanas destacando que tratava-se de uma análise (ainda que contestável) sobre relevância, não uma previsão sobre sua extinção, acresceu-se agora outra, que pegou dados gerais de circulação na Europa e os dividiu pela população.

Por esse critério, nota-se que os países nórdicos, além de curiosidades como Luxemburgo e Liechtenstein, aparecem no topo da cadeia entre os consumidores de jornais. Logo, é possível dizer que nessas regiões o jornal possui mais importância do que, genericamente, costumamos determinar.

É o que acontece em países ainda em desenvolvimento, como Índia (que possui o maior número de títulos pagos do mundo, 2,5 mil) ou China (que tem mais jornais entre os 100 maiores em circulação no planeta).

Há anos estamos dizendo aqui que o jornal impresso, como o conhecíamos, já experimentou uma mudança importantíssima, deixando de ser um produto de massa. Há outras opções informativas (e mais agradáveis do ponto de vista tecnológico) a dividir atenção com o papel tingido de notícias e serviço.

Além de tudo, esse produto piorou e, em boa medida, passou a repetir as informações que o jornalismo on-line tem horas de vantagem na divulgação _isso também certamente explica essa perda de relevância a qual voltamos a comentar hoje.

Porém é impossível tentar imaginar o simples desaparecimento de algo cultural e enraizado. Insisto na aposta do jornal impresso como produto premium, mas é algo que, no Brasil, por exemplo, ainda está distante de ser debatido. Temos décadas de jornal na banca pela frente ainda.