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Como os publicitários se veem?

Como fizemos isso com os jornalistas, cabe agora homenagear nossos colegas…

O Facebook precisa ser de graça?

O Facebook diz gastar anualmente US$ 1 bilhão para se manter em funcionamento.

Ao mesmo tempo, anuncia ter 800 milhões de usuários, 500 milhões deles praticantes diários.

Se apenas esses 500 milhões pagassem US$ 2 por ano ao Facebook, a manutenção do site já estaria assegurada.

Em vez disso, Mark Zuckerberg não se cansa de adaptar sua rede social aos interesses das marcas (leia-se, os anunciantes).

Muito bom insight de Rian van der Merwe pra gente começar o ano.

Social Media Week alija o jornalismo da discussão

São Paulo foi uma das cidades que abrigaram, na semana passada, mais uma “edição de Primavera” da Social Media Week. E confesso que fiquei impressionado pela forma como o jornalismo foi alijado das discussões.

Tudo bem, eu entendo que o trabalho em mídia social é 90% estratégia de marketing e posicionamento de marca, mas nada explica o fato de que praticamente todas as mesas de debate tinham como protagonistas publicitários e povo de agências.

Discutiram dos cases mais desimportantes àqueles que, ainda que falassem com o público errado, chegaram ao estrelato (vide caso pôneis malditos).

Desde sempre a publicicidade teve mais liberdade (e dinheiro) do que o jornalismo. Bem por isso, o papo sobre trânsito e planejamento em redes sociais está anos-luz mais avançado entre esse galera.

Mesmo assim, temos experiências importantes para trocar. Especialmente porque o gerenciamento de comunidades em mídia social por jornalistas parece muito mais sintonizado com o conceito de troca e cumplicidade, básico para, mais do que vender um produto, prestar serviço e conquistar o cliente/leitor/usuário.

Fora que, na publicidade, o personalismo e a necessidade de holofotes colocam em segundo plano a pessoa mais importante quando se desenha uma política de mídia social: você.

Internet, o meio que mais cresce

A internet é o meio que mais viu crescer o faturamento publicitário no primeiro semestre deste ano, alcançando 5,5% de todas as receitas da mídia na rubrica.

Mídia exterior e TV por assinatura aparecem logo depois.

Primeiro na web, depois impresso

Artigo de Alysia Santo na Columbia Journalism Review analisa uma faceta interessante do modelo de negócios adotado por alguns projetos nascidos na web e que, posteriormente, criaram um braço impresso como estratégia de mercado.

Os motivos são basicamente três: cobrar mais dos anunciantes, reforçar a marca em pontos de venda e ganhar mais credibilidade.

Este último, ainda o maior ativo do jornalismo em papel.

Acharam o ‘duelo de opostos’ da publicidade

Parece que finalmente descobriram, na publicidade, o correspondente do “duelo de opostos” no jornalismo esportivo: o slogan “você conhece, você confia”.

Virou uma divertida página no Tumblr.

Internet, velocidade e controles de qualidade

A internet não será um bom lugar para praticar o jornalismo até que existam controles editorais de qualidade.

O debate entre David Simon e Aaron Sorkin, roteiristas de séries e filmes de sucessos como The Wire ou A Rede Social, foi um dos pontos altos da semana passada em Cannes (a cidade francesa abrigou mais uma edição do festival de criação publicitária).

A conversa era sobre produção de conteúdo e, tenho de deixar claro, discordo da sentença que abre este texto, citada no papo.

Não existe lugar bom ou ruim para praticar o jornalismo, ele está posto, e em todas as fronteiras.

Simon (ex-jornalista) foi o mais crítico de todos à velocidade de ferramentas como o Twitter _hoje absolutamente dominados pelo jornalismo. Ele pediu mais critérios e profundidade.

É, aquele velho problema da superficialidade e rapidez. Mas jornais impressos têm o timing de 24 horas e estão forrados de erros e informação ligeira (também faço um e sei do que falo).

Talvez a maior curiosidade da conversa tenha sido Sorkin revelar que tinha ouvido falar do Facebook “como sabia sobre um carburador” antes de adaptar o roteiro que ganharia o Oscar.

Ah, e Piers Morgan absolutamente deslumbrado com o poder de drive de audiência (para a TV) que o microblog possui.

O valor do leitor do papel versus o valor do usuário on-line

Impressionante este dado: um leitor da edição impressa do New York Times vale 228 vezes o usuário on-line.

O cálculo da Business Insider leva em conta o que cada um paga anualmente em assinatura _e quanto significa em termos de retorno de publicidade.

Há um publisher brasileiro de um grande jornal que não se cansa de dizer que o impresso ainda é a galinha dos ovos de ouro.

A movimentação do mercado publicitário rumo à internet, consistente, parece não ameaçar o impresso. Nem deve: quando falamos de veículos que estão em ambas as plataformas, o que acontece é agregar receitas, não dividir.

É uma lógica simples ainda não compreendida por muita gente que vê o on-line como um inimigo do papel _quando eles são absolutamente complementares.

Bradesco copia descaradamente o Itaú na TV

Você bem sabe que conheço pouco sobre publicidade _mais como consumidor, embora no jornalismo muitas vezes adotemos conceitos que nos permitam ampliar público e adesão ao nosso trabalho.

Percebi que na nova leva de comerciais televisivos do Bradesco os atores dos filmes imitam seus pares a serviço do Itaú, que há muito já desenhavam imaginariamente, com as mãos, a logomarca da instituição.

Como se fosse grande coisa, aliás.

Como consumidor, acho a cópia patética. Fosse resposável por contratar isso no Bradesco, já teria rompido o contrato com a agência.
Mas eu pouco entendo sobre publicidade, lembre.

A obsessão pelo clique

A campanha interativa que o Santander acaba de estrear na internet contém um vício que se estende a boa parte das empresas/pessoas que usam a web para se comunicar com um público específico: a obsessão pelo clique. Falo “clique” no sentido físico, o de apertar botões.

Capitaneada por Marcelo Tas, que já deu uma contribuição importante ao jornalismo com reportagens experimentais nos anos 80 (um dia falo mais sobre isso), a ação do banco está baseada numa área de vídeo em que uma série de atalhos surgem pedindo para serem clicados.

O próprio apresentador, e o material promocional, repetem a palavra “clique” com frequência.

Não são só Santander e Tas: o entendimento brasileiro sobre interação ainda está relacionado à quantidade de vezes que o usuário aperta algum botão de mouse ou teclado.

“Claro”, diria você, “a web está estruturada num ambiente que exige o clique”. É uma meia verdade.

Inevitável lembrar do projeto Don’t Click, que além de ter como objetivo mapear essa obessão humana, mostra, com um design arejado, como tornar a navegação menos penosa e bem mais suave.

Não custa pensarmos em opções de navegação (o Ajax, por exemplo, já deu uma contribuição tremenda ao promover a atualização de conteúdo sem demanda, ou seja, automatizada) que ajudem a gente a nos livrar dessa amarra.

Não será por isso que a “websérie”, como o Santander intitula a campanha, fracassará. Pelo contrário, é uma iniciativa a se observar.