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Detectado há seis anos, erro se perpetua em sites noticiosos

É impressionante, mas quanto mais fuço textos antigos sobre o jornalismo na internet, percebo o quanto os problemas persistem.

É assim com o clássico “A fundamental way newspaper sites need to change”, de Adrian Holovaty, redigido em setembro de 2006 e que apontava um erro crasso nas versões eletrônicas dos jornais impressos na web: ela, a mera transposição do conteúdo (o modo de contar as coisas levando-se em conta a unidimensão do meio papel, ou em português mais claro, a dificuldade de se libertar da ditadura do texto).

Desconte-se aí a longa folha de serviços prestados de Holovaty ao data journalism, ou uso de dados na profissão, que ele exacerba no texto.

Meu ponto coincide com o dele ao analisar a monocordia generalizada, que sempre desconsidera a melhor maneira de se contar uma história em detrimento do texto pura e simplesmente.

Evidente que o mashup de dados não é o único caminho, mas um deles. Assim como explorar melhor as potencialidades do meio em que, hoje, rastejamos.

Está tudo dentro da nossa cabeça: enquanto não pensarmos outras formas de contar histórias, ficaremos presos ao formato texto-lide.

Por que o Twitter é tão popular no Brasil?

Por que o Twitter é tão popular no Brasil, pergunta a revista Time, se escorando em dados que mostram que, em agosto, 23% dos internautas brasileiros visitaram o site, contra 11% dos americanos.

É uma questão difícil de responder até para quem viu a plataforma surgir do zero (quando ainda tinha pouquíssimos usuários no país) _desde 2007 utilizo o microblog em sala de aula.

O brasilianista James Green, ouvido pela revista, dá um chute arriscado: diz que “a falta de diversidade na mídia” levou os brasileiros ao Twitter.

Tem duas coisas a se considerar aí: primeiro, que o Twitter verdadeiramente “explodiu” e passou a ser conhecido no país apenas a partir do ano passado. É, ainda, muito pouco tempo de uso para se detectar alguma febre.

Junto disso, verificou-se o fenômeno de adoção da ferramenta por personalidades, o que seguramente ampliou seu leque de utilizadores (aqueles que gostam de dizer “tio” para William Bonner, por exemplo).

Qual o seu palpite?

CALA BOCA VEJA

Estou absolutamente chocado com a capa da Veja. Tenho repetido essa frase como mantra, desde ontem, quando vi uma foto de Galvão Bueno olhando para um passarinho na primeira página da revista.

Discutir a ascensão de uma micagem de internet nesse nível de relevância, num país em que pululam dossiês e a campanha eleitoral pega fogo antes mesmo de começar (sim, ainda é proibido fazer campanha, só a partir de 6 de julho está tudo liberado), soa como disparate.

Evidente que o CALA BOCA GALVÃO que nos acostumamos a ver no topo dos trending topics do site durante este Copa tem lá a sua marca de mobilização, mas por que então movimentos semelhantes (e bem mais importantes), como o ativismo global em torno do Irã quando da suposta reeleição fraudulenta de Mahmoud Ahmadinejad, não mereceram a mesma atenção da publicação?

A própria reportagem recorre aos protestos em Teerã para reforçar o poder do microblog _só que isso aconteceu há exatamente um ano e figurou com ainda mais destaque na linha de frente dos TTs do Twitter.

A conclusão é que o jornalismo no mainstream caminha celeremente para uma total absorção pela cobertura de celebridades, mesmo quando se trata de ecos até dignos de registro pela adesão, mas jamais nesse nível (capa mais sete páginas internas?). Estamos passando a imagem errada. Não, o microblog não é relevante. Sim, as pessoas querem mais é se divertir.

Para constar, no momento em que escrevo (22h33 de sábado), CALA A BOCA GALVÃO está fora dos trending topics mundiais da página.

Mas voltará, hoje tem jogo do Brasil.

É tudo tão previsível…

PS: o amigo Flavio Gomes também desabafou sobre o assunto, e de forma categórica.

PS1: e a matéria nem para alertar que o certo é “cala A boca”.

http://colunistas.ig.com.br/copa2010flaviogomes/2010/06/19/563/