Uma nova modalidade de passaralho está rolando na imprensa mundial. Agora, é a cabeça do ombudsman _representante dos leitores nos veículos_ que está a prêmio.
É emblemático que o primeiro jornal a criar o posto na América do Norte (o The Courier-Journal), e há 40 anos, o tenha extinguido no começo da semana. Ao menos seu titular, Pam Platt, foi reaproveitado numa editoria.
A extinção segue os exemplos de The Minneapolis Star-Tribune, The Baltimore Sun, The Fort Worth Star-Telegram, The Orlando Sentinel, The Hartford Courant e do The Palm Beach Post _todos deixaram de ter essa figura em suas folhas de pagamento.
A análise da gradual desimportância da função relaciona diretamente o fato ao avanço dos canais de comunicação redação-leitor (notadamente a internet e os instrumentos do que se convencionou chamar de Web 2.0).
Faz sentido, já que agora o contato com jornalistas é direto. Além disso, blogs estão fazendo o papel de defesa do leitorado, denunciando mazelas e ruindades diárias da imprensa.
Para completar, como normalmente o cargo é ocupado por um jornalista respeitável e veterano, o orçamento da “pasta” foge ao nível que os veículos pretendem hoje dispender com seus profissionais.
No Brasil, a instituição ombudsman no jornalismo _que nunca pegou, tanto que só dois jornais abraçaram a causa_ sofreu um duro golpe depois que a Folha de S.Paulo não renovou o mandato de Mário Magalhães, o mais crítico e metódico profissional a ocupar o cargo, suscitando insinuações de que teria sido dispensado justamente por enxovalhar (muitas vezes de forma correta) o jornal em sua crítica diária. Que, por sinal, deixou de ser aberta ao público, na Internet.