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O Globo de cara nova

Estreou ontem a nova home de O Globo _e um novo conceito on-line, priorizando a apuração/checagem acima da velocidade que muitas vezes joga um papel negativo no dia a dia em tempo real.

Google+, um museu de grandes novidades

Ninguém me tira da cabeça que o Google+ é a ressurreição do Google Wave, que aliás não deu certo.

É muito difícil concorrer com o Facebook. E a grande pergunta: é necessário?

Não seria mais lógico pensar em produtos que possam ser utilizados em associação uns com os outros, do que meramente em cópias?

ATUALIZAÇÃO: Hoje, em O Globo, Pedro Doria analisa o tema com mais profundidade.

O dia em que os arapongas da ditadura descobriram como se faz um jornal diário

Simplesmente saborosa a descoberta do repórter Jailton de Carvalho, de O Globo, que revelou em sua edição de ontem o patético relatório produzido em 1972 por arapongas da Aeronáutica intitulado “Elementos suspeitos no O Globo”.

Nele, agentes infiltrados no jornal relatam que “elementos agitadores e subversivos” vinham tomando conta de postos-chave na redação do periódico carioca.

Gente esquisita como um “comunista que tem a seu cargo ler todas as matérias e, se achar que não estão boas, manda o repórter reescrever, modificando-a a seu gosto”. Prazer, araponga, esse aí é um editor.

Em outro trecho de antologia, o serviço secreto estranha que houvesse “notícias divergentes” entre uma edição e outra do jornal. Meus caros espiões, sejam bem-vindos ao segundo clichê.

Óbvio que o relatório carrega a paranoia típica dos anos de chumbo, mas revela também que o jornalismo é mesmo quase impenetrável para os leigos.

Em 1933…


…até Lampião, no sertão nordestino, lia jornal impresso.

(fotografia sensacional do acervo do jornal O Globo)

Folha e Super Notícia encabeçam vendas

Saiu o IVC de novembro, com Folha (311,4 mil exemplares em média), Super Notícia (311,1 mil) e O Globo (282,1 mil) nas primeiras posições.

Mais informações na própria Folha, para assinantes.

A última do link patrocinado, a revanche

Aconteceu de novo _e outra vez no site do jornal O Globo.

Uma matéria que conta uma situação dramática (uma menina que ficou presa numa máquina de lavar roupas) ganha o indesejável acompanhamento de links que vendem o eletrodoméstico.

Problemas do uso de palavras-chave patrocinadas no jornalismo, já abordada aqui. Um erro, não pode.

(A dica é do solerte Everton Maciel).

Jornal impõe restrições em perfis pessoais de seus profissionais na web

O Globo divulgou na quinta-feira o que chama de “Estatuto das Eleições 2010“.

No conjunto, são medidas absolutamente dentro do bom senso, como sugerir aos seus jornalistas que não usem “distintivos, camisetas ou qualquer peça de propaganda de candidatos”.

A peça de dez regras e alguns adendos, porém, faz marcação cerrada contra os perfis pessoais dos funcionários em sites como Twitter e Facebook, porque “na prática, qualquer conteúdo publicado nas redes sociais poderá ser associado à linha editorial do jornal”. É? Se for, é um erro de quem faz a associação.

As restrições vão além e versam até sobre prática do retweet e adição de “amigos”.

“No caso específico do uso de Twitter e/ou outros microblogs, fica vedado ao funcionário do GLOBO a prática de reenvio (“retweets”) de conteúdos publicados por partidos políticos ou candidatos. Também não será permitido usar o serviço para propagar links para sites (pessoais ou institucionais) que contenham propaganda político-partidária, ou que sejam tanto ofensivos quanto elogiosos a determinado candidato.

Se, por necessidade profissional, jornalistas precisarem adicionar candidatos ou partidos políticos como “amigos” em páginas do Facebook, Orkut e demais sites de relacionamento, devem fazê-lo de forma equilibrada, evitando restringir a prática a apenas um determinado candidato ou partido. As inclinações políticas de jornalistas do GLOBO não devem aparecer também em seus perfis pessoais nesses e em outros sites de relacionamento.”

Da forma que foi redigido, o estatuto invade um terreno perigoso _e indefensável.

Outras restrições, em outros veículos, certamente virão.

Uma charge genial vale mais do que um milhão de palavras

Os Beatles na Abbey Road seguem Lula e seu isopor cheio de energéticos (Chico Caruso, capa de O Globo de 8/1/2010)

Os Beatles na Abbey Road seguem Lula e seu isopor cheio de energéticos (Chico Caruso, capa de O Globo de 8/1/2010)

O erro dos jornais que investem contra o Google News

Folha e O Globo aderiram, na semana passada, à Declaração de Hamburgo, um documento da indústria dos jornais que clama pelo “respeito às leis de propriedade intelectual para textos jornalísticos reproduzidos na internet”.

O problema é que a carta (PDF), como quase sempre acontece quando neófitos tentam falar ou legislar sobre a web, imagina ser capaz de definir limites absolutamente incontroláveis porque a internet, e quem não sabe disso parou no tempo, é dominada pelo usuário, não por grandes corporações.

Primeiro que os publishers deixam claro que a cobrança por conteúdo é uma prioridade _quase uma panaceia que estabelecerá paredões pagos cujo único efeito prático será o desaparecimento das marcas (e de seu conteúdo) da internet “legal”.

Claro, se você se fecha totalmente a assinantes, se esconde do resto do mundo que usa as ferramentas de busca para encontrar o que deseja. Sem contar que nem isso garante a proteção ao seu rebanho _seu conteúdo será distribuído de um jeito ou de outro, e na maioria das vezes por pessoas que amam você.

Outro erro da indústria jornalística é investir contra agregadores como o Google News. Pode ter certeza de que eles não estão usurpando seu conteúdo, mas o divulgando e levando a lugares que você jamais esperava alcançar.

E não me venham falar no exemplo do The Wall Street Journal, que a cada dia amplia sua carteira de assinantes on-line (eles já são bem mais de um milhão). Informação econômica (e que se reverte em dinheiro) é precisamente a única que o ser humano não está disposto a compartilhar.

Bem por isso Rupert Murdoch adiou recentemente seu plano de cobrar pelo acesso aos sites jornalísticos sob o seu comando. É que é preciso uma justificativa muito forte para fazer as pessoas pagarem pelo que é de graça há tempos na internet.

Trabalho para um psicólogo mesmo.

Jornalismo colaborativo ganha força em O Globo

Muito legal a iniciativa do jornal O Globo na campanha “Dois Gritando“, que tenta incentivar o jornalismo hiperlocal e a colaboração, contando para isso com a participação de seus leitores.

Pelos próximos três meses, o jornal vai publicar reportagens exclusivas baseadas em informações prestadas ou sugeridas por seus clientes. Trinta e seis temas (favelização e rua sem calçamento são dois exemplos) foram destacados inicialmente, mas o leitor pode incluir outros.

É o tipo de iniciativa adequada à necessidade de conversação com o público, mas me preocupa seu caráter temporário. Não podemos nos dispor a ouvir as pessoas por apenas três meses: é um trabalho de formiguinha interminável.

Se bem que O Globo é, de longe, o jornal brasileiro com maior diálogo com seu público. Basta lembrar das vezes em que material do Eu Repórter, o canal permanente de participação do periódico, apareceu nas páginas do produto impresso.

De toda forma, uma vez mais é O Globo _até por sua característica provinciana, mesmo sendo um jornalão_ quem se mostra mais preocupado com o que as pessoas estão falando, discutindo e se incomodando.

Aliás, sobre o provincianismo que citei acima: está certíssimo. Jornais com pretensões de alcance nacional, em geral, não conseguem atingir seus objetivos fora da sede e, ainda por cima, decepcionam o leitor da cidade onde são publicados. Em resumo: não consegue cobrir o país adequadamente, e ainda deixa brechas locais porque tem de gastar papel com assuntos gerais nacionais.

Passou da hora de derrubar esse tabu.