Arquivo da tag: NYT

O New York Times se declara sem ideias

Já tem mais de uma semana, mas vale o registro: o The New York Times anunciou oficialmente aos seus leitores que está sem ideias.

Explica-se: o blog “Idea of the Day”, que tratava de boas práticas no meio on-line, foi descontinuado após dois anos.

A justificativa é bem pior do que a decisão: diz a redação que “o fim do blog é resultado da escassez de recursos em um meio onde (…) constantemente surgem novas prioridades”.

É justamente onde surgem novas prioridades que estão as boas ideias, correto?

Os jornalões estão em guerra

Vazamento de informações sigilosas não estão apenas na ordem do dia da política brasileira, mas também do jornalismo internacional.

No momento, New York Times e Wall Street Journal, dois dos mais importantes jornais do mundo, estão em pé de guerra por causa de métodos nada éticos para obter informação _caso de alguns veículos de propriedade de Rupert Murdoch, dono do WSJ.

Permito-me reproduzir texto de Kenneth Maxwell publicado ontem pela Folha de S.Paulo. É o resumo da ópera.

“No mundo da mídia impressa, há uma batalha monumental em curso entre o “New York Times”, de Arthur Sulzberger, e o “Wall Street Journal”, de Rupert Murdoch.

Para Murdoch, o “New York Times” representa tudo o que ele mais odeia no jornalismo, e o empresário parece determinado a desafiar e a solapar o seu grande rival. Murdoch é notório pelas suas guerras jornalísticas, especialmente no Reino Unido, onde controla o “Times” e o “News of the World”. Mas a disputa entre o “Wall Street Journal” e o “New York Times” promete ser a maior das batalhas.

O mais recente episódio começou com uma reportagem investigativa de Don Van Natta Jr., Jo Becker e Graham Bowley, publicada pelo “New York Times” com o título “O ataque do tabloide: as escutas de um jornal londrino contra os ricos e famosos”.

A Scotland Yard identificou a origem de escutas usadas contra família real e chegou a Clive Goodman, antigo repórter judicial, e Glenn Mulcaire, antigo investigador particular, que também trabalhava para o jornal “News of the World”.

Os dois haviam obtido as senhas necessárias para ouvir as mensagens de voz dos príncipes Andrew e Harry. O “New York Times” alegou que repórteres do “News of the World” também invadiram as caixas de mensagens de voz de centenas de celebridades, funcionários do governo e astros dos esportes britânicos.

Tanto Goodman como Mulcaire foram demitidos e aprisionados. O “New York Times” acusou, no entanto, que a Scotland Yard não levou adiante as investigações sobre pistas que sugeriam que o “News of the World” estava conduzindo operações de escuta contra cidadãos de maneira rotineira.

O foco estreito da investigação permitiu que o “News of the World” e sua companhia controladora, a News International, de Murdoch, atribuíssem o caso às ações de um jornalista. Tanto Goodman como Mulcaire abriram processos contra o “News of the World” -os dois casos foram encerrados por meio de acordos extrajudiciais. O editor do “News of the World” no período em questão, Andy Coulson, também se demitiu. Hoje é diretor de comunicações na equipe do primeiro-ministro David Cameron.

A revista “Vanity Fair” afirmou nesta semana que assistir à disputa era como “ver uma briga entre os Corleone e a família Tenembaum”. Na segunda-feira, John Yates, comissário assistente da polícia londrina, disse que, “se surgirem novas provas, que justifiquem novas investigações, é isso o que faremos”.

NYT fala pela primeira vez em deixar de publicar

Provocou algum furor a declaração de Arthur Sulzberger Jr, publisher do New York Times, de que um dia o jornal “será forçado” a parar de publicar o produto em papel.

Foi numa resposta a questionamento sobre um suposto crepúsculo para o impresso (perguntou-se se era 2015).

Essa (o fim do impresso) ainda é uma pergunta sem resposta, mas foi a primeira vez que o NYT falou oficialmente sobre isso.

Sulzberger falou também sobre o muro do conteúdo pago, que o jornalão faz subir a partir de 2011. Deu em outra frase ótima: “Para sermos bem-sucedidos, é preciso correr riscos”.

Vamos ver até onde vai essa máxima.

(Leopoldo Godoy foi quem deu a dica)

Previsões para 2010: o ano em que cobraremos por conteúdo

2010 será, finalmente, o ano em que cobraremos por conteúdo?

Para alguns magnatas de mídia, certamente. A cruzada pelo pagamento por consumo de notícias, como se notícia fosse, por exemplo, música, move os últimos anos da vida de Rupert Murdoch _que rompeu com o Google e, mediante um acordo com o Bing, não vai sumir totalmente das máquinas de busca.

Richard Pérez-Peña faz, no NYT, uma análise coerente da escalada de acontecimentos que levou à drástica decisão de setores do mainstream (como o próprio NYT) a dar um tiro no pé e passar a cobrar pelo que os internautas sempre tiveram (e terão) de graça.

A constatação de especialistas ouvidos na matéria do NYT casa com a percepção geral de que conteúdo muito específico, como o econômico, o único que as pessoas não querem compartilhar, ou de nicho são capazes de prosperar num ambiente de payperview. Sites noticiosos generalistas, porém, dificilmente poderão se manter se adotarem a proteção do paredão pago.

Minha única dúvida é saber quanto vai custar, para a grande mídia, cobrar por conteúdo jornalístico. Será bem caro e sugere, de antemão, que haverá passo atrás.

É pagar pra ver.

NYT produz vídeo-obituário de ex-presidente

Não, um jornalista não torce para ninguém morrer (quer dizer… depende, vai). Mas ele tem de estar preparado para a hora da morte de uma pessoa relevante.

É o caso do New York Times. Além, é claro, de manter atualizadas bases de dados que precisarão apenas de pequenos retoques quando a celebridade se for, o jornal está investindo fortemente em vídeo-obituários _o formato estreou há dois anos, com o comediante Art Buchwald.

 ”Olá, eu sou Art Buchwald e acabo de morrer”, diz, o morto brincalhão logo no início do vídeo que inaugurou a sessão, sugestivamente batizada de Last Word, ou última palavra.

A ideia é excelente e funciona assim: primeiro, é claro, o jornal identifica personalidades que estejam, digamos, pela bola sete. É evidente que se trata de uma negociação complicada. Há pessoas, como Buchwald, que entram completamente no espírito do documentário (neste caso, basicamente uma entrevista relembrando passagens da vida do personagem).

Outras, como o comentarista e escritor William F. Buckley, preferem declinar o convite do NYT _a propósito, Buckley morreria meses depois de ter se recusado a falar sobre sua vida e obra.

Segundo David Rummel, produtor-chefe de notícias e documentários do NYT, já há 30 vídeo-obituários prontos e mais dez em produção.

O assunto voltou à tona esta semana porque o jornal revelou, sem divulgar o nome, que já entrevistou um ex-presidente para a seção.

Os Bush (pai e filho) informaram que não deram qualquer tipo de entrevista ao NYT.

Sobraram Carter e Clinton.

Façam suas apostas.

Wikipedia protege jornalista

O jornalista norte-americano David Rohde, repórter do New York Times, contou com uma autêntica força-tarefa capitaneada por seu jornal para evitar que notícias sobre seu sequestro pela milícia Talebã chegassem à internet (o jornal português Público explica a lógica por trás disso).

Nos jornais, já é quase uma praxe: há um espírito de corpo que evita, nesses casos, noticiar sequestros de jornalistas _o mesmo cuidado, como já se cansou de ver (embora tenha sido ampliado drasticamente nos últimos anos), não vale quando se trata de um cidadão “comum”, digamos.

Mas hoje não existe apenas a imprensa formal. Mais, a informal tem mais força e penetração. Daí o NYT precisou falar com Jimmy Wales (o criador da Wikipedia) em pessoa para censurar e bloquear o verbete de Rohde na enciclopédia colaborativa on-line.

Deu certo: reverteram várias vezes menções sobre o sequestro até que Rohde fugiu do cativeiro _e agora pode contar sua própria história.

Para benefício também da Wikipedia, que liberou a adição de trechos sobre o assunto.