Arquivo da tag: multimídia

Mais um vídeo com cara de novos tempos

Faz tempo que teço loas a bons exemplos de novas narrativas jornalísticas, ao mesmo em que me preocupa tanto quanto a você de que forma vamos fazer jornalismo em vídeo _em dispositivos móveis ou na web.

Nem aprendemos como fazer na web, aliás, e já nos deparamos com vários outros desafios…

O atropelamento de um grupo de ciclistas na noite passada, em Porto Alegre, foi registrada pelo CicloDocs (um canal no YouTube) com uma edição nervosa, excelente, adequada.

É um bom complemento para um texto que já conta muito, como o da Zero Hora.

Exemplifica bem o que eu defendo como o caminho do vídeo jornalístico em plataformas multimídia (Notebook, PC, Mac, celular, iPad etc).

Se queremos integração papel/on-line, a produção em vídeo tem de seguir esse caminho no dia a dia _claro que conteúdos especiais, resolvidos unicamente em vídeo, podem ter tratamento de matéria de TV. Mas sou xiita: acho fora de lugar.

‘Ambulanciaterapia’ consolida expertise do JC em novas narrativas

A “ambulanciaterapia”, aquela prática de transferir pacientes de cidades do interior para hospitais nas capitais, consolida a vocação do Jornal do Commercio, de Recife, para a webrreportagem com “A Viagem de Joanda“.

Conteúdo que vale a pena explorar feito por gente que, em outra oportunidade, já tinha recorrido a conceitos de HQ e fotonovela para contar uma história.

Estou gostando de ver.

O obituário on-line do Jornal do Brasil

Alunos da disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa II de Jornalismo da Uerj, sob a coordenação do professor Marcelo Kischinhevsky, produziram uma espécie de obituário do Jornal do Brasil que, como todos sabemos, deixou neste ano de circular em papel e sobrevive apenas na versão on-line (onde, aliás, foi pioneira entre os veículos de comunicação nacional).

Trabalho interessante que merece ser visitado.

Uma imprensa para cada um

Mais de uma vez já escrevi aqui que se no meu tempo houvesse o acesso à tecnologia que vivenciamos hoje, talvez nunca teria trabalhado numa redação _faria jornalismo cidadão com meu celular ou netbook, numa boa, publicando tudo num blog ou coisa que o valha.

É sério. Com as armas que todos dispomos agora, quase idênticas às do jornalismo profissional, não faz muito sentido se acotovelar numa redação em busca de um lugar ao sol.

Ao jornalista de carreira, é verdade, há o privilégio da legitimação. Um exemplo bobo, mas prático: após o jogo de futebol, ele tem acesso a treinadores e jogadores, coisa que um cara que faz jornalismo como hobby tem de sofrer para, talvez, conseguir _sim, a internet permite conquistar legitimação (e os vários casos de jornalistas independentes com acesso aos personagens do noticiário prova isso).

O jornalista profissional tem ainda, à frente de si, a relevância e a credibilidade do veículo que representa. Não é pouco e abre portas.

Uma iniciativa individual pode atingir esse patamar, mas é uma trilha bem mais cansativa. Possível, mas desgastante.

A foto lá de cima, o equipamento individual de um freelancer, não pode intimidar. Com muito menos (e eu sou testemunha disso) dá para fazer bom jornalismo.

Mas, sinal dos tempos: é frequente ver outsiders muito melhor equipados _e sintonizados com a agilidade que nossos tempos pedem_ do que repórteres do mainstream.

Um laboratório de jornalismo comunitário

A eleição de ontem é um ótimo pretexto para falar do projeto de jornalismo comunitário que o amigo Bruno Garcez está tocando com a cara e a coragem.

O projeto multimídia (cujo resultado pode ser conferido no blog Mural) incentiva “correspondentes comunitários” a produzir textos, fotos e vídeos e já formou 40 alunos _blogueiros, jovens com alguma experiência em jornalismo e outros interessados egressos de comunidades de periferia e de regiões pobres.

O trabalho de Garcez é exemplo de como a convivência pro-am (profissionais e amadores) pode fazer bem ao jornalismo.

Apocalipse jornalístico

Baita animação da The Economist feita no auge da crise financeira, meados de 2008. Pegada jornalística e tudo.

É a descrição do fim do mundo tendo o jornal impresso como metáfora.

Simplesmente sensacional.

(Via @contrafactos)

Vídeos na web: a valorização do som ambiente

Uma transmissão de futebol em que você ouve apenas a torcida (tá, o locutor, de forma incidental).

Eu acho esse formato o mais adequado para a web on demand, quando todo mundo sabe o resultado do jogo e como foram os gols.

Descrever em texto lances relevantes basta. Em vídeo, basta botar o som ambiente, sem malas falando o óbvio.

É um diferencial na internet que parece evidente, mas pouco visto.

Filme de 1982 sugere ‘inovações’ ao jornalismo de hoje

Koyaanisqatsi, filme de 1982, é uma lição de colagem de imagens e edição de trilha sonora.

Muita coisa a se aproveitar no jornalismo, mas especialmente a câmera fixa, conceito antigo que consiste em monitorar por várias horas determinado lugar com a intenção de exibir transformações.

Insisto nisso como algo supermoderno.

Série ‘Novos Pobres’ mostra aquilo que o jornal impresso sabe fazer

A série Novos Pobres, que o The New York Times está publicando, é trabalho talhado para um jornal impresso fazer.

Profundo (sem ser cansativo) e ao mesmo recheado de peças multimídia, faz a lição de casa como papel e brilha on-line _o que já se tornou uma tradição da casa.

Como no episódio mais recente, que mostra que a população negra de Memphis perdeu décadas de avanço com a crise econômica que estourou em 2008 (e ainda não acabou).

Uma saída multimídia para complementar o jornal impresso

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em sabatina da Folha registrada pelo Garapa

A linguagem de vídeo na web foi tema de uma conversa nesta semana com a nova turma de trainees da Folha. Antes, é preciso entender de que tipo de site falamos: a versão eletrônica de um jornal impresso, ou seja, que deve produzir uma boa dose de conteúdo complementar _além, é claro, de muitíssimos voos solo.

Complementar no sentido estrito do termo, ou seja, agregador, não replicador.

Por isso eu não me canso de mostrar os vídeos do coletivo de fotógrafos Garapa, no caso uma cobertura específica dos bastidores de sabatinas da Folha com candidatos à prefeitura de São Paulo em 2008 (como a de Gilberto Kassab).

Mistura de slideshow com vídeos, mínima intervenção de texto e muito som ambiente. Fórmula ideal para acompanhar o que o veículo impresso traria efetivamente (a transcrição editada da entrevista).

A única imitação de TV que considero válida no caso dos jornais de papel com edição on-line são as já famosas (e bem antigas no formato) entrevistas de estúdio. Ainda assim, o pior que pode acontecer é nossos bravos repórteres do impresso caírem na armadilha de imitar os coleguinhas da telinha _e é o que vemos por aí. Vídeo, na web, virou fazer TV.

Vamos aprender um pouco mais com o Garapa.