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Em bom português

Para quem não leu no original, o Estado de S.Paulo de ontem traduziu (e publicou em duas páginas) o artigo de Walter Isaacson defendendo o micropagamento como uma solução para tirar o jornalismo impresso (o americano, diga-se) do fundo do poço.

Sem recorrer à tradução do texto, a Folha de S.Paulo também debateu o assunto no final de semana (para assinantes do jornal ou do UOL).

Você já sabe o que eu e outras pessoas pensamos, mas como o debate chegou ao Brasil, veremos o que de novo acontece nesta semana.

Ainda os micropagamentos: você doaria dinheiro ao seu jornal?

Eu tentei, mas eu não consigo: nesta semana está absolutamente impossível fugir do assunto micropagamentos, a surreal proposta de uma coisa já utilizada na Web (e reprovada) agora ressuscitada para, dizem os seus defensores, salvar os jornais impressos.

Steve Outing pensa exatamente o mesmo e escreveu, na Editor&Publisher, um texto bacana nos lembrando, de novo, que cobrar do internauta “é contra a natureza da Internet e não funcionou” quando testado. Em vez de salvar, essa política vai terminar de pregar o caixão dos morubindos impressos.

Cobrar por conteúdo é uma insanidade. A taxação sobre produtos e ferramentas especiais e/ou personalizadas, aí sim, não tem contraindicação. Mas, no momento, o que se quer com o microcropagamento é voltar a um estado de coisas que foi rechaçada no começo da rede.

Em vez disso, Outing cita o exemplo do Kachingle, um arrecadador de doações para sites _aliás outro modelo de negócios que está sendo seriamente discutido nos EUA.

Você doaria dinheiro para o seu jornal não morrer?

A balela dos micropagamentos

Está ótima a discussão iniciada por Clay Shirky (autor do indispensável “Here Comes Everybody“) sobre a proposta de micropagamentos para salvar o jornalismo impresso _grosso modo, se você vai imprimir um conteúdo, pague US$ 0,50; se for ler na tela, US$ 0,20, e assim por diante.

 É incrível, apesar de a Internet ter um passado tão recente, as pessoas não lembrarem que esse modelo já foi usado (e reprovado) nos primórdios.

 Além da indisposição natural do internauta a não ser taxado pelo que sempre recebeu de graça, esconder seu conteúdo atrás de um paredão pago significa, também, sua morte on-line (fora das máquinas de busca, você não é indexado ou encontrado). 

É o que nos relembra, agora, Shirky.