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A googlelização de tudo (mas o que podemos fazer?)

Professor da Universidade de Virginia, Siva Vaidhyanathan é autor de uma importante obra que aborda, sobre diversos aspectos, a monocultura do Google.

A Googlelização de Tudo (e porque devemos nos preocupar)” basicamente acusa a empresa de Larry Page e Sergei Brin de tecnofundamentalismo _sempre será possível apresentar uma solução técnica para um problema da humanidade.

Vaidhyanathan não é xiita e, em diversos momentos, reconhece a excelência do Google e de vários de seus produtos.

Mas alerta que os controles de privacidade da empresa, apesar de personalizáveis, constituem uma amarra quase obrigatória: o serviço de busca funciona melhor para quem cede seus dados à companhia. Isso sim é grave.

Ontem, Mariano Amartino escreveu sobre a dominação do Google e decreta: hoje é praticamente impossível construir um negócio on-line que não tenha um pilar fundamental amparado num serviço da empresa.

O passo seguinte a essa discussão toda é: e nós, podemos fazer o que?

Radiojornalismo hipermidiático

“Radiojornalismo Hipermidiático”, de autoria de Debora Cristina Lopez, está disponível on-line.

No livro a autora, que é da Universidade Federal de Santa Maria (RS), defende que o rádio “já não é mais um meio de comunicação monomídia, mas utiliza linguagem multimídia, dispositivos multiplataforma e novos formatos para o jornalismo.”

Em sua pesquisa, Débora analisou emissoras dedicadas integralmente ao jornalismo, como CBN e BandNews.

Um passo interessante para que repensemos o verdadeiro impacto da conectividade em todas as mídias.

As antológicas entrevistas da The Paris Review

Fundada em 1953, a revista literária The Paris Review ganhou uma antologia agora traduzida para o português.

Trata-se de entrevistas célebres da publicação, que desde sua criação sempre deu mais espaço aos autores do que aos críticos.

Além da qualidade dos entrevistados, nem é preciso dizer que os textos (e os diálogos) são primorosos.

Quem dispensar o trabalho de mediação do curador que organizou o livro pode ir direto ao acervo da revista, aberto na internet.

Perspectivas da pesquisa em comunicação digital, o livro

O livro “Intercom Sul 2010: perspectivas da pesquisa em comunicação digital”, com textos de 31 pesquisadores brasileiros, já está disponível para download.

Ainda não tive tempo de avaliar a obra (são mais de 600 páginas!), organizada pelos colegas Maria Clara Aquino (Ulbra), Adriana Amaral (Unisinos) e Sandra Montardo (Feevale).

O trabalho é resultado da Divisão Temática Comunicação Multimídia e do grupo de Comunicação e Multimídia do Intercom Júnior do XI Intercom Sul, que aconteceu em maio do ano passado, na Feevale.

Para degustar com calma, num domingo, vai bastante bem.

O Facebook merece um romance ou um documentário?

O Oscar não é a diferença mais marcante entre “Bilionários por Acaso”, de Ben Mezrich, e “O Efeito Facebook”, de David Kirkpatrick _transposta para o cinema, a obra de Kirkpatrick poderia concorrer à estatueta na categoria documentário.

Os dois livros que dissecam o fenômeno têm um distanciamento de origem. No primeiro, Mezrich assume escrever um romance (nas primeiras páginas, o autor admite recriar “diálogos e situações”).

No segundo, Kirkpatrick amassa barro e vai atrás das figuras que construíram esse negócio bem-sucedido.

Entre a ficção e a reportagem, o cinema escolheu o primeiro. Faz muito bem: a lenda é sempre mais eletrizante do que a realidade.

(mais em podcast na Folha.com)

Livro analisa mudanças que a tecnologia impôs ao jornalismo

Numa era em que o avanço tecnológico deu uma imprensa particular para cada um, é impossível falar de jornalismo on-line sem abordar a participação do público.

O fim da fronteira entre mídia formal e a ex-plateia, como muito bem teorizou Jay Rosen (professor da Universidade de Nova York), é apenas um dos aspectos que a jornalista Magaly Prado aborda no livro “Webjornalismo”, lançado nesta semana pela Editora LTC.

Apesar de muitos jornalistas não terem percebido que seu trabalho mudou com a vida em rede, é óbvio que instâncias pessoais de manifestação (como os blogs) e a capacidade de vigilância e mobilização que a internet proporcionou às pessoas tornaram o fazer jornalístico um exercício de conversação.

Vivemos a época dos “‘produsers” _o termo é uma junção de produtor e usuário e foi cunhado em 2005 por Axel Bruns, autor de uma obra importantíssima para se compreender a transformação da profissão, “Gatewatching”, jamais traduzida para o português.

Com proposta didática e voltada para a sala de aula, Magaly discorre sobre essa nova e auspiciosa fase do jornalismo profissional, agora tocado a muitas mãos.

Mas é claro que a internet, onde a colaboração entre profissionais e amadores é muito mais evidente, também abriga práticas de jornalismo, digamos, tradicionais.

Com linguagem fácil e fragmentada (às vezes, fragmentada até demais), Magaly aponta boas práticas, mostra caminhos adotados no país e no exterior e, por meio de depoimentos de importantes profissionais da web brasileira (algumas vezes sem edição e publicados na íntegra), refaz a trajetória da plataforma desde 1995, quando desembarcou comercialmente por aqui.

Com cerca de 150 imagens, quase todas impressões de tela, o livro de Magaly também discorre sobre a chegada do iPad e sua influência na produção de conteúdo.

Ainda faltam, em português, obras que consigam abarcar toda a complexidade que a rede trouxe para o jornalismo. Mais difícil ainda é resumir, em papel, as vastas possibilidades do meio on-line nesta profissão tão antiga. O livro de Magaly é, nesse aspecto, uma boa tentativa.

WEBJORNALISMO
AUTORA Magaly Prado
EDITORA LTC
QUANTO R$ 40 (272 págs.)

(resenha que publiquei na edição de sábado da Folha de S.Paulo)

Circo midiático e os mineiros do Chile

Pelo menos 1,5 mil profissionais de 350 veículos globais estão credenciados para acompanhar o resgate dos 33 mineiros soterrados há mais de dois meses em Copiapó, no norte do Chile.

Texto da Columbia Journalism Review conclama os profissionais a refletirem sobre como não transformar a cobertura num grande circo midiático.

Difícil quando já se tem notícias de que os mineiros têm um pré-contrato para a divisão dos direitos sobre entrevistas, livros, filmes etc.

Jornalista não tem medo de morrer

Acaba de ser traduzido para o espanhol o livro “Murder Without Borders” (Assassinato sem Fronteiras), do canadense Terry Gould.

A obra investiga os assassinatos de sete jornalistas em distintas regiões do planeta (só no ano passado, 76 colegas perderam a vida).

Sua conclusão é espetacular: porque todos eles adotaram uma atitude quase suicida ao prosseguir em suas investigações a despeito das ameaças de morte?

“Todos eles concluíram que deviam aceitar a morte como consequência de seu trabalho”, diz o autor.

Por essas e por outras me orgulho desta profissão.

Estudo sobre jovens e web é pretexto para vender lições

Entra best-seller, sai best-seller, Don Tapscott continua a escrever para um público que ainda se surpreende com o que a internet fez por nós e também com tudo aquilo que podemos fazer com ela.

Foi assim em “Wikinomics”, talvez o maior sucesso do canadense, palestrante disputado e consultor na área de novas mídias -a obra chegou a 22 países.

É assim em “A Hora da Geração Digital – Como os Jovens Que Cresceram Utilizando a Internet Estão Mudando Tudo, das Empresas ao Governo”.

Originalmente lançado em 2008, o livro é desnecessário: é um pretexto para vender as ideias (e o negócio) de Tapscott, um persistente candidato a guru tecnológico que jamais abandona o tom de autoajuda em seus escritos.

Bem por isso, a obra se dedica a dar conselhos de toda sorte. De métodos para ter uma mente aguçada a dicas para gestores, empreendedores, pais e até governantes.

Desta vez, pelo menos, há trabalho duro por trás: o livro é resultado de uma pesquisa que custou US$ 4 milhões e ouviu mais de 10 mil jovens sobre seu comportamento na internet.

Claro, é tudo muito americano (defeito menos grave do que os quase dois anos que separam o levantamento da chegada ao público brasileiro, uma eternidade em se tratando da web).

Porém o canadense discorre, sempre com a segunda intenção de vender algum tipo de solução fácil (ele é dono da empresa que coordenou a pesquisa), sobre assuntos que outros autores já abordaram de forma definitiva.

REFERÊNCIAS
Como o engajamento político, por exemplo, dissecado em cada palmo pelo sociólogo espanhol Manuel Castells no brilhante tratado “Communication Power” (O Poder da Comunicação, Oxford University Press, 2009).

Ou a força da mobilização e da vigilância do público pela internet (e também a produção colaborativa de conteúdo), objeto de estudo de Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York, no indispensável “Here Comes Everybody” (Aí Vem Todo Mundo, Penguin, 2008).

Assim como a inevitável convergência de mídias e produtos, uma necessidade dos tempos da conexão integral, que Henry Jenkins analisa com primor em “A Cultura da Convergência” (Aleph, 2008) -única das três obras citadas que possui tradução para o português.

O novo livro de Tapscott tem, no entanto, o mérito de tentar resumir todos esses assuntos, fundamentais para se compreenderem as mudanças pelas quais o mundo está passando.

Analisar esse contexto de transformação tendo como ponto de partida a geração que já nasceu digital acaba sendo, de fato, uma boa ideia. Mas sem pensar em usá-la para ensinar lições de como proceder diante da avalanche da tecnologia.

Oito casos de convergência analisados bem de perto

Já saiu do forno o livro “Jornalismo Integrado: Convergência de Meios e Reorganização de Redações“, editado pela Universidade de Navarra.

A obra estuda em profundidade oito casos de jornais que optaram por integrar suas redações em papel e on-line. São eles: Daily Telegraph, Tampa News Center, Schibsted, O Estado de S.Paulo, The New York Times, Guardian, Clarín e Financial Times.

O estudo de cases é muito relevante neste momento, em que diversos outros veículos estão optando pela fusão de conteúdos para, enfim, atingir a tão sonhada convergência (quando todo o trabalho jornalístico é pensado em várias dimensões e plataformas).

Como aperitivo, o capítulo sobre o Daily Telegraph, considerado modelo mundial no tema.

ATUALIZAÇÃO: Minha amiga Ana Estela, aí embaixo, nos comentários, faz uma observação bem importante: “Era bom ressalvar que o livro é francamente integracionista e que tem gente ali no meio que vende consultoria para quem quer fazer Redações integradas… Ou não?”

Sim, completamente. Salaverría, por exemplo, viaja o mundo vendendo um modelo que não foi ele quem criou. Tem sido assim com alguns outros personagens de Navarra: ocuparam bastante espaço, mas com um discurso difuso e que, muitas vezes, assemelha-se a autoajuda.