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Sobre blogueiros e jornalistas

A notícia de que a corte suprema de Nova Jersey determinou, ao julgar um caso, que blogueiro não é a mesma coisa que jornalista tem um erro de viés. Não foi exatamente essa a decisão do tribunal.

O caso envolvia Shellee Hale, ex-funcionária da Microsoft, que postou comentários em um fórum acusando de fraude e ameaça de morte uma companhia que produz softwares usados na indústria pornográfica.

Tivesse utilizado seu site pessoal (ainda em construção) e, mais especificamente, a área de notícias da página, Hale não poderia ser processada.

Portanto, a corte não entendeu liminarmente que uma pessoa que mantém trabalho jornalístico na internet mesmo sem ser jornalista profissional está totalmente desprotegida de leis como a que permite o sigilo de fontes.

Sugeriu, apenas, que “jornalistas autointitulados e entidades com pouco histórico” carecem de maior investigação sobre suas atividades antes de se decretar que podem ou não ser defendidas como jornalistas.

Agora, que blogueiro e jornalista não são a mesma coisa já sabíamos há tempos. A atividade jornalística não é a única que se pode desempenhar num site pessoal. Isso basta para esclarecer que uma coisa nada tem a ver com a outra.

Escrever, pura e simplesmente, não é jornalismo.

Espanha discute ‘tornar normal’ o horário de trabalho dos jornalistas

Não sabia que a Espanha tinha uma “Comissão Nacional para a Racionalização dos Horários”, aliás, que eu saiba nenhum país tem uma repartição pública dessas.

Ignacio Buqueras y Bach, presidente do órgão, diz que sua tarefa é “sensibilizar a sociedade espanhola sobre a necessidade de usar melhor o tempo e racionalizar a agenda diária de maneira que sejam mais flexíveis e humanos e favoreçam a conciliação da vida pessoal, familiar e profissional”.

Buqueras assina texto em que inclui os jornalistas como beneficiários dos objetivos de sua pasta.

Diz que marcar entrevistas coletivas para depois das 18h implica “esforço adicional” para as Redações, cita casos de profissionais que foram rechaçados pelos filhos em detrimento das babás (quem, afinal, fica com eles) e replica citações de coleguinhas sobre a insalubridade de se jantar às 23h todos os dias, entre outras barbaridades incompatíveis com o exercício da profissão.

E a gente aqui, se perguntando por que o jornalismo parece ter piorado de uns tempos pra cá.

Santa burocra, Batman.

As mulheres jornalistas debatem

Começou ontem um congresso global de mulheres jornalistas e escritoras, este ano em Buenos Aires.

Sendo o jornalismo uma profissão feminina por essência, hoje, é bom saber o que pensam essas nossas colegas.

Os piores defeitos dos jornalistas

Circula na web uma lista com os 22 piores defeitos do jornalista.

Tem bobagens, mas bastante coisa pertinente…

Novas mídias exigem uma nova ética para o jornalismo?

Um simpósio realizado na sexta-feira pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, debateu uma questão interessante: novos tipos de mídia exigem novos padrões éticos?

Sempre fui do time de Cláudio Abramo: a ética do jornalista é a ética do marceneiro, ou seja, nossos valores morais e éticos não podem ser diferentes dos de um profissional qualquer.

“O que o jornalista não deve fazer que o cidadão comum não deva fazer?”, pergunta Abramo. É bem por aí.

Em janeiro, a universidade já havia realizado outro encontro para discutir parâmetros éticos para as novas redações investigativas (em PDF) _com especial cuidado aos projetos sem fins lucrativos e/ou financiados pelo público.

Esse fenômeno é basicamente americano e, aí sim, pode representar um desafio à ética profissional no instante em que interesses outros que não os meramente jornalísticos poderiam estar por trás de pautas bancadas por doações.

Outra questão: em geral, os “patrões” neste modelo de jornalismo costumam ser os próprias jornalistas que produzem o conteúdo, uma integração perigosa entre funções que, estamos acostumados com isso, funcionam bem melhor em lados separados e bem distantes do front.

Obrigatório voltar a tema em breve.

Os jornalistas são sexies e babacas?

Os jornalistas são sexies ou babacas. Pelo menos é o que se depreende ao buscar fotos que representem a categoria no iStock Photos, banco de imagens que aposta na conceito da cauda longa: vende muito por bem pouco. A maioria das imagens custa uma ninharia, vale conferir. Além de tudo, o projeto é colaborativo.

Lembro que outro dia falei sobre a representação dos jornalistas no cinema _com raras exceções, eles não se comportam como jornalistas.

Agora, o 10,000 Words resolveu checar a quantas andava a moral da categoria no iStock Photos. E chegou à conclusão que abre este texto. A “fotógrafa” que aparece no foto acima e o bobalhão aqui embaixo são ótimos exemplos.

Triste estereótipo ou dura realidade?

Convergência para quem precisa

A convergência de conteúdos não é uma receita que serve para todos. Assim como nem todo mundo quer/gostaria/pode desempenhar multitarefas multimídia.

É uma sensação que me acompanha há tempos. Antes de fazer, você precisa saber o que e como fazer.

O professor holandês Piet Bakker reforçou a ideia num encontro recente em Barcelona (inclui slides).

Para ele, a convergência (ou seja, pensar e entregar conteúdo planejado em conjunto, mas para várias plataformas) é apenas mais um modelo de negócio, não uma religião que deve ser seguida a qualquer custo.

“A integração de redações sem um modelo de negócio definido e uma maneira de convencer as redações certamente não é a solução ideal. Ao contrário, pode levar a mais gastos, um processo lento de tomada de decisões, descontentamento na equipe e, consequentemente, prejuízo financeiro”.

Bem por aí.

Leia também: Nós não precisamos de manchetes

Jornalistas são os profissionais que mais consomem álcool

Os jornalistas lideram o ranking dos profissionais mais bebedores na Inglaterra. Na média, eles consomem 19 copos de chope ou quatro garrafas de vinho por semana (sim, há quem beba ambos).

O estudo, conduzido pelo governo britânico, aponta que o povo de mídia no país bebe 44 doses alcoólicas semanais, o dobro do que é tolerado pelo ministério da Saúde local.

A pesquisa é curiosa e revela resultados que, provavelmente, seriam parecidos em qualquer canto da Terra, como aqui entre nós. Já me perguntaram porque jornalistas bebem tanto (e olha que, quando comecei, em 1990, bebiam muito mais).

Nunca encontrei uma explicação plausível. E eu faço parte da trupe: bebo, não nego. Nunca neguei.

Outro aspecto, que também não tenho dados científicos para comprovar, é a quantidade de coleguinhas fumantes. É apenas uma impressão, mas a incidência realmente parece ser bem maior entre os jornalistas. Repare.

Noite passada mesmo, o papo numa mesa de bar era que, a partir de 7 de agosto, quando começa a vigorar a lei antifumo no Estado de São Paulo, teremos de caminhar mais. Ou sentar fora do boteco.

Enfim, vida de jornalista.

(via @agranado)

Opine: um jornal precisa de manchete todos os dias?

Ser jornalista hoje

Perguntinhas básicas e respostas idem de uma minipesquisa que acabo de participar, solicitado por uma universidade de São Paulo. Para diálogo e reflexão.

O que é ser jornalista hoje?
Ser jornalista hoje é participar de uma conversação com o público, antigamente apenas leitor, agora coparticipante efetivo de práticas antes restritas apenas ao jornalista profissional, como a apuração/difusão de notícias. É estar preparado para um contato direto e imediato com o receptor de seu trabalho, disposto a receber reparos, correções e, especialmente, sugestões de boas pautas e de assuntos que palpitam nas conversações mediadas por computador. É monitorar a rede em busca de boas histórias e de assuntos que possam complementar as características básicas da profissão, que não se perderam, como o fator observação, o contar boas historias.

Qual é a função do jornalista?
Diante do caos informativo e do excesso de opções, é filtrar, editar e hierarquizar o noticiário, apresentando ao público uma sequência lógica dos acontecimentos. É, também, priorizar a análise e a contextualização dos fatos (isso inclui pensar o jornalismo como um conjunto de processos que hoje englobam vídeos, áudios, artes em flash, galerias de fotos etc).

Qual é a missão do jornalista?
Dialogar com seu público. Estabelecer comunidades virtuais em torno de temas de seu interesse, usar todas as ferramentas interativas disponíveis são um bom caminho para obter sucesso nesta conversação.

Qual perfil deve ter um jornalista?
Uma pessoa multitarefa, presente em todas as instâncias da Web, com noções claras sobre as potencialidades da Internet e de que forma elas podem complementar o seu trabalho no dia-a-dia.