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Assinantes dão mais dinheiro ao Financial Times do que anunciantes

O conteúdo econômico, aquele que ninguém está disposto a compartilhar, deu mais um salto na escala que marca o quanto é possível fazer dinheiro com material fechado a assinantes _notadamente em plataformas em tempo real.

O “Financial Times” anunciou nesta semana que prevê, pela primeira vez, ter mais receitas com o dinheiro de seus usuários do que com publicidade.

Hoje, a carteira de cerca de 1,5 milhão de assinantes do conteúdo on-line do FT já responde por 30% de todo o bolo do faturamento do site.

Resta agora entender a especificidade do número _e do conteúdo, claro.

Informação generalista ainda é aquela dura de vender num universo de tanta oferta.

E, por favorf, não use a equivocada comparação com o modelo iTunes. Na nossa barraca não costuma ter coisas tão atrativas assim.

Em 2031, o jornalismo será assim

Já falamos aqui sobre a incongruência de termos como ciberespaço (que não é outro senão o mesmo espaço em que vivemos), e agora Steve Outing avança mais um pouquinho num divertido ensaio sobre o jornalismo em 2031 _ou seja, daqui há 20 anos.

Por exemplo, não haverá mais jornalismo on-line (simplesmente jornalismo) e simplesmente tudo o que existe e virá a existir será catalogado _nossa garantia de uma rede de dados verdadeiramente semântica.

E ainda tem muita gente que quer ser jornalista

Ainda ontem nos perguntávamos se você gostaria que seu filho fosse jornalista, e agora me deparo com a relação candidato/vaga na Fuvest.

Com tudo o que está ocorrendo com a profissão, jornalismo ainda é a sexta carreira mais disputada no principal vestibular do país _ são quase 40 postulantes para cada vaga.

Profissão de futuro?

Você incentivaria seu filho a se tornar jornalista?

É o que nos indaga Silvia Cobo num texto em que elenca uma sequência incrível de agruras da profissão.

A minha resposta todo mundo já sabe. E a sua?

Duas décadas de sucesso no rádio

“Mas quem é que vai ficar ouvindo notícia o dia todo no rádio?”. Essa era a pergunta que todo mundo se fazia em 1991, quando foi ao ar a primeira emissora temática em jornalismo do país, a CBN, que hoje completa exatamente 20 anos.

Não conhecíamos o conceito de audiência rotativa (tão antigo quanto o próprio rádio) e, mais, duvidávamos da eficiência do modelo de nicho, já testado e aprovado àquela época em outros países, como os Estados Unidos.

Longa vida à CBN.

Aplicativos jornalísticos para tablets

Alguns desta lista podem ser úteis. Outros, óbvios ou irrelevantes em português. Mas vale dar uma olhada.

Digital ou analógico?

Social Media Week alija o jornalismo da discussão

São Paulo foi uma das cidades que abrigaram, na semana passada, mais uma “edição de Primavera” da Social Media Week. E confesso que fiquei impressionado pela forma como o jornalismo foi alijado das discussões.

Tudo bem, eu entendo que o trabalho em mídia social é 90% estratégia de marketing e posicionamento de marca, mas nada explica o fato de que praticamente todas as mesas de debate tinham como protagonistas publicitários e povo de agências.

Discutiram dos cases mais desimportantes àqueles que, ainda que falassem com o público errado, chegaram ao estrelato (vide caso pôneis malditos).

Desde sempre a publicicidade teve mais liberdade (e dinheiro) do que o jornalismo. Bem por isso, o papo sobre trânsito e planejamento em redes sociais está anos-luz mais avançado entre esse galera.

Mesmo assim, temos experiências importantes para trocar. Especialmente porque o gerenciamento de comunidades em mídia social por jornalistas parece muito mais sintonizado com o conceito de troca e cumplicidade, básico para, mais do que vender um produto, prestar serviço e conquistar o cliente/leitor/usuário.

Fora que, na publicidade, o personalismo e a necessidade de holofotes colocam em segundo plano a pessoa mais importante quando se desenha uma política de mídia social: você.

A culpa não é do estagiário

Já tinha me esquecido do detestável “tira o estagiário daí” com o qual as pessoas (os leitores) reagem a erros no jornalismo. De volta à linha de frente da interação, minha memória foi refrescada por essa bobagem.

Primeiro, as pessoas não sabem que o jornalismo nem sequer tem estagiários. Tá, existe um ou outro, mas a figura nem sequer está regulamentada por lei nesta profissão ora desregulamentada.

Mas o ponto não é esse: não consigo entender por que tratar todo erro como se fosse fruto de inexperiência, sendo que os veteranos perpetramos barbaridades diariamente no exercício do jornalismo.

Aliás, um foca não comete nenhum erro sozinho. Logo, não tem responsabilidade alguma. Antes de recorrer ao reducionismo de tentar vexar alguém que está começando, aponte o dedo para o supervisor do cara, que deu de ombros e é o verdadeiro responsável pelo pepino.

Jornalista que entrevista jornalista

Ainda ontem falei sobre uma categoria de jornalista, aquele que não gosta de notícia, e acabei me lembrando de outra tão ruim quanto: o jornalista que entrevista jornalista.

De novo, tenho de citar o exemplo o esporte e as criativas intervenções travestidas de apuração exclusiva de um mesmo veículo que, em seu momento, coloca o jogador Neymar em clubes distintos.

Repare como surgem nomes de outros repórteres no meio de um dos textos, evidenciando que a “apuração”, na verdade, não passa de fofoca não fundamentada.

Ora, se a matéria-prima principal do jornalismo é a informação exclusiva, me diga você o que uma conversa com um jornalista irá acrescentar do ponto de vista do que já foi publicado. Pois é, nada.

Esqueça que existe gente como você. Jornalista não é fonte.