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Ajudei a destruir a profissão

É uma reclamação frequente entre aqueles que, como eu, compõem o bloco da meia idade: a nova guarda não seria, digamos, tão afeita ao trabalho como fomos quando jovens, décadas atrás.

Essa espécie de constatação surge toda vez que vemos gente em começo de carreira declinar de oportunidades que, olhadas sob lupa, exigem muito mais do que simplesmente esforço pessoal. Há coisas nas redações que simplesmente vilipendiam a condição humana – mas que tirávamos de letra sob a justificativa da pena eterna imposta a quem se aventura no ofício.

Explico: acostumada a tratar o jornalismo como um ato de fé, minha geração aceitou trabalhar por migalhas e ajudou a destruir a profissão.

É por isso que hoje eu festejo quando vejo jovens recusarem as propostas indecentes com as quais o jornalismo acena e que, em nosso tempo, nos faziam sair correndo abanando o rabinho.

Trabalhei com uma pessoa, hoje gestora numa importante operação jornalística na internet, para quem “jornalista que não trabalha pelo menos dez horas por dia é vagabundo”. É esse tipo de tirada verbal, associada às oportunidades globais que antes não existiam, que fazem o trabalho nas redações cada vez menos atraentes.

Estamos destruindo o futuro da profissão ao perpetuar bobagens como o trabalho 24 horas por dia ou o presenteísmo, essa instituição tão jornalística e que é um dos primeiros passos para a burocratização das relações de trabalho numa atividade claramente intelectual. Ou que deveria ser, pelo menos durante a maioria do tempo.

Não me esqueço da decepção de pessoas de outra formação ao serem apresentadas às regras (escritas e não escritas) do jornalismo – que aliás nunca dialogaram com os contracheques. O discurso do amor pela profissão e só, felizmente, já não funciona mais como antigamente.

Se minha geração tivesse sido mais crítica contra essas armadilhas, talvez estivéssemos numa situação um pouco melhor.

Vida real e o mundo do MEC

O Ministério da Educação acaba de concretizar mais uma trapalhada: a partir de agora, o curso de jornalismo não pode mais ser oferecido como uma habilitação de comunicação, mas apenas como curso independente.

A segregação não tem muito alcance prático além da inevitável detecção de que estamos tratando com gente que não sabe o que acontece na vida real. Pois estamos vivenciando justamente um momento em que todas as disciplinas da comunicação (além do jornalismo, publicidade, marketing e relações públicas) caminham para a convergência e, no mercado, há clara demanda por profissionais habilitados nessas especialidades.

A decisão do MEC de isolar o jornalismo dificulta a tentativa de propor (mais) uma reformulação curricular, em nível de graduação, que possa abranger essa convergência.

Mas abnegados, como eu, seguirão firme nesse caminho e com essa disposição.

Jornalismo e vínculos sociais

A ideia dos acionistas do Libération – de explorar os vínculos sociais para salvar seu jornal impresso – não é nova: já em 2009, conforme relatei aqui, o jornal alemão Taz fez funcionar um café público no prédio da redação para aproximar sua equipe do consumidor de notícias.

É algo a que o jornalista médio tem horror. Afinal, o jornalista médio escreve para si próprio.

O povo do Blue Bus está discutindo o assunto também. E quem torce o nariz para a ideia? Sim, justamente o… jornalista médio.

Academia se debruça sobre a cobertura da tragédia de Santa Maria

A academia se debruça sobre a cobertura da imprensa um ano depois da tragédia de Santa Maria, o incêndio da boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em 27 de janeiro do ano passado.

Organizado por Ada Cristina Machado da Silveira, do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria, o e-book “Midiatização da tragédia de Santa Maria” discute as abordagens dadas pelo jornalismo ao acontecimento.

Nunca é demais debater o dia a dia do jornalismo.

Castelinho, o colunista

Carlos Castelo Branco, o Castelinho, foi provavelmente o maior colunista de política do jornalismo brasileiro. Vale a pena ver o especial produzido pela TV Brasil para contar a história do profissional que, mais do que ter fontes, era consultado por elas.

A lei e as câmeras ocultas

A primeira linha do manual da BBC para o uso de câmeras ocultas na produção de reportagens diz tudo: “A BBC respeita o direito individual à privacidade e não o desrespeita sem um bom motivo”.

Pronto, de novo, a subjetividade, algo que por sinal permeia praticamente todos os atos jornalísticos – por mais que, da academia e das redações, alguns tentem nos convencer do contrário.

Poucas coisas são mais torpes do que roubar imagens via microdispositivos. Na Espanha, a prática já é considerada inconstitucional.

Ferramentas jornalísticas do Google

O Google reuniu, numa única página, todas as ferramentas que considera úteis para quem trabalha com informação. Há coisas mais práticas, mas também meras listas de notícias (como o diretório que agrega informações sobre campanhas eleitorais). Vale conferir.

Vida de estagiário

Jogaram o sofá fora: a editora Condé Nast, que publica revistas de altíssimo nível como Wired e The New Yorker, encerrou seu programa de estágios nos EUA depois de ser processada por um aspirante a jornalista que trabalhava até 12 horas por dia por menos de US$ 12 diários.

No Brasil, apesar de comuns nas redações, o estágio em jornalismo não é regulamentado. Mesmo assim, costuma ser uma vida boa: a garotada via de regra não passa de seis horas de jornada, com feriados e final de semana livre e alguns direitos como vale-refeição. Em muitos casos, ganha-se mais do que jornalistas formados. Errado também.

 

 

 

 

Quem é jornalista?

Mais uma tentativa de definir a profissão, aparentemente, flopou: o estudo “Quem é jornalista?”, realizado no âmbito da Universidade de Dayton (EUA) por Jonathan Peters e Edson C. Tandoc, Jr.

Na era da informação total protagonizada por todos nós, a definição, é verdade, só tem importância jurídica, já que o exercício do jornalismo está protegido por diversas leis nos EUA – como a que permite manter fontes no anonimato.

No final das contas, prevaleceu no estudo a seguinte definição: “Alguém encarregado a regularmente apurar, processar e disseminar notícias e informação que sirvam ao interesse público”.

O jornalismo no Facebook

Nos EUA, 30% dos usuários adultos buscam notícias no site de Zuckerberg. Não é um acaso, e não apenas por relacionamento, que tantas marcas jornalísticas estejam lá.

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